como ser deserdada em menos de dez minutos

um dos assuntos favoritos dos meus amigos é a minha (falta de) bunda. assim, de verdade, é tipo um tópico obrigatório em praticamente qualquer conversa. eis que eu fui me tatuar e levei a viada da gabi comigo, tanto pra registrar o processo quanto pra ela parar de embaçar pra fazer a tatuagem dela.
ok, eu tinha até escrito um post super cabeçudo explicando o significado dessa tattoo mas esse vídeos ficaram tão IMBECIS que não tem como me levar a sério, então antes de começar a rir da minha cara aprecie o quão DO C-A-R-A-L-H-O ficou:

agora que você já viu como a minha caveira de dia de los muertos é incrível aproveite a saga lesada que levou a ela:

search engine, a vingança

bjos.

 

 

 

ps.: o paixão de verão não é tão sem noção muito retardado embora esse seja um título do qual muito me orgulharei de hoje em diante. cogito inclusive colocar como categoria aqui.

a única coisa que eu lamento ter perdido nos últimos 6 anos é meu toca-fitas

(com o resto eu acabei me divertindo)
achei esse texto perdido no meu hd, numa pasta chamada TRALHA, no meio de um arquivo chamado “posts” que jamais saberei onde originalmente postei, se é que postei. ENFIM, a questão é que se trata de um bagulho velho que eu encontrei por acaso e achei, graças à minha percepção distorcida da realidade, que seria uma boa idéia publicar. afinal de contas, por mais tosco que seja eu continuo pensando assim. não tem nada a ver com a pessoa a quem eu me referia, não tem nada a ver com ninguém. eu posso perder um monte de gente, uma porrada de sentimento, mas esse é sempre o mesmo. óbvio que não se trata de um tratado sobre as emoções, é um texto bobo. mas fazer o que se é assim, bobo, que a gente tem a obrigação de ficar quando se apaixona?
eu no caso fico completamente gay, confiram:

“Northern Downpour
07/01/09

Eu quero chegar em casa no fim da tarde e te ver levantando os olhos do computador enquanto eu abro a porta e jogo a bolsa no chão. Quero pular em você e te abraçar e encher de beijos até passar a sua cara brava, se o problema é comigo ou com o nosso cachorro vira-lata mastigador compulsivo de chinelos eu nunca vou saber, mas pelo menos eu vou tentar.
Eu quero levantar quando você sorrir e ir pra cozinha fazer macarrão (porque essa é a única coisa que eu sei fazer, e provavelmente isso será assim até o fim dos tempos) enquanto você liga a tevê pra ver o que quer que seja que tem de interessante nos jornais (porque só você pode assistir jornais e se safar, de tão bonita que é, de ser um estereótipo de intelectualóide), cantar alguma música bem pop-chiclete pra dar um pouco de leveza pro seu trabalho, trazer um pouco de leveza pra tua vida, você que é sempre tão séria.
Eu quero continuar errando o ponto do macarrão e me irritando com isso, mesmo que você não dê a mínima pro ponto do macarrão ou pra minha felicidade idiota que te incomoda tanto pelas manhãs, quando eu saio dançando pela sala abrindo as janelas pra que o céu inunde todo o apartamento.
Eu quero isso que é tão difícil, que é você, para que um dia seja fácil. Não pra mim, pra mim tudo já é fácil demais. Eu quero você pra que a SUA vida seja fácil.
Pra que a vida seja essa quitinete cheia de dívidas e fotos nas paredes, fotos que é você quem geralmente tira porque é você quem tem mão firme e visão pra isso. Pra que a vida seja uma música da primeira fase dos Beatles, daquela coletânea que você quase odeia por eu ouvir tantas vezes e te puxar pra dançar. Pra que a vida seja eu, você e o vira-lata. Pra que a vida seja andar de meias o dia inteiro. Pra que a vida seja eu gostar de você e nada mais importar…”

MUDANDO DE ASSUNTO:
o show da florence.
o que falar sobre o show da florence?
eu espero essa mulher desde, sei lá, comecinho de 2010. ok, falando assim parece pouco tempo, mas o tanto que eu ouvi florence + the machine nesses últimos dois anos, foi quase uma pegada de devoção. eu nem me liguei disso até pouco tempo atrás na verdade, quando reparei que ela tava naquela categoria de músicas que eu nunca enjoava, e pra qual eu apelava quando tinha preguiça de procurar alguma coisa legal – sabe, aquelas músicas que não tem erro, tipo johnny cash, david bowie, stereophonics, sei lá qualquer banda que você vai sempre ter pelo menos um cd com as suas favoritas no carro porque em caso de emergência de trilha sonora pra vida, elas nunca falham.
mas depois de um tempo eu me liguei que florence também tinha uma coisa nas letras e na melodia diferente que fazia o mesmo efeito que a da fiona apple, uma voz que prende você e causa um impacto daqueles que você não tem como não entrar numa espécie de transe.
to viajando?
bom, não contente ela é ruiva. ruiva é um negócio que bate no fundo da sua cabeça e volta e fica lá rodando por um bom tempo. tenho pra mim que elas são de uma raça superior que um dia vai dominar o mundo.
e então falaram que ela vinha pro brasil. eu comprei o ingresso sem saber nem quanto custava nem quando seria. assistir florence + the machine era uma daquelas coisas que se eu não fizesse ia ficar mal resolvida pra sempre e eu teria que fazer (ainda mais) terapia.

postei essa foto no facebook e automaticamente 14 pessoas curtiram e 10 comentaram, preciso de ajuda sim ou muito?

mas nada me preparou pra catarse de quando ela subiu no palco e pela hora seguinte. eu tava hipnotizada, eu cantava todas as músicas como se a minha vida dependesse disso, era o momento mais feliz da minha vida.
eu já fui em shows incríveis. pearl jam foi um, arctic monkeys foi outro, phoenix, mika, kate nash. mas aquela mulher tem alguma coisa que basicamente deixa você em um milhão de pedacinhos e de repente te joga pro alto de um jeito que você experimenta as coisas com uma nova intensidade.
bottom line: largaria tudo pra ir atrás da florence. viraria groupie. talvez vire mesmo VAMOS ACOMPANHAR.

sim é instagram e tem filtro e eu tava de chapéu mas foda-se olha como eu tava feliz

soundtrack etc.

da áustria ao baixo augusta

pra mim, mandar música pras pessoas é como mandar textos. raramente eu escrevo um texto feito pra ou sobre alguém em específico, e mesmo quando eu tenho um mínimo de foco e falo sobre um grupo só de pessoas, dá pra ver a diferença de como o texto fica em comparação a quando eu generalizo ou começo a delirar.
mas veja bem, apesar de ser o instinto inicial, não dá pra ficar sem escrever só porque você não conheceu ninguém que valesse a pena poetizar sobre. e como eu tenho um ego do tamanho do mundo, faço questão de compartilhar minhas digressões sem fim sobre porra nenhuma porque acho que elas também são muito legais.
bom, egotrip à parte, com mixtape é a mesma coisa. eu sempre me declarei pras pessoas através de músicas, mesmo que elas não entendessem ou sequer percebessem (VRAH! FOREVER ALONE!). eu sempre tive essa convicção que eu podia dizer muito mais através das palavras dos outros, e música é uma fixação minha que só freud explcia então acho tudo muito mais expressivo e relevante quando tem ritmo. cada playlist minha pra alguém contava uma história, era o reflexo mais transparente de mim que eu entregava pras pessoas. mesmo as que eu fiz pros meus amigos – pra não ficar nessa pieguice de “oh-como-sou-romântica” – eram um retrato daquilo que eu sentia por eles e de tudo que a gente tinha vivido, como eu via a gente e o resto do mundo. dedicar uma música, na minha visão das coisas, é o passo mais importante que a gente toma no processo de desenvolver intimidade.
foi por isso que um tempo atrás eu comecei a fazer o fuck art, let’s dance. eu tava sem me apaixonar por mais tempo do que eu achava suportável, e por algum motivo que envolveu bebida então do qual não muito me recordo, resolvi ressuscitar minha idéia de ~podcasts~ num blog que tinha tudo pra ser genial depois de uma garrafa de pisco.
até hoje, quando eu ouço cada fuck art eu lembro exatamente do que tava vivendo naquele dia. eu fui reorganizar as playlists no começo do ano e reli os posts e foi um dos meus flashbacks mais divertidos de todos os tempos. mas eu já não tinha pique pra me comprometer a uma playlist por semana, e tinha começado com uma coisa tão hipster que serei que sofrerei bullying: mandar cds pras pessoas. cds com cara de fita k7. mixtapes.
acontece que eu desencanei de me apaixonar por um tempo, e quando vi não tava produzindo nada. eu não escrevia, eu não ia atrás de música, enfim, tinha largado mão das coisas que eu mais curtia. escrever foi um negócio que eu relutei mais, mas música eu comecei imediatamente a fuçar e recuperar o tempo perdido.
(olha, relendo isso chega a ser patético o quanto que eu sou loser, porque olha o senso de prioridade da pessoa né: música acima de qualquer coisa, relacionamento humano que é bom deixa pra depois.)
e assim, desculpa gente tem alguma coisa na minha genética que eu tento evitar manifestações com doses cavalares de farofa, mas que volta e meia estoura: eu sou mto indie. eu escuto isso dos meus amigos, das pessoas com quem eu fico, da minha família SABE? eu tenho uma fita k7 e uma obra do banksy tatuadas, mas é tudo sem querer juro não me julguem. e eu to há muito tempo sem conhecer ninguém interessante, então não tem jeito fico com síndrome de abstinência preciso fazer demonstrações públicas de afeto.
comecei a mandar os cds não pra ganhar dinheiro. foi pra extravasar essa minha esquizofrenia emocional mesmo. mas depois de um tempo, depois que o surto psicótico passou, eu vi que isso podia virar uma coisa legal de verdade. quem sabe as pessoas começassem a fazer playlists próprias, mandar mixtapes umas pras outras? se isso acontecesse, na minha concepção de vida todo mundo ia se divertir. cada um por um motivo: às vezes pra aparecer, outras pra dar em cima de alguém, talvez por se achar o fodão que sabe mais que todo mundo, ou, num mundo ideal, simplesmente porque descobriu alguma coisa legal e que vale a pena compartilhar porque talvez as pessoas que vão gostar daquilo não encontrariam por conta própria ou já procuraram e não conseguiram achar (afinal de contas compulsivo doentio por música eu sei que não sou a única, tem uma galera loca da bala nas coleção de discografia, b-side e bootleg e pessoas assim não sossegam enquanto não tem uma pastinha de mp3 bem bonitinha e organizadinha e com uma porrada de coisa que nunca vão ouvir na vida).
sei lá, eu achei de verdade que as pessoas poderiam curtir fazer isso. mas como o fuck art, let’s dance tinha uma proposta (muitas vezes por mim distorcida confesso, mas isso é culpa da minha instabilidade emocional) que excluia muita música legal. eu invento essas regras na minha cabeça e acho que é um conceito quase dogmático, mas como tinha passado muito tempo com tudo inativo, não ia ficar esquisito se mudasse. outra fase, I guess.
então eu mandei pra bem poucas pessoas a princípio, depois um pouco mais, e a última agora saiu uma porrada (“uma porrada” pro padrão de um cd feito em casa, e que dá um trabalho fdp pra montar cada caixinha então 40 parece bastante coisa quando você termina de fazer). e uma menina veio me falar que ia me mandar outra de volta. outra pessoa, uma amiga minha, me mandou cartão postal, outra me deu o livro dela por causa disso e de uns cds que eu organizei pra ela. música tava gerando troca de coisas de um jeito muito mais pessoal que um link no mural do facebook, espontaneamente. mas essa menina que falou do cd fez meu dia porque era justamente isso, sabe.
agora eu to tentando me organizar melhor pra administrar quando e como mando as mixtapes, e conversando com a galera surgiram idéias tipo um aplicativo que eu já fiquei pirando porque to querendo que ele permita você baixar as playlists e remixar, e compatilhar de algum jeito (ainda não desenvolvi a ideia direito). alguma coisa como o birp.
to aqui contando tudo em detalhes porque assim, caguei se alguém copiar. desde que alguém tome a iniciativa tá tudo certo. é que eu to fazendo do meu jeito, na metodologia da neurose e toc. e também porque sempre bom saber se as pessoas acham legal, ou se preferem de outro jeito. a gente pode construir o negócio juntos. foda-se a sopa, a pipa, a putaquepariu do ecad. como nada disso tem fins lucrativos, acho que é cara de pau falar que se trata de um roubo de direitos. muito pelo contrário, é divulgação gratuita. sai grana do nosso bolso pra manter isso e correspondência é um bagulho particular então não me venham com leis (UIIIIII ANARQUISTA).
não, assim, serio. a única intenção disso tudo é fazer uma brincadeira e conhecer gente, deixar registrado um momento qualquer. eu to tentando fazer isso de uma forma estruturada, que fique fácil pra todo mundo que se interessar, mas to aberta a sugestões.
bom, já virou uma bíblia isso aqui então vou sair fora pra montar caixinha de cd.
qualquer coisa estamos aí.

há mais mistérios entre a ficção e a realidade…

tem manhãs que beiram o improvável. veja bem, você acorda atrasada e com uma tremedeira fora do normal, derruba um perfume que ataca sua rinite, sai de casa na hora em que deveria estar chegando no trabalho, quando chega no ponto de ônibus percebe que largou o bilhete único, volta atrás correndo, torce o pé, fica meia hora esperando algum ônibus ter a boa vontade de passar MAS ATÉ AÍ TUDO BEM porque de repente você encontra 50 centavos no chão e isso deve ser um sinal de sorte. risos. depois você ainda fica torrando no sol do congestionamento NO CORREDOR DE ÔNIBUS e quando finalmente chega no seu ponto não consegue atravessar a avenida porque tá sem farol e trânsito mais gentil my ass né.
enfim, cheguei ta tudo bem e hoje tem show da florence <33333
eu queria escrever aqui sobre uma reflexão sobre ficção na internet que tive esses dias voltando do bar.
a propriedade mais fascinante das palavras é que a gente pode usá-las da forma que bem entender e que nos parecer mais conveniente, mas elas têm vida própria e não dá pra prever o que será feito delas, ou o que elas farão conosco. elas são como um brinquedo, mas perigoso. quem lê também entende o que quer e isso eu digo tanto como alguém que já ouviu uma caralhada de chorume por causa de interpretação de texto, quanto como alguém que tem como hobby acompanhar tretas em comentários de blog.
esse blog em particular ok, até dá margem pra nego achar que sabe alguma coisa da minha vida pessoal. esse e qualquer outro que eu já tenha publicado porque eu não sou escritora, só dou uma modificada na realidade e finjo que é texto. mas ce pega um fucking mia da vida e é engraçado, porque as pessoas escolhem time, ficam indignadas, brigam entre si e com a autora… é que nem novela, mas é escrito e eu como boa nerd e pedantezinha que sempre prefere o livro ao filme, acho INCRÍVEL isso. porque só a internet consegue isso, fazer uma galera imensa se envolver com uma história que não vem digerida pela televisão.
also, nesse caso especificamente, o mais engraçado é que se trata de uma história que se passa no mesmo tempo-espaço que eu vivo, e os personagens são, pelo menos em parte, como qualquer um de nós que orbita pela região e, consequentemente, sentimentos descritos – já que no fundo somos todos o reflexo daquilo que fazemos questão de repetir semana atrás de semana. mas tem gente que lê e nunca passou por ali, por aquilo, e é como se você assistisse a sua própria vida com crítica ao vivo.
a internet é um lugar maravilhoso, mas os outros aspectos dessa conclusão a qual eu cheguei eu discuto outra hora.
seguinte, já que falei de ficção aproveito pra fazer um ~merchandzinho~. to escrevendo um conto pra pashion que vai ser publicado em partes, toda segunda. a primeira já tá no ar aqui. é a história de uma paixão de verão e a modela das fotos é minha irmã então mesmo que você não curta o texto vale ir lá ver como ela é linda.

AH, SÓ MAIS UMA COISA:
alguém no formspring me desafiou a fazer uma playlist de fuck music. eu não faço sexo há tanto tempo que já tenho pra mim que sou pura e virgem novamente, mas fiz uma seleção fuck art, let’s fuck e se você não curtir quero nem saber, ces que são tudo frígido.

bjs pra quem transa

bjs tb pra quem entendeu a imagem

the saltwater room

“aquele que deseja continuamente ‘elevar-se’ deve esperar um dia pela vertigem [...] a vertigem não é o medo de cair, é outra coisa. é a voz do vazio embaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual logo nos defendemos aterrorizados”
(milan kundera)

quando tudo se encaixa como se a vida fosse um grande quebra-cabeça, as peças deixam de ter sentido. tudo que a gente ama, da forma como a gente conhece pelo menos, atinge seu limite quando faz sentido demais. a realidade do presente flutua na beira do abismo do pra sempre. o esquecimento é o dom da eternidade e a maldição dos detalhes.
mas tudo que é perfeito se consome. e dura pouco, já que a perfeição só pode ser bonita depois que acaba. enquanto ela dura, é exagerada demais para ser apreciada.
por isso a busca pela perfeição necessita de um rompimento, porque a parte mais bonita é o instante que se segue à destruição do perfeito, quando ele já está fora do alcance da rotina o suficiente para não ser estragado pela realidade mas ainda é recente demais para ser deixado para trás ou moído pelo tempo.
mas se você se prende ao fascínio dos momentos, ele se torna um estilo. é a aliteração dos relacionamentos, sem se preocupar com a rima dos finais felizes. só que um estilo também é uma forma de vício, um parasita que se infiltra na forma de hábito. a gente mete na cabeça que esgotou todas as perfeições possíveis e sobraram só as marcas que elas deixaram, as cicatrizes.
e uma cicatriz nada mais é que um ranço de lembrança de uma dor que já passou. quando a dor passa, o medo do acidente acontecer de novo também. estamos de novo prontos pra próxima. e sempre tem uma próxima. porque é sempre sem querer que a gente se machuca. é sempre um acidente de percurso, um erro de calculo, um ato falho. e justamente por saber disso a gente continua tentando – e errando – porque ninguém tem culpa, ou mesmo que tenha, que diferença faz pro que já foi?
desistir seria burrice, ou no mínimo imaturidade, porque o que hoje é cicatriz, perfeição gasta, amanhã vira perfeição nova através de outros olhos, e pode virar todo dia de novo. os momentos mais felizes que eu vivi foram também os mais insignificantes. os acontecimentos épicos não têm nem de longe o mesmo impacto que as banalidades na minha memória, então a importância das coisas não pode estar atrelada ao seu significado no panorama geral.
parece bobagem, eu sei. mas é uma coisa que faz falta. a gente pode tentar se convencer do contrário, mas depois de um tempo percebe que por mais fútil que seja, é aprendendo a olhar direito pros detalhes onde a perfeição se esconde que a gente consegue manter o foco no resto das coisas que faz.

como evitar acidentes no trânsito

não dirigindo.

dike et kérdos

Alguns de nós cresceram sendo “o gordo” da turma. Outros foram “o pretinho”, ou “a vagabunda”, ou “o nerd”. Ainda há aqueles que foram “o deficiente”, “o viadinho”, “o pobre”, “a feia”… A lista nunca acaba: “a burra”, “o sujo”, enfim, uma série de adjetivos que na adolescência se cristalizaram na forma de panelinhas ou “tribos” tais como “os excluídos”, “os manos”, “os roqueiros”, “os queridinhos” e todos os outros segmentos pelos quais passamos por opção ou imposição ao longo de nossas vidas escolares, os quais eu poderia continuar citando por linhas e mais linhas num esforço inútil, por serem incontáveis. E como todos sabem ao que me refiro, vamos ao que realmente interessa.
Percebam a quantidade de aspas utilizadas até agora. A repetição desse recurso tem um motivo muito simples: nenhuma das categorias de fato existe, não na forma de fatores determinantes da personalidade de um indivíduo como as conhecemos pelo menos. Uma característica qualquer não define uma pessoa, seja essa característica sua condição social, sua sexualidade ou sua preferência musical. O mesmo se aplica à etnias e limitações físicas e/ou cognitivas. Qualquer tipo de arbitrariedade no que diz respeito à individualidade é uma abstração estúpida que, clichês à parte, Freud explica.

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juntando a fome com a vontade de beber

“vou passar o réveillon de vermelho e amarelo pq quero amor e dinheiro”
“ce quer um big tasty tb né, pq passar o ano novo de uniforme do mc donald’s só vai faltar perguntar se iemanjá vai querer nota fiscal paulista da oferenda.”

minha grosseria característica e semi-involuntária à parte, o fato é que eu tenho lá minhas manias – muitas delas – mas em termos de hábitos, eu prefiro ter vícios a superstições.
hoje é sexta-feira 13, mas as únicas entidades que me assustam são aquelas que mandam mensagem desde cedo perguntando qual a programação da noite. até porque ontem eu já encerrei meu dia tropeçando no mendigo que tava gorfando na esquina de casa então o negócio é o seguinte: azar é para os fracos, os fortes encaram eventos bizarros como estilo de vida.
e como já diria minha avó: “pisou na merda abre os dedos”. vamo beber que a vida não tá fácil pra ninguém mas difícil mesmo é jogar ubongo depois de três tequilas e um copo de rum com coca-cola.

memória afetiva

a sensação que a gente tem ouvindo uma música qualquer geralmente ta relacionada com o contexto no qual ela apareceu pela primeira vez em nossas vidas ou a lembrança mais forte na qual ela aparece como trilha sonora.
daí que outro dia tava rolando uma discussão no chatline de inbox do facebook sobre mr. brightside e basicamente o argumento era que a música tem uma vibe de angústia, ou pelo menos a letra. e eu, talvez pela minha vocação a ser do avesso, obviamente discordo.
mr. brightside começou a fazer sentido de verdade pra mim por volta de 2006. porque foi só então que a frase “it started out with a kiss, how did it end up like this?” se tornou uma realidade palpável. e mais que isso, era o que eu me perguntava quando parava pra pensar no absurdo que era a situação que eu tava vivendo.
eu podia inventar todas as desculpas que eu quisesse – eu inventava inclusive – mas no fim das contas todos os meus surtos psicóticos eram porque “jealousy, turning saints into the sea, swimming through sick lullabies, choking on your alibis”.
foi só então que eu descobri como era sentir ciúmes. eu sabia que tava fazendo a escolha certa apesar de não ter condições psicológicas pra lidar com o fato de que quem eu tinha deixado pra trás tava tocando a vida. o negócio era de tal forma insuportável pra mim que eu acabei literalmente me arrebentando no chão num dia que resolvi fugir correndo bêbada porque “I just can’t look, it’s killing me and taking control”.
mas a culpa era única e exclusivamente minha, então “but it’s just the price I pay” colocava as coisas em perspectiva, porque quem tinha escolhido era eu.
a música toda colocava as coisas em perspectiva na verdade. e eu acho que isso não se aplica só à minha história, porque ela é sobre as coisas que acontecem dentro da sua cabeça e se transformam num inferno que você é obrigado a viver fora dela porque não consegue parar de pensar. é o preço que você paga por querer tudo, quando tudo é demais por mais que você se convença que tem seu lado bom.
tá, não sei nem se isso faz sentido. talvez no fim das contas eu sinta uma coisa boa, quase uma catarse, toda vez que eu ouço mr. brightside, por causa das lembranças do caralho que eu tenho com ela, de voltar pra casa completamente bêbada, a 200 por hora, com os vidros do carro aberto berrando a música em looping. ainda assim, é uma puta vibe incrível e merecedora de méritos.

let your freak flag fly

CELIA: Well, thank you, Shane. Everyone thinks I’ve lost my mind.
SHANE: Everyone thinks I’m weird.
CELIA: I can see how you might give that impression.
SHANE: I really don’t care what they think.
CELIA: Well good for you. Let your freak flag fly.
SHANE: Really?
CELIA: I’ve recently stopped giving a shit what anyone thinks, and I’ve got to tell you, I feel great.
SHANE: But you have cancer.
CELIA: And you have a dead father. We both make people really uncomfortable, and there’s no way around it, so we can either feel all self-conscious and pretend everything’s normal, or we can just be our strange selves and let the rest of the world go fuck itself.

hj é sexta, então…

fuck this shit, let’s be freaks!

no fundo, no fundo…

quando eu era pré-adolescente minha mãe tinha mania de me pegar pra cristo e assistir tv com ela. dawson’s creek, felicity, toda filmografia da julia roberts umas 200 vezes. mas tinha lá suas vantagens, as if e coupling são dois exemplos de coisas incríveis e underrated as quais eu me apeguei nessa época e acho sensacionais até hoje. o meu interesse em cultura pop vem desses fins de semana que eu passava vivendo e respirando tv a cabo.
enfim, foi válido.
na verdade essa introdução toda foi só pra dizer que discursos de comédias românticas tem seu mérito, assim como muito refrão de pop chiclete. porque às vezes é no meio de um clichê que a gente encontra genialidade. ou quem sabe a genialidade seja justamente colocar água com açúcar no absurdo que a gente é.
e é por isso que essa cena do “espelho tem duas faces” é tão genial.

ps.:

eu não reviso nada que posto aqui. eu só dou uma relida pra ver se os textos tão minimamente coerentes. às vezes.
esse blog podia inclusive se chamar 420 palas para dar antes de morrer.

vanity cards

eu acho que uma das cenas de nerds mais verdadeiras da história da televisão e cinema acontece num episódio da 3ª temporada de “the big bang theory”. o episódio abre com raj entrando numa loja de hqs e ligando os alto-falantes de sua camiseta, que começa a tocar a música tema de darth vader. a cara de orgulho dele, a vergonha alheia dos amigos e a indiferença geral no instante seguinte são basicamente o resumo do comportamento de um grupo qualquer de pessoas socially awkward. isso não quer dizer que elas necessariamente SEJAM nerds, mas esse comportamento de timidez e constante inadequação acabam trazendo consigo um ranço qualquer de uma nerdice perdida nas profundezas de todos nós.
assim, eu por exemplo era uma criança insuportável. eu gastava meu dinheiro em gibis e livros, não tinha amigos nem me interessava muito por isso porque preferia brincar sozinha e tinha o hábito de me meter a entender qualquer coisa que os adultos falassem pra poder dar minha opinião em todas as conversas. eu era tão pentelha que acabei tendo que mudar de escola no jardim de infância porque minha vibe toda errada de dona da verdade atrapalhava. mas tinha o outro lado também e não era exatamente bacana. era como se eu nunca fizesse parte de grupo nenhum, como se estivesse constantemente no lugar errado, na hora errada, sendo a pessoa errada.
não foi exatamente uma coisa traumática pra mim ter sido nerd durante a infância e a pré-adolescência, mas só porque eu tinha um ego imenso e zero noção. daí na adolescência as coisas saíram totalmente do eixo e de repente eu tava ocupada demais bebendo e cabulando aula pra lembrar que havia o dia de amanhã. não porque eu sentisse alguma necessidade de me encaixar, peer pressure, mimimi, mas porque era mais divertido que ficar me esforçando pra estar certa o tempo todo. isso você junte ao fato que o hormônio mais abundante durante a puberdade ser a babaquice e olha só, 10 anos atrasada pro lançamento de nevermind temos uma grunge emocionalmente retardada quase repetindo o primeiro colegial.
mas obviamente I digress, a questão é que no fundo sempre sobra um restinho daquela nerdice original. até quanto eu tava nessa fase metida a rebelde eu tinha umas manias de pegar pra estudar qualquer assunto não-relacionado à escola. eu fui atrás de ler tudo dos beatniks, dos hippies, dos punks, da anarquia, da pop art e qualquer espécie de underground e era por causa do que eu lia que eu acabava entrando numas de reformular minha personalidade. ou seja, a mesma coisa que eu fazia quando curtia cavaleiros do zodíaco: quando eu era criança eu tinha certeza que se me concentrasse o suficiente conseguiria elevar meus cosmos, quando eu cresci eu comecei a me concentrar pra virar rockstar.


graças a deus colegial um dia acaba e com isso minhas tendências losers voltaram. eu tentei disfarçar elas por um bom tempo, só que num dado momento eu encontrei pessoas com compulsões parecidas com as minhas, tanto no quesito bebida quanto – acima de tudo – na piração de levar a serio qualquer interesse que aparece, mesmo que seja só durante o pouco tempo que os fenômenos e a atenção costumam durar.
e um tempo atrás eu me libertei de vez de qualquer eventual intenção que eu tivesse de ser cool. curto muito a coisa toda do party hard mas meu forte é a inaptidão em interações sociais. ou seja, nerd meia tigela. sei lidar com teorias mas sou péssima com pessoas e é por isso que eu passo tanto tempo delirando na internet.
só gostaria de constar que acho uma babaquice sem tamanho nego fazer disso um pseudo-estilo-de-vida. é engraçado de assistir quando é de verdade, mas disfarçar egotrip com complexo de inferioridade e se achar elite de alguma coisa só porque tinha antes de todo mundo é sinal que ta faltando pra galera tomar rabo de galo e escrever declaração de amor em porta de banheiro de boteco ao invés de ficar choramingando com um toddynho enquanto aplica filtro sépia em foto desfocada pra representar alguma pretensão filosófica.

farofa na cara da sociedade, a revanche

“insanity: doing the same thing over and over again and expecting different results. “
(albert einstein)

os shuffle mixes são umas playlists aleatórias circa 2009. foi a minha época de chinelagem mais feliz, que durou alguns meses e da qual tenho apenas vagas lembranças, todas elas engraçadas olhando agora, embora algumas tenham sido demonstrações patéticas de como nego curte um dramalhão.
daí eu entrei numas de organizar minha vida e, bom, quem lia isso aqui sabe que comigo não rola uma organização, é tudo na base do caos e exagero então nem precisa dizer que obviamente não deu certo.
depois eu resolvi tirar ferias. a minha única promessa de ano novo pra 2011 era não me apaixonar por ninguém pra ver se isso ia reduzir meu nível de estupidez.
E CONTRA TODAS AS EXPECTATIVAS EU CONSEGUI.
foi incrível ver de fora como a gente fica completamente retardado, como eu em especial era sem noção, como a porra toda pode acabar passando dos limites do ridículo. e como é lindo também. é lindo quando a gente lembra, já que enquanto acontece sempre dói um pouco. é uma dor boa de sentir, mas é uma dor ainda assim e atrapalha.
e sei lá, to viajando e já nem lembro qual era o assunto (blame it on 4:20). enfim.
a questão é que nesses meses que eu parei de escrever volta e meia alguém falava que eu devia ressuscitar esse meu diário da ausência de dignidade, m as a ideia me bodeava.
só que umas semanas atrás eu comprei um computador (sim, agora eu tenho um computador próprio – ele só não tem internet) e resolvi organizar minhas músicas. e tudo que eu tenho bagunçada pra todos os outros aspectos possíveis eu tenho de neurótica com as minhas músicas (desde criança isso, mas outro dia eu conto essa história), ou seja,eu levo a serio a parada.
no meio do caminho eu fui redescobrindo uns arquivos que nem lembrava que tinha e no meio deles tavam esses shuffle mixes. eu nem sabia o que tinha gravado neles, não tinha nem rastro de tracklist, mas encanei que queria publicar eles em algum lugar independente do que tivesse no meio, quem sabe junto com os fuck art, let’s dance.
mas antes eu tinha que descobrir pelo menos de que ano eles eram, então vim procurar nos arquivos desse blog, porque a única certeza que eu tinha era que os ~podcasts~ eram da mesma época que ele – aquela que é praticamente um borrão no meu cérebro.
só que teve uns posts que eu deletei em algum momento e eu não consegui encontrar as datas certas. mas quando eu comecei a reler os posts pra tentar encontrar uma data mais precisa que “circa 2009″, eu reparei que a minha babaquice era engraçada. eu tava cagando pro que iam pensar de mim e oversharing era sussa, então eu realmente era no limits. eu perdi isso de uns tempos pra cá, eu quase cheguei a me levar a sério.
2011 foi a ressaca da 2010, olhando em retrospectiva. mas agora a ressaca passou.
eu sei que ninguém viu – acho inclusive que ninguém vai ver nem esse post -, mas em novembro eu postei aqui um video. eu tava cogitando seriamente voltar a exercitar essa minha verborragia sobre o nada, mas não sabia por onde começar nem se ia ter pique pra isso.
como você pode perceber, se você já leu essa bíblia até aqui é porque eu desisti de pensar sobre isso e to aqui sendo eu mesma, falando nada com nada, etc.
daí que agora eu to de férias (~~~~~férias~~~~~) e finalmente tive tempo pra ouvir essas porra e montar uns tracklistzinho pra elas, então vim aqui jogar farofa na cara da sociedade com umas playlists que assim, só muita cachaça explica. e eu acabei gostando bastante delas, mas é aquela coisa né: a primeira vez é sempre bem mais ou menos, a gente vai melhorando conforme pratica. então se você veio parar aqui por causa dos fuck art, nunca tinha lido esse blog, encarou de primeira uma dissertação non-sense sobre a minha vida e curtir essas playlists, entre em contato e vamos casar.
taí o link: todos os fuck arts e essas bonus tracks.

fuck art, let’s dance!

oi.

Tudo novo, de novo

O óbvio finalmente aconteceu: eu voltei.

Agora eu to .

Enjoy the ride.

Aviso: não adianta esperar uma sequencia do que existia aqui.

Closing Time pt. 2

Então… Depois de 1 ano e 8 meses, 198 posts (199 contando esse), 259 comentários, 447 tags (gente?) e 29.690 views, chega ao fim o “Eu Tenho Problemas”. Porque? Bom, porque tem hora que a gente precisa mudar né? Não to mais com paciência pra ficar postando aqui sobre quão fascinante foi acordar hoje e limpar meu umbigo afinal O MUNDO GIRA EM VOLTA DELE NÃO É MESMO?

NOT.

Enfim gente, cabou. Já tava repetitivo isso de: tava bêbada e não lembro / to de ressaca / to apaixonada / levei um pé na bunda NUM LOOPING INFINITO permeado por eventuais doses de “acordei, tava olhando pela janela do meu quarto e quando bocejei quase engoli uma abelha” (aconteceu hoje. Foi tenso). Eu preciso sair dessa zona de conforto de escrever só sobre a grande piada que é o caos da minha vida.

Eu não vou apagar nada, nem tem porque. O que fica aqui é um registro, como uma caixinha de memórias que junta poeira num canto qualquer, mas que volta e meia a gente procura pra ter uma referência do que já foi.

Pode ser que logo menos eu apareça com outro blog. A tendência é que isso aconteça na verdade, como aconteceu da última vez. Ou não.

See you around ;)

every new beginning comes from some other beginning’s end…

Fuck Art, Let’s Dance – Ep. 34 – Edição Especial 1 ANO / THE END

Exatamente 1 ano atrás, dia 26 de março – ok, não exatamente um ano mas por diferença de dois dias dá na mesma né -, eu resolvi institucionalizar a putaria e canalizar essa minha missão de vida que é montar playlists. Disso nasceu o Fuck Art, Let’s Dance. O nome veio de um vídeo que eu vi, sei lá, 3 ou 4 anos atrás, que era um projetinho de criança guei que poderia muito bem ser meu filho dançando electro com uma camiseta new rave com essa frase que virou praticamente um lema de vida de uma época que se resumia a exactamente isso. Ainda se resume, de certa forma, mas depois desse 1 ano o Fuck Art, Let’s Dance tá entrando em férias, como direi, permanentes. Talvez um dia eu volte, mas como eu acho difícil, fica uma seleção muito da tetéia, pra marcar tanto a comemoração quanto a despedida.

SAIO DA MIXTAPE PRA ENTRAR NA HISTÓRIA (link do 4shared)

TRACKLIST

Cardiac Arrest – Teddybears feat. Robyn
Barcelona – Plastiscines
Stitch Me Up – Julian Perretta
Magic – B.O.B. feat. Rivers Cuomo
Ten-Twenty-Ten – Generationals
Get Outta My Way (Penguin Prison Remix) – Kylie Minougue
Rolling In The Deep – Adele
Anna Sun – Walk The Moon
Need You – Travie McCoy
If You Wanna – The Vaccines
Too Fake – Hockey
Barbra Streisand – Duck Sauce
Who Am I To Feel So Free – MEN
Second To None – Phoenix
Groslandic Edit – Of Montreal

Fun Facts

Em alemão existe um negócio chamado trennbare verben, que são verbos cujo prefixo vai pro final da sentença quando são conjugados. Às vezes dois verbos que significam duas coisas completamente diferentes só são distinguidos pelo prefixo. Então você tem que  esperar o outro terminar o que está falando pra poder entender e então responder.

1)Os maiores defeitos que a gente encontra nas pessoas de quem a gente gosta geralmente são reflexos de uma expectativa que nós mesmos criamos para elas e a qual elas não podem atender.

2) Os maiores defeitos que a gente encontra nas pessoas de quem a gente NÃO gosta geralmente são reflexos de uma expectativa que nós criamos para nós mesmos e a qual não podemos atender.

Música tema das epifanias de forma geral: aqui