memória afetiva

a sensação que a gente tem ouvindo uma música qualquer geralmente ta relacionada com o contexto no qual ela apareceu pela primeira vez em nossas vidas ou a lembrança mais forte na qual ela aparece como trilha sonora.
daí que outro dia tava rolando uma discussão no chatline de inbox do facebook sobre mr. brightside e basicamente o argumento era que a música tem uma vibe de angústia, ou pelo menos a letra. e eu, talvez pela minha vocação a ser do avesso, obviamente discordo.
mr. brightside começou a fazer sentido de verdade pra mim por volta de 2006. porque foi só então que a frase “it started out with a kiss, how did it end up like this?” se tornou uma realidade palpável. e mais que isso, era o que eu me perguntava quando parava pra pensar no absurdo que era a situação que eu tava vivendo.
eu podia inventar todas as desculpas que eu quisesse – eu inventava inclusive – mas no fim das contas todos os meus surtos psicóticos eram porque “jealousy, turning saints into the sea, swimming through sick lullabies, choking on your alibis”.
foi só então que eu descobri como era sentir ciúmes. eu sabia que tava fazendo a escolha certa apesar de não ter condições psicológicas pra lidar com o fato de que quem eu tinha deixado pra trás tava tocando a vida. o negócio era de tal forma insuportável pra mim que eu acabei literalmente me arrebentando no chão num dia que resolvi fugir correndo bêbada porque “I just can’t look, it’s killing me and taking control”.
mas a culpa era única e exclusivamente minha, então “but it’s just the price I pay” colocava as coisas em perspectiva, porque quem tinha escolhido era eu.
a música toda colocava as coisas em perspectiva na verdade. e eu acho que isso não se aplica só à minha história, porque ela é sobre as coisas que acontecem dentro da sua cabeça e se transformam num inferno que você é obrigado a viver fora dela porque não consegue parar de pensar. é o preço que você paga por querer tudo, quando tudo é demais por mais que você se convença que tem seu lado bom.
tá, não sei nem se isso faz sentido. talvez no fim das contas eu sinta uma coisa boa, quase uma catarse, toda vez que eu ouço mr. brightside, por causa das lembranças do caralho que eu tenho com ela, de voltar pra casa completamente bêbada, a 200 por hora, com os vidros do carro aberto berrando a música em looping. ainda assim, é uma puta vibe incrível e merecedora de méritos.

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3 Responses to memória afetiva

  1. Tate,

    Texto excelente sem lógica nenhuma, óbvio! Não podia esperar outra coisa! Afinal, vc (com o perdão da palavra) se fode e ainda acha a música legal! :)

    Adoro isso! :D

  2. Mr. Brightside fala com todo mundo, cara. Não conheço uma pessoa que não tenha ouvido esta música e sentido, em algum momento, nostalgia. Não que a pessoa precise, de fato, já tê-la ouvido antes… mas ela passa por onde todo mundo já passou de forma musicalmente brilhante e você acaba associado-a a alguma situação pessoal (só que com aquele fundo épico, que só trilhas possibilitam). Para mim, a lembra tem mesmo um sentimento de angústia e fala de questões que facilmente associo a momentos não-tão-agradáveis da minha vida, assim como os seus. Mas ela é tão, tão genial que você não consegue não sorrir, não se deixar levar, não dançar, não amar esta porra desta faixa.

    Enfim, adorei a análise, os trechos combinados à realidade ou à explicação. Boa, junior! (vamos aproveitar as poucas semanas disto… meu reinado senior está quaaase over… oh, no! hahahahahahaha)

  3. E o clipe também não atrapalha… ;)

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