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O Último Romântico (they say the third time is the charm)

Aí vem minha avó e diz que não pode ouvir Lulu Santos até hoje sem lembrar de mim. Porque quando eu tinha meus 8 anos eu implorava e fazia ela gravar todas as músicas dele em fitas k7.
É, eu gosto de poesia barata. De poesia fácil. De frases rimadas. De xavecos furados. Eu gosto de acreditar que escreveram pra mim. E como ninguém escreve e eu escrevo até pra quem eu não conheço eu me apego à idéia de que certas músicas foram feitas pra mim, nem que sem querer.
Começou porque minha me dizia quando eu era pequena que o Cazuza SÓ PODIA ter escrito “Exagerado” pensando em mim. Depois foi “Faroeste Caboclo” dizendo “nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpião”. E por aí foi, tem músicas que marcaram tanto algumas épocas que eu fico até com um pouco de vertigem de tanto lembrar quando escuto depois de um tempo. Eu até ia listar aqui, mas vai me dar labirintite se eu parar pra pensar demais nisso.
E né, I digress. Não é essa a questão.
Eu mudei todas as minhas senhas (todas, hahaha, era uma só pra tudo). Eu parei de usar a correntinha no pescoço (ugh, preciso de outra ASAP). Tudo pra tornar os próximos dois meses e meio os mais agradáveis possíveis. Desapego, desapego, desapego. Eu queria que alguém escrevesse pra mim.

Tomando o mundo feito coca-cola. Ou tequila, no caso.

Vergonha Alheia Própria

CORRAO

Acho que todo mundo que nasceu na década de 80/início de 90 tem uma dessas capas de revista falsa. Pior são aquelas mães sem vergonha que colocam em porta retrato ou pior, emolduram e colocam na sala – a minha pelo menos teve o bom senso de enfurnar no fundo da gaveta de fotos da minha infância e pré-adolescência, que é um lugar que eu não costumo mexer porque né, a pré adolescência é uma época ingrata pra todo mundo. E por isso eu só descobri essa pérola ontem.
Eu não consigo entender que motivação leva a pessoa a submeter seu filho a isso. Qué dizê, você arrasta a criança até um estúdio fotográfico e paga pra garantir mais um item constrangedor pro futuro dela? Pra mostrar pros amigos em forma de vingança de todas as birras? Porque assim, não é que a criança foi convidada pra ser modelo de nada. E nem que ela tenha vocação pra isso. Sequer vontade. De qualquer lado que eu analise, não faz sentido. Porque não tem ganho pessoal nenhum, fora o prejuízo monetário que implica.  Quantos CRUZEIROS foram desperdiçados nessa empreitada em duas décadas (eu faço questão de ressaltar a moeda corrente da época), eu me pergunto.
Agora, no meu caso específico, acho de um non sense ímpar minha mãe ter resolvido fazer isso bem na época que tinha cortado meu cabelo DESSE JEITO. Porque gente, eu era uma criança bonitinha. Então porque, PORQUE, ela não pelo menos tirou essa foto quando eu não era um moleque com topete de herdeira do Morrisey?

Bonitinha mas ordinária

Wishlist

Lista de coisas que eu quis ser durante a infância:

O Timão ou o Pumba do Rei Leão

A Pequena Sereia

O Gato que Ri da Alice no País das Maravilhas

O macaquinho Abu do Aladin

Um dos gatos de beco do Aristogatas

A fada Primavera da Bela Adormecida

Um ratinho da Cinderela (Tatá)

O Lumière da Bela e a Fera

O Cascão da Turma da Monica

A Atena dos Cavaleiros do Zodíaco

A Emília do Sitio do Pica-Pau Amarelo

Paquita (a Letícia Spiller, no Lua de Cristal)

Entregadora de pizza

Um dos meninos perdidos da Terra do Nunca

Groupie das bandas que meu tio ouviam

Inteligente

Livre

Hippie

Mais velha, pra poder assistir tevê até mais tarde

Desenhista da Disney ou do Mauricio de Souza

A filha favorita

O Pequeno Príncipe

O dragão da Mulan

Um chiclete Ploc. Ou Ping Pong

Uma estrela

Caiçara de Ilhabela

Criança pra sempre

O Balu do Mogli

Guitarrista, só pra  tocar uma Fender vermelha

Namorada de um dos Backstreet Boys (o Kevin, ou o Brian)

A Sininho (ou qualquer outra fada, for that matter)

Uma borboleta laranja e azul

Um unicórnio lilás

Uma super-heroína com super-poderes

Punk, só por causa da anarquia. E dos moicanos.

Uma menina de cabelo rosa-choque (a Gwen Stefani né)

Filha do caseiro do sitio da minha avó, só pra poder morar lá

Um Indiana Jones mulher

Tarzan

Gênio da lâmpada

A Tempestade dos X-Men

O Pica-Pau, principalmente quando ele descia as cataratas

O Chaves, pra morar num barril

A minha prima Renata, pq as paredes do quarto dela tinham letras de musicas e recados escritos

A Penny Lane dos Beatles, antes de descobrir que Penny Lane era uma rua, e não uma pessoa

A Mulher Maravilha

Um Ursinho Carinhoso

Diretora de filmes de cinema

A Maria das Graças de Lua de Cristal

O Dunga da Branca de Neve

A Pocahontas

Uma surfista havaiana

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Importante constar que eu quis ser a maioria dessas coisas AO MESMO TEMPO, por mais incongruentes que elas fossem

Tatiana de Menezes Montenegro, 21 anos de superação no exercício da incoerência.

In Memoriam

Eu não tive computador em casa até novembro do ano passado. Eu na verdade nem gostava muito de computadores até os 18 anos. Pra dar uma noção da minha preguiça tecnológica, até o terceiro colegial eu tinha um toca-fitas. É, isso mesmo. Fitas K7. Todo mundo com um mp3 e eu gravando fitas. Hahahahaha.

Quando eu tinha por volta de 15, 16 anos todo mundo que eu conhecia tinha fotolog e MSN. Eu até tentei fazer um fotolog, que se não me engano existe até hoje. Postei logo assim 3 vezes nele. O problema, alem obviamente de eu não possuir computador, era que eu passava o dia fazendo merda na rua. E eu achava ridículo ficar brincando na internet quando haviam tantas possibilidades no mundo real. MSN então nem se fala. Eu não sabia nem mexer. O meu e-mail do MSN foi criado pela minha melhor amiga logo quando a gente se conheceu, porque ela achava um absurdo alguém ser tão desconectada quanto eu era (e de fato, eu era desconectada. De tudo. Da realidade principalmente).

Ainda assim, eu tive uma pré-adolescência normal nos anos 90. Meu tio comprou um computador pra casa da minha avó quando ele ainda morava lá, e deixou pra ela quando se mudou. E eu tentei desenvolver um relacionamento com ele. Era aquela época de conexão discada. Discador IG, que era de graça, obviamente. O problema é que eu só conseguia mexer nele por volta das 18h, quando eu voltava do clube. Aí esquece, todas as linhas tavam sempre congestionadas e quando FINALMENTE você entrava a conexão durava no mááááximo 10 minutos. E ai se alguém ligasse nesse meio tempo. Era a morte.

Mas eu sou teimosa. Desconectava, eu tentava de novo. Eu TINHA QUE saber como funcionava.

Minha tia criou um ICQ pra mim, porque ela achava bonitinho. Criança na internet não tava na moda naquela época, era simpático e não freak-show que nem hoje em dia. ICQ era coisa de tarado, de verdade. Eu tinha logo assim 10 anos de idade e aparecia um monte de indiano querendo conversar private. Mais ou menos que nem o Orkut é agora. Haha. Eu só usava o ICQ pra falar com meu tio e minha tia. Mas eles só entravam à noite, e à noite eu ia pra casa. Então eu ligava aquilo só pra rejeitar convite de meia dúzia de pedófilos do leste europeu.

Eu só continuava ligando o computador por um motivo: Andrea Casiraghi. Esse mesmo, o principezinho de Mônaco, que eu achava o homem mais lindo e perfeito do mundo.  Ele não aparecia na Capricho, que era minha fonte maior de informações da época, eu não lembro nem como eu descobri a existência dele, mas tinham páginas e mais páginas de internet com fotos dele. Páginas do Geocities.

Geocities era o meu maior vicio e minha maior alegria. Apesar do layout NOJENTO e ilegível de 99,5% das páginas, era através de páginas do Geocities que eu tinha acesso  à fotos, biografia e curiosidades sobre cada um dos meus futuros-maridos da época – Andrea Casiraghi, Kevin Richardson, Taylor Hanson…

Mas não era nem isso o mais legal. O mais legal é que na internet eu podia ser nerd o quanto eu quisesse e ninguém ia me julgar. Claro, porque construir altares de idolatria para boybands era socialmente aceitável, mas deus me livre ficar lendo sobre técnicas de desenho e animação, cultura grunge, ou qualquer coisa não-imbecilizante. E eu gostava dessas coisas. Eu abria o Netscape (saudoso Netscape), dava uma olhada no que tinha de novo sobre o meu homem dos sonhos da semana (o que não era muito, atualizar era luxo) e passava para aquilo que REALMENTE me interessava: desenhos animados. E nenhuma Lívia,  Mariana ou Raquel (lembro até hoje o nome de cada uma das vadias que arruinaram o início da minha puberdade. Mas não guardo um pingo de rancor daquelas filhasduma puta) ia fazer gracinha a respeito.

Esse processo todo durava, no máximo, meia-hora. Internet era caro e ocupava a linha, então a gente tinha tempo restrito.

Depois de um tempo minha irmã e minha mãe, com toda sutileza OGRA e habilidade tecnológica, quebraram o monitor. E o que já não era lá essas maravilhas simplesmente parou de funcionar. Eu só fui aprender a usufruir de um computador quando comecei a trabalhar, aos 16 anos. Um iMac. Daqueles coloridos. Verde. Fez com que eu nunca mais fosse capaz de tolerar um PC na minha vida. Mas isso não vem ao caso.

O que importa é que ontem, dia 26 de Outubro de 2009, o Geocities foi extinto. Isso despertou sentimentos nostálgicos na minha alma nerd.

Tudo bem, darwinismo. O neandertal da programação HTML em algum momento teria que sucumbir. Mas dói um pouco, dá um aperto no peito. Porque antes de tudo, antes de eu saber o que era vodka, o que era tequila, o que era putaria generalizada, antes de eu saber o que era a Augusta…. Antes de eu ser apelidade de Crisitane F., antes mesmo de eu SABER quem era Cristiane F… Antes de tudo, havia o Geocities.

Minha inocência perdida, parte MXVII

R.I.P. Geocities.

mjcoffinx

O porquê das coisas que são (ou não, ou quase)

Estou fazendo esse blog por três motivos:

1. Eu sou doente mental, e não consigo ficar sem blog.
2. Eu tenho problemas mesmo, com todos os itens citados acima.
3. São 21h15 de sábado, eu estou esperando a Gabi dar o ar da graça bebendo sozinha em casa e ouvindo “All That She Wants” do Ace of Base.

A real é a seguinte:
Eu não recomendo NADA do que faço a ninguém. Eu só me fodo.
Ninguém vai tirar nada minimamente construtivo daqui. Eu nunca aprendo lição nenhuma, então ninguém aprenderá comigo.
Não necessariamente eu vou relatar tudo sobre minhas cagadas meus dias. Até porque as minhas amigas tequila e vodka nem sempre permitem que eu lembre tudo. A idéia daqui é… Bom, na verdade não tem um idéia. Isso aqui não tem propósito nenhum. Eu tava bebendo e fumando ali na janela e achei que ia ser engraçado.
Deal with that.