Eu sempre achei impossível alguém se apaixonar por mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Achava pura falta de vergonha na cara falar uma coisa dessas.
Só que aí eu me apaixonei por 10 pessoas de uma vez.
E não que não envolvesse uma grande dose de falta de vergonha na cara. Mas era real. E era recíproco.
É real. É recíproco.
E justo eu, que já tinha me convencido ao longo desses 22 anos que nenhuma felicidade excessiva saía impune, sem acarretar em perturbações igualmente excessivas, descobri que estava errada. É justamente o contrário.
Não que elas não existam, as perturbações. Elas são inevitáveis. Mas todos os problemas e aflições se dissolvem no momento em que você se sente seguro com alguém. Quando você encontra alguém, ou alguéns, que fazem todo o resto ser tão desimportante que some. E amor é isso, certo?
Mas sejamos objetivos: Dia dos Namorados.
Todo mundo sabe que eu nunca namorei, né? Mas não contente com isso, todos os meus dias 12/06 foram gigantescos fracassos. 2009 eu tava fazendo cagada. 2008 não existiu, pq eu tava chegando em NY dia 12 e tinha mais com o que me preocupar, e como lá não é dia dos namorados acabei esquecendo da data. 2007 eu provavelmente tava em alguma sarjeta por aí me consumindo em auto-piedade. E antes disso eu não lembro, mas nunca foi muito melhor que isso.
Mas o meu dia dos namorados de 2010 começou no carnaval. Na quarta de cinzas pra ser mais precisa, quando tudo que eu queria desmoronou e eu tive que redirecionar toda a minha vida e os meus planos. 2 meses depois eu já tava completamente adaptada – e nem teria como ser diferente: num mundo onde tudo era possível, não tinha como eu não me encaixar.
Eu até falei aqui em algum momento, era a melhor fase da minha vida. Eu finalmente tava vivendo sem nenhuma neurose.
Aí passaram mais dois meses. No último porém, tudo aquilo que até então era puro hedonismo calculado, o equilíbrio perfeito entre bizarrice e tranquilidade, começou a tomar um outro rumo. Aquilo que era estável simplesmente desmanchou, e nas duas últimas semanas, como se a gente vivesse num seriado que precisasse de cliff hangers pra próxima temporada, o caos tomou conta de tudo. Até eu que tava quietinha no meu canto comecei a perceber que alguma coisa grande tava prestes a acontecer. Mas a gente não ia deixar nada disso estragar o dia mais romântico do ano. A gente não deixa estragar nem os fins de semana normais, que diria esse.
Então a gente deu uma pausa pro feriado. Cada um prum canto, só pra todo mundo ter certeza que era perda de tempo e que estávamos todos ótimos e prontos pro que viesse depois.
Corta a cena pra sexta-feira, dia 11. Ansiedade é a única palavra que eu consigo encontrar pra definir o sentimento generalizado. Claro que cada um tinha um motivo muito específico alimentando esse sentimento, mas acima de qualquer fogo no rabo pessoal e intransferível, a expectativa geral era de finalmente passar um dia 12 que com certeza não seria em vão. Porque relacionamentos podem acabar de um dia pro outro, mas não esse. Esse a gente ia poder guardar pra sempre.
E eu não vou entrar no mérito de todos os eventos de sexta pq não cabe aqui. Detalhes sempre são totalmente desnecessários. O que importa é que sábado toda a ansiedade tava infinitamente potencializada até pra mim, que tava jogada na cama tremendo de frio e passando mal o dia inteiro.
Mas não dava pra imaginar que ia ser tão perfeito quanto acabou sendo. A lasanha que eu ia fazer não rolou, porque tava cada um trancado num quarto terminando seus presentes. O Glória tava a síntese de freak show e eu dormi grande parte da balada. Mas aquele momento em que a gente começou a revelar quem eram nossos respectivos namorados (as) secretos e trocar presentes que a gente tinha feito, mesmo com toda essa noção de artesanato que, bem, no meu caso se limitava a fazer cocôs fakes pra sacanear inocentes, aquele momento foi… Eu diria life changing, mas a real é que a nossa vida não mudou ali. A gente só confirmou o que todo mundo já tinha certeza: nenhum relacionamento, de nenhum de nós, foi tão feliz.
E eu poderia falar de domingo também, porque a gente continuou junto e continuou sendo incrível. Mas só quem tava lá poderia entender o que eu estaria querendo dizer com isso, então nem vale a pena.
Resumindo: tem muita coisa que eu não tenho nem idéia de como vai ser daqui em diante, em tantos aspectos que eu podia escrever uma tese de doutorado sobre tudo que tá dando um nó na minha cabeça ultimamente. Mas eu posso me dar ao luxo de afirmar categoricamente que pelo menos de uma coisa eu tenho certeza: eu tenhos os melhores namorados e namoradas que alguém poderia desejar. E isso ninguém tira de mim.

31 crew, I LOVE YOU
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