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holocene

segunda-feira nunca foi tão segunda-feira.
é feriado mas eu tô de plantão no trabalho.
não pára de chover há dias e chove muito, então basta pisar na rua pra ficar encharcada.
daí bate esse vento gelado e a roupa gruda na pele e fica tudo frio e molhado.
meu discman parou de funcionar assim que eu saí de casa.
o café daqui é horrível mas é o único jeito de ficar acordada.
e eu descobri que não tenho dinheiro pro ônibus de volta.
até já fechei todas as persianas pra não ver o mundo lá fora.
em dias assim o único jeito de não surtar é mentalizando:
“daqui um mês, daqui um mês, daqui um mês.”
porque agora tá bem difícil, parece até castigo.
mas daqui a pouco vai ser tudo muito lindo.

A Segunda Revolução das Cordas

Aí você aprende na escola que existem o tempo e o espaço. Entre eles existem coisas muito difíceis que você não tem idade nem motivo para aprender, a não ser que queira se especializar nos mistérios desse negócio imenso e em constante expansão que é o universo. E você não quer se especializar nisso. Não tem o menor interesse em nada que precise de um microscópio ou telescópio para ver, afinal tem tanta coisa pra pegar e enxergar por aí que seria um desperdício de vida ocupar-se de algo além do que está bem ali na sua frente.
Só que você cresce e descobre que aquelas coisas muito difíceis que você não tinha motivo para entender são justamente aquelas que te atormentam e que você PRECISA alcançar.
Não porque você ligue muito pro universo e pros planetas. Bom, algumas pessoas se importam. Mas a grande maioria precisa dessas explicações por motivos muito mais egoístas, muito menores. Precisa para entender a si mesmo.
Mas o universo continua sendo grande demais, mesmo que você já não tenha seus 14 anos faz tempo. É uma coisa tão imensa e intangível que não dá pra visualizar. Então talvez a melhor forma de absorver o conceito de infinito seja diminuindo ele, transformando tudo que existe em, digamos, eu e você.
Eu e você. Quase nada, e absolutamente tudo que se pode conceber – pelo menos por enquanto.
Imagine que durante anos cientistas tentaram dar sentido ao mecanismo de cada coisa, e o funcionamento das engrenagens da vida.
O que eles descobriram foi que tempo e espaço são apenas 4 das 11 dimensões pelas quais o universo flui, e que todas as outras definem as características e particularidades de toda a vida. Então pouco importa se tivemos um mês, e nesse mês o espaço entre nós sempre exigiu deslocamentos de ambas as partes. Porque essas outras dimensões transcendem isso ao definir todas as características que nos unem e, numa instância ainda mais ampla, definem quem somos.
Mas logo eles encontraram um problema. Nas dimensões de espaço ocorriam turbulências que desorganizavam os caminhos de qualquer raciocínio. Como a despedida que sempre nos foi inevitável e a distância que ela implicava.
Só que até aí, isso era apenas um empecilho que talvez fosse contornável, ao qual talvez se pudesse adaptar. Até aí, a gente podia simplesmente aproveitar a companhia uma da outra e depois abrir mão. Mas a compreensão de tudo se tornou realmente impossível quando um campo gravitacional tornou o espaço tão denso que despedaçou toda a lógica. Quando eu comecei a sonhar repetidamente com você e esses sonhos se tornaram sufocantes e insuportáveis porque desmanchavam tudo que até então eu entendia por envolvimento.
Isso porque até então eu entendia aquilo que tinham me ensinado. E a escola dos relacionamentos consegue ser ainda mais estúpida que a normal.
Foi só depois que você foi embora que eu entendi que é tudo energia. Que é quando a energia vibra que ela se torna matéria. Que tudo depende de como a energia oscila as cordas.
As cordas… Não as cordas que suspendem nossos braços como se fossemos marionetes. As cordas são a gente. São pura energia na verdade. Elas vêm aos pares, como as pessoas. Depois dividem-se, devido às turbulências, às circunstâncias. Mas então elas voltam a se unir e se tornam uma só, por causa dessa até então inexplicável supergravidade, desse campo entre elas.
A resposta para todos esses problemas existia. E era uma só.
A Teoria M.
Tudo que até então se descobrira eram apenas fragmentos dessa explicação mais ampla de absolutamente tudo. Cada conflito podia ser justificado através dela, e o impensável era possível. Não por causa de centenas de equações inconcíliaveis como todas as pessoas que passaram pela minha vida antes e deram errado, e sim por causa de supersimetrias que surgiam frequentemente – mixtapes, bandas, filmes e interesses aleatórios que se cruzavam.
Todas as pequenas fissuras e falhas nas teorias – nas minhas de vida, nas dos cientistas – convergiam para um ponto só. Um plano onde tudo fazia sentido…
E então não havia mais necessidade de pesquisar, de procurar. Bom, falo por mim, não pelos cientistas. Eu não preciso entender mais do que isso. Eu não tenho idade, nem motivo.
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Tô indo para Alemanha estudar física quântica, vejo vocês mês que vem.

JURO que essa foto tem tudo a ver com o resto do post. Mas não vou explicar.

Instituição Sagrada

Não é segredo pra ninguém que eu amo casamentos né?

Quer me ver feliz é ver o convitinho chegando – quer me ver sofrendo é acessar a lista de presentes, mas isso não vem ao caso né.

E como eu acabei de confirmar a presença no 1º casamento de AMIGA minha, resolvi refletir sobre o tema.

Eu gosto de casamentos porque eu gosto de finais felizes. E a Disney construiu meu caráter de forma a encarar casamentos como tal. Hollywood e os filmes água com açúcar que eu sempre assisti com mamãe (toda uma obsessão pela Julia Roberts, só EU sei quantas vezes assisti Uma Linda Mulher) também reforçaram bastante essa visão completamente distorcida das coisas.

Mas a real é que nem é isso que me faz gostar de casamentos. É na verdade um momento só, que não dura quase nada, que causa esse fascínio infinito em mim.

Seja lá de quem for o casamento, onde for, whatever, eu sempre faço questão de sentar na cadeira do lado do corredor por onde a noiva passa. Porque quando ela passa, você vê o olhar dela indo em direção ao altar. E é justamente esse olhar que faz valer tudo. As horas de salto e postura esperando a noiva que sempre atrasa – sério gente, porque isso é tradição? -, os padrinhos que ficarão te assediando quando ficarem bêbados mais tarde, etc.

É como se nada pudesse dar errado. Você vê absolutamente tudo passando pela cabeça dela quando esse olhar encontra o de quem a espera. É um misto de ansiedade e convicção de quem acredita muito em alguma coisa – ou alguém né – que não tem nenhuma espécie de garantia. A garantia é justamente o olhar de volta, que tem as mesmas dúvidas e aflições suprimidas pela mesma certeza de que aquele momento, pífio perto da promessa de uma vida inteira que logo será feita, vale a pena.

E vale a pena. Enquanto dura, sempre vale.

Olha, eu só sei que eu sempre acabo chorando em casamentos. CÊS ME DESCULPEM VIU, DEBAIXO DAQUELA TRUCKER RURAL HABITA UMA BICHONA.

Aí tem a festa né. Música flashback, gente bem vestida perdendo a compostura e… OPEN BAR.

Se eu não gostasse de nada em casamentos, essas duas palavras fariam com que eu mudasse de opinião anyway.

Sábado eu fui num casamento em fucking Vinhedo. Foi lindo, a história do casal era linda, o lugar era lindo, a organização do evento toda foi impecável, diria até que foi o melhor casamento que eu já fui até hoje.

Mas lindo mesmo era o suprimento de etanol: garçons serviam Jack Daniels na mesa, e o bar tinha saquê, vodka, rum, todas as frutas e drinks do mundo.

Bom, na verdade eu fiz toda essa dissertação pra dizer que lá tinha a melhor. lembrancinha. ever. Digo, eu sou uma estelionatária de bem-casados, nunca nem reparo no resto, mas essa ganhou o troféu.

Pessoas que vão casar, WATCH AND LEARN.

Você casa uma médica e um publicitário e tem o que? Um lindo kit contendo Engov, Dipirona e Plasil.

Qué dizê, eu sei que TECNICAMENTE FALANDO 90% das pessoas que eu conheço não vão casar. Mas se eu não te conheço e você tá lendo isso e resolver se apropriar da idéia, por favor me convide para a celebração das suas BODAS.

BEYJOS.

Soundtrack to this post here

Eu não sabia o que era amor de verdade. Aí eu te conheci. Eu conheci o amor verdadeiro nos confins de Araxá, quem diria…

E sim, eu sei que eu vivo me apaixonando a torto e a direito, mas dessa vez foi diferente.

Eu aprendi a amar incondicionalmente, a tolerar tudo, a sentir ciúmes, todas as coisas lindas e doloridas que um sentimento desse tamanho proporciona.

E agora to aqui, de coração partido por causa da saudade, mas ainda assim me sinto a pessoa mais sortuda do mundo, por ter te encontrado e vivido esses momentos maravilhosos.

Um dia quem sabe a gente se encontra de novo, não é, e vive tudo aquilo que ficou faltando fazer.

Por enquanto fica aqui a declaração mais sincera que eu já fiz:

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Eu sinto falta da sua lerdeza, da sua carência – ou preguiça de ficar de pé e andar, nunca tive certeza.

Eu sinto falta da sua remela de manhã. De pegar você no colo e limpar seus olhos.

Eu ainda tenho as marcas espalhadas pelo corpo. As marcas que você deixou.

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As marcas das suas pulgas.

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Amar É….

Our Song:

A primeira vez que eu falei dele aqui foi há 6 meses atrás, mas tudo começou na páscoa passada, com uma dança sensual numa mesa de sinuca.


Mas na volta pra São Paulo cada um continuou pro seu lado, eu me afundando em confusões como quem se debate na areia movediça, afundando cada vez mais rápido, até chegar Janeiro e eu decidir que esse seria o melhor ano da minha vida.
O plano funcionou, mas não foi imediato assim, de virar o ano e tudo se virar a meu favor. Na verdade, começou a dar certo com uma despedida que serviu de reencontro. Entre aventuras no playground, Megazords, muita chuva e incontrolável sensualidade, eu descobri nele exatamente tudo que eu precisava.


Só que eu ainda tinha coisas a resolver pra poder levar minha vida adiante. Então nós combinamos que o meu prazo era até o carnaval. Nós dois não tínhamos nenhuma dúvida de como as minhas pendências se resolveriam, mas eu tinha que tentar e ele sabia disso, então me apoiou.
Na quarta-feira de cinzas foi quando eu zerei minha vida. Eu me entreguei por completo nas mãos dele, porque eu não sabia mais o que fazer ou como ser dali em diante pra reverter o ciclo de fracassos emocionais que pareciam inevitáveis.
Ele me levou pro mundo dele, me deu ombro pra chorar quando eu precisava desabafar, vodka e balada quando eu precisava parar de sofrer gratuitamente. Ele me deu tudo que eu precisava, quando eu não tinha nada para oferecer em troca.


Ele me ensinou a “estar lá”. A “fazer parte”. A dividir, a trocar, a não tratar as coisas como se fossem exclusivamente culpa minha. Nem dos outros. Ele me ensinou a ter responsabilidade com os outros e comigo.
Ele se tornou o meu melhor parâmetro do fluxo natural que as coisas devem seguir no que diz respeito à relacionamentos. As pessoas vêm e vão, e dos detalhes a gente esquece, mas não dos sentimentos que cada evento despertou. As coisas acontecem no seu tempo certo, mas a gente pode se dar ao luxo de ter pressa e cobrar do mundo quando ele nos deve mais do que está oferecendo, desde que também saiba a hora de ter calma, a hora de se distrair com aquilo que temos enquanto aquilo que queremos não chega.


Ele foi meu namorado secreto no dia dos namorados do 31. Foi minha companhia de Big Brother. Foi com quem eu acordei nas minha maiores ressacas. Foi quem me disse pra apelar e fazer tudo que eu quisesse à noite pra na manhã seguinte me dizer que tudo ia dar certo – porque sempre que eu faço tudo que me dá vontade eu faço merda.

Ele me deu liberdade. Me deu uma nova perspectiva. Me deu os melhores dias e abraços e todas as palavras que eu precisava escutar – mesmo que essas fossem um tapa na minha cara, porque às vezes eu preciso apanhar pra acordar de volta pra vida. Ele me deu um empurrão pra recomeçar de um jeito melhor do que eu achava que sequer merecia, e mostrou que eu podia merecer mais, se prestasse mais atenção.
Ele me fez prestar atenção.

E hoje é aniversário dele. E a gente vai passar o feriado juntos. E eu não podia pensar em nenhum outro jeito que eu gostaria de passar meu feriado. Nem o resto da minha vida.
Parabéns, meu amor!

EU TE AMO.

Sartre

Goetz: Acontece, porém, que a felicidade é apenas um meio. Que pretendeis fazer depois?
A Mulher: Felicidade? Mas seria preciso primeiro que a gente tivesse.
Goetz: Ides tê-la, não duvideis. Mas que uso fareis dela?
A Mulher: Ainda não pensamos. Nem mesmo sabemos o que é.

Pois é, pois é, pois é. A gente pede pelas coisas, quase implora, depois não sabe direito o que fazer com elas.
Porque, e reside aí a grande tolice humana, a gente até pode se iludir achando que sabe o que esperar das coisas fantásticas que deseja. Mas na real a gente não tem a menor idéia do que fazer com elas depois que elas passam a de fato fazer parte da nossa vida.
E não se trata de futilidade, não dessa vez. Não to falando daquele tipo de coisa que a gente consegue depois de muito querer e automaticamente cansa.  Disso eu entendo bem, podia até escrever um tratado sobre como se enjoa daquilo que mais se quis.
É fácil. Você de tanto querer cria expectativas inatingíveis para o objeto do seu desejo, e quando o alcança fica profundamente decepcionado por não vê-las atendidas.
Mas é de outro tipo de coisa que eu to falando. Um tipo de coisa que eu não entendo, diga-se de passagem.
Aquelas vontades nada práticas, muito mais do que ambições. Como a felicidade, por exemplo. Você não pode esperar nada da felicidade, porque não tem como saber o que ela pode te trazer. E mesmo sem saber você precisa dela, desesperadamente. E quando consegue um pouquinho, quer mais e mais e mais e continua sempre querendo.
O problema é que você nunca vai conseguir tudo que a felicidade pode te oferecer. Porque você não vai aguentar, se conseguir.
Você vai se perder de você se der de cara com a felicidade, simples assim.
Porque ela nunca vem sozinha. Ela se divide em três, três verbos, e você só vai conseguir respirar enquanto conhecer as duas primeiras. Depois da terceira você vai aprender que felicidade demais tira um pedaço de você e não devolve.
São os verbos: “ser”, “estar”, “pertencer’.
Porque a primeira felicidade que a gente pode conhecer é aquela de ser quem se é. Dá trabalho, mas é a mais natural. Você não precisa pedir por ela, um dia ela vem naturalmente.
Mas não basta saber ser. Depois disso você tem que aprender a aproveitar o lugar onde está. E isso exige muito esforço, porque eu não falo simplesmente de lugar físico, eu falo do ponto da vida em que você se encontra.
“Não precisa se preocupar”, diz a felicidade de ser, “pouco importa de onde se veio nem pra onde se vai, você já sabe como ir porque já sabe quem é”.
Então você acredita nisso e de fato, pouco tempo depois começa a perceber os traços da felicidade de estar se aproximando. Logo ela chega, e parece que tudo finalmente se encaixou e que nada mais é necessário além dessas felicidades, que lhe cabem tão bem que você pode carregá-las uma em cada ombro sem nem sentir o peso delas.
Só que isso não dura muito. Elas começam a sussurar no seu ouvido que falta uma outra, e você finge que não escuta porque não acha que isso seja possível. Mas elas insistem, e dizem que cabe mais um pouco, e pedem pra você deixar ela fazer parte da brincadeira.
Você acaba deixando, claro, e o que elas te trazem é o terceiro verbo, o “pertencer”.
Pertencer parece apenas mais uma felicidade inocente à princípio. É de tamanha delicadeza que você dá dez mil vezes mais atenção à ela que às duas anteriores.
Até você percebe que não lembra como era a vida antes de tomar esse cuidado todo com algo. Percebe que essa felicidade exige de você um negócio que você desconhece por completo: responsabilidade.
Porque antes eram os verbos no seus ombros que tomavam conta de você, agora é você quem precisa se vigiar, porque esse terceiro é tão frágil que precisa ficar num lugar mais protegido que os ombros. Dentro de você. Primeiro no peito, depois por todo o corpo, e você se pergunta como um negócio tão delicado se espalhou tanto e é tão pesado assim a ponto de não te deixar inalar todo o ar que você precisa.
E aí entra o grande truque da felicidade de pertencer. Você não espera nada daquilo, então exige tudo de si mesmo, o que nunca é suficiente, pois tudo que você poderia dar está sendo consumido.
A felicidade é egoísta quando se pertence à alguém. Não se trata da necessidade da posse ser recíproca, o que mata é a agonia de não sentir-se possuído o tempo todo.
Acho que é isso…

Catarina: Então é assim, meu pequeno: o que te pertence é o que tomas?
Goetz: Somente
Catarina: Então, além de tua mansão e de teus domínios, possuis um outro tesouro inestimável, do qual nem mesmo pareces te aperceber.
Goetz: Que tesouro?
Catarina: Eu, querido. Eu. Não me tomaste à força? Que pretendes fazer de mim? Decide.

And when she wakes up and makes up her mind…

Eu não durmo bem. Nunca dormi. De acordo com a minha mãe, eu não dormi at all nos três primeiros meses de vida, e esse comportamento se manteve ao longo de toda minha infância. Ela vinha apagar a luz do quarto por volta das 20h. Eu ficava uns 15 minutos olhando pro escuro, depois levantava e, com todo cuidado do mundo – o que, pra uma pessoa desastrada como eu, exige um esforço que vocês nem imaginam -, dava passos cujo som por sorte era abafado pelo carpete até a beira da escada e ficava lá ouvindo o que quer que fosse que passava na tv ligada no andar de baixo. Isso já faz muito tempo, eu ainda morava numa casa, meus pais ainda eram casados…
Mas não importa há quanto tempo foi. A questão é que esse acabou virando um dos melhores exercícios de criatividade que eu já tive acesso. Tem muito filme que eu nunca vi, mas imaginei todinho, só pelo som. Ou seja, ao invés de sonhar, eu me ocupava criando imagens e completando os diálogos que não ouvia inteiros.
Acontece que até hoje eu sofro com essa insônia crônica. Eu durmo uma média de 4h por dia, quando muito. Uma série de variáveis interfere nisso. Às vezes me ligam pra falar de trabalho a madrugada toda (vamos dispensar as piadas derivadas da óbvia interpretação maliciosa que essa declaração implica). Às vezes eu tenho crises alérgicas de proporções homéricas que tornam impossível o ato de dormir. Muitas vezes eu esqueço que sou uma cidadã responsável que tem que acordar cedo no dia seguinte e saio no meio da semana. E ultimamente meu celular tem tido uma grande influência nisso também, porque vou te contar que esse negócio de fuso-horário não é fácil não. Mas bah, quero enganar quem, eu sempre ignorei meu celular. Se hoje eu acordo com ele seja lá a hora que for é porque… Não, pera, depois eu explico o porque. No fim das contas, o grande lance é que eu não consigo desligar meu cérebro, mesmo quando nenhuma dessas coisas acontece.
A diferença entre hoje e quando eu era criança – fora que eu cresci uns bons 30 centímetros e perdi uns 10 kg (óbvio que eu não ia perder a oportunidade de inserir um comentário tosco e desnecessário) – é que hoje em dia eu tenho uma tv no meu quarto, e não tenho um horário pra dormir. Mas, talvez por força do hábito, eu ignoro esses dados e passo grande parte da noite ouvindo meu iPod e olhando pra parede. A música serve como uma trilha sonora que me ajuda a desenvolver uma história qualquer, que eu escrevo só na minha cabeça e fico ajustando as cenas até que eu eventualmente durma – aí o subconsciente se encarrega de levar a história adiante. Às vezes leva por um caminho totalmente oposto do que eu havia planejado, mas acho que a beleza das melhores histórias consiste justamente no fato delas tomarem vida própria, e se sobreporem às vontades do autor.
Aí quando eu acordo eu tento lembrar meu sonho e reconstruir a história completa. Enquanto eu tomo meu café e fumo meu cigarro eu passo a limpo os resíduos que minha memória preservou, e durante o banho eu seleciono as melhores partes, como se guardasse num compartimento qualquer pra poder retomar à noite.
Claro que até a noite eu já esqueci tudo e tenho que começar do zero. Mas a vantagem disso é que pelo menos assim meu cérebro não fica viciado. É essa constante renovação que torna válido o exercício criativo.
Ou era.
Porque de uns tempos pra cá, meus sonhos – e as histórias que os precedem  – têm sido bem repetitivos. Todos giram em torno de um mesmo tema. E aqui cabe explicar o porque de eu não ignorar mais meu celular quando ele toca no meio da madrugada: as mensagens que eu recebo nesses horários absurdos são o combustível de todos os meus enredos. Eu já sonharia com ela de qualquer jeito, mas o fato dela acordar bem na hora que eu conseguiria dormir e me mandar um “bom dia” quando ainda faltam pelo menos 3 horas pro sol nascer torna impossível minha linha de raciocínio desviar dela. E isso poderia ser uma coisa muito ruim, porque como eu acabei de falar, o exercício só se torna válido a partir do momento em que os temas são ilimitados e sempre uma surpresa. E realmente carrega em si algo negativo, porque eu vivo de criatividade e eu tenho sido exaustivamente repetitiva em toda minha produção desde então. Mas isso não quer dizer que chegue a ser uma coisa ruim. Muito pelo contrário. O que eu perdi em quantidade, ganhei em qualidade. Consistência é uma coisa muito rara para quem tem DDA, e conseguir se concentrar em algo – ou alguém, no caso – é algo inédito pra mim. Nem no auge das minhas obsessões românticas eu consegui manter o foco, e agora eu não consigo perdê-lo. Nunca. Nem nos estados mais alterados da mente eu me disperso mais.
Aí as pequenas fantasias e ensaios de contos se tornaram insuficientes. A situação se tornou incômoda, porque contamina todo o meu dia, interfere no meu trabalho, atrapalha a organização caótica que é a estrutura de tudo que eu faço. There’s method in madness, já diria Shakespeare, então eu perdi a base do meu modus operandi no momento em que tudo convergia para um mesmo ponto.
Por isso a situação se tornou insustentável. E eu comecei a me consumir buscando saídas. Só encontrei uma.
Sabe aquela minha tatuagem que diz “dream is destiny”? Então, como alguns de vocês devem saber (ou não né), é uma frase de um filme – Waking Life -, que basicamente trata dessa zona indefinida entre sonho e realidade que eu acabei de descrever aqui e na qual eu tenho vivido. Bom, tem uma outra frase desse filme que diz o seguinte:

“The trick is to combine your waking rational abilities with the infinite possibilities of your dreams… cause if you can do that, you can do anything”

Então, long story short (bom, não tão short assim), daqui um mês e alguns dias eu vou pegar um avião e provar que isso é verdade.
See you there.

11th Dimension

Agora é a hora que eu tenho vergonha de fingir que escrevo.
Eu passei o dia todo tentando elaborar um texto que não soasse estúpido, piegas, banal. Acabei desperdiçando as horas num estado de estupefação que consistia apenas em deixar cigarros se queimarem sozinhos enquanto eu mexia no meu cabelo, enrolando os fios com os dedos.
É assim que eu estou. Babaca. Ou talvez com muito sono, já não dá mais pra distinguir. O fato é que eu sempre tive uma facilidade absurda em me expressar, principalmente no que dizia respeito à fazer declarações através de gambiarras com rimas e figuras de linguagem tão engenhosamente encaixadas que ficavam com ares de poesia.  Eu nunca tive aquilo que se costuma chamar de “talento”, mas eu sempre soube enganar muito bem. E agora tô aqui, enrolando as palavras e os cabelos, numa tentativa patética de disfarçar essa minha incapacidade e me entregando mais a cada letra.
Era fácil, eu juro.
Eu jogava toda as minhas vontades num liquidificador do meu coração, que se encarregava de pasteurizá-las. O meu cérebro apenas alinhava o produto final, como se colocasse numa forma, e voilà, um texto bonito. A coisa toda fluía com muita naturalidade, mesmo que eu estivesse há dias sem dormir, vendo tudo embaçado e falando coisas sem sentido. Na hora de escrever tudo ficava nítido, rápido, lúcido.
Talvez fosse porque eu sempre tive esse bloqueio absurdo em falar as coisas que eu sentia. A única válvula de escape era escrever, e tinha tanta coisa espremida dentro de mim que chegava num ponto insuportável, de não caber mais, tinha que sair. Não tinha como errar então.
Aí veio você e me desarmou. Você, que logo no primeiro dia bateu um recorde e transformou isso num hábito, brincando com os ponteiros de forma a fazer com que o tempo do seu lado parecesse uma eternidade que passou rápido demais.
E agora eu to aqui, perdida nesse nó de palavras e horas, desperdiçando tanto minutos quanto metáforas de um jeito tão tosco que é quase inocente, só porque eu não sei mais não me entregar no que diz respeito à você.
Desculpa, eu sei que você merece mais que isso, mas eu já não consigo. Eu tô exausta, e nem é por causa dessa privação de sono que eu me imponho dia após dia desde que você foi embora. É porque toda minha energia eu gasto pensando em como vai ser quando você voltar, e não sobra mais nada – só o suficiente pra pensar em mais possibilidades ainda, porque disso eu não canso.

It’s all about the ON-GOING WOW

- You a dreamer?

- Yeah.

- Haven’t seen too many around lately. Things have been tough lately for dreamers. They say dreaming’s dead, that no one does it anymore. It’s not dead, it’s just been forgotten. Removed from our language. No one teaches it so no one knows it exists. The dreamer is banished to obscurity. Well I’m trying to change all that, and I hope you are too. By dreaming every day. Dreaming with our hands and dreaming with our minds. Our planet is facing the greatest problems it’s ever faced. Ever. So whatever you do, don’t be bored. This is absolutely the most exciting time we could have possibly hoped to be alive. And things are just starting.

;)

Rome or the art of defying gravity

(esse post é inglês porque ele só funciona assim.)

Pra ler ouvindo isso aqui

I tend to fall. I fall all the time, actually. We’re talking here about such a lack of natural balance that I don’t even need alcohol in my system in order to take huge and unexplainable falls.
Obviously alcohol always helps, making everytime I fall seem even worse. But you can’t take seriously what happens when your drunk if it’s during your time sober that it happens faster and you realize the size of the bruises and how much they hurt.
Now, I’m that reckless kind of person that takes bigger steps than her legs are able to handle. Add that to the fact I have a jackass spirit that attracts me to the impossible until I feel I’m pushing every limit and you can imagine the kind of fucked up falls I’m talking about. I could take pictures of the scars I carry to explain it better, but the ones that remain are too little compared to the great ones that already disappeared.
The fall itself is never that bad. Danger is always overwhelmed by the rush that takes over when you reach the point of no return. It’s not even hitting the ground that sucks, cause the adrenaline is still all there and you’re having too much fun to even notice the blood. It’s only after a while that you’re able to realize that what seemed to be a tiny cut might become a major injury.
I’ve fallen over and over. In different places, all over the world, hurting every single part of my body. I’ve broken my arms, my legs, I even cut my head open. I became such a master in the art of falling that physiotherapists threw me a birthday party once, and the nurses of every place I worked waited for me to show up, knowing that I’d end up there at some point of the day.
Still, every fall manages to amaze me. Be it dancing or simply tripping on my own feet, I’m always surprised.
Right now I’m at that part when you feel concrete slicing your skin open and say “oh fuck… Oh wait, I can still stand up, nevermind”. You know, like when you’re riding a skateboard downhill, try to make a turn at the bottom, fail and get thrown into the air. The impossible speed and sudden change of direction awake all of your senses just to numb them all the next second, so you can’t tell exactly how it is that you’re hitting your back and your knees all at once when they’re in opposit sides of your body. You feel like you’re still able to keep riding, but as you get back on your feet you begin to wonder how bad will it look once  this is all over.

Feeling Good

Eu sempre achei impossível alguém se apaixonar por mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Achava pura falta de vergonha na cara falar uma coisa dessas.

Só que aí eu me apaixonei por 10 pessoas de uma vez.

E não que não envolvesse uma grande dose de falta de vergonha na cara. Mas era real. E era recíproco.

É real. É recíproco.

E justo eu, que já tinha me convencido ao longo desses 22 anos que nenhuma felicidade excessiva saía impune, sem acarretar em perturbações igualmente excessivas, descobri que estava errada. É justamente o contrário.

Não que elas não existam, as perturbações. Elas são inevitáveis. Mas todos os problemas e aflições se dissolvem no momento em que você se sente seguro com alguém. Quando você encontra alguém, ou alguéns, que fazem todo o resto ser tão desimportante que some. E amor é isso, certo?

Mas sejamos objetivos: Dia dos Namorados.

Todo mundo sabe que eu nunca namorei, né? Mas não contente com isso, todos os meus dias 12/06 foram gigantescos fracassos. 2009 eu tava fazendo cagada. 2008 não existiu, pq eu tava chegando em NY dia 12 e tinha mais com o que me preocupar, e como lá não é dia dos namorados acabei esquecendo da data. 2007 eu provavelmente tava em alguma sarjeta por aí me consumindo em auto-piedade. E antes disso eu não lembro, mas nunca foi muito melhor que isso.

Mas o meu dia dos namorados de 2010 começou no carnaval. Na quarta de cinzas pra ser mais precisa, quando tudo que eu queria desmoronou e eu tive que redirecionar toda a minha vida e os meus planos. 2 meses depois eu já tava completamente adaptada – e nem teria como ser diferente: num mundo onde tudo era possível, não tinha como eu não me encaixar.

Eu até falei aqui em algum momento, era a melhor fase da minha vida. Eu finalmente tava vivendo sem nenhuma neurose.

Aí passaram mais dois meses. No último porém, tudo aquilo que até então era puro hedonismo calculado, o equilíbrio perfeito entre bizarrice e tranquilidade, começou a tomar um outro rumo. Aquilo que era estável simplesmente desmanchou, e nas duas últimas semanas, como se a gente vivesse num seriado que precisasse de cliff hangers pra próxima temporada, o caos tomou conta de tudo. Até eu que tava quietinha no meu canto comecei a perceber que alguma coisa grande tava prestes a acontecer. Mas a gente não ia deixar nada disso estragar o dia mais romântico do ano. A gente não deixa estragar nem os fins de semana normais, que diria esse.

Então a gente deu uma pausa pro feriado. Cada um prum canto, só pra todo mundo ter certeza que era perda de tempo e que estávamos todos ótimos e prontos pro que viesse depois.

Corta a cena pra sexta-feira, dia 11. Ansiedade é a única palavra que eu consigo encontrar pra definir o sentimento generalizado. Claro que cada um tinha um motivo muito específico alimentando esse sentimento, mas acima de qualquer fogo no rabo pessoal e intransferível, a expectativa geral era de finalmente passar um dia 12 que com certeza não seria em vão. Porque relacionamentos podem acabar de um dia pro outro, mas não esse. Esse a gente ia poder guardar pra sempre.

E eu não vou entrar no mérito de todos os eventos de sexta pq não cabe aqui. Detalhes sempre são totalmente desnecessários. O que importa é que sábado toda a ansiedade tava infinitamente potencializada até pra mim, que tava jogada na cama tremendo de frio e passando mal o dia inteiro.

Mas não dava pra imaginar que ia ser tão perfeito quanto acabou sendo. A lasanha que eu ia fazer não rolou, porque tava cada um trancado num quarto terminando seus presentes. O Glória tava a síntese de freak show e eu dormi grande parte da balada. Mas aquele momento em que a gente começou a revelar quem eram nossos respectivos namorados (as) secretos e trocar presentes que a gente tinha feito, mesmo com toda essa noção de artesanato que, bem, no meu caso se limitava a fazer cocôs fakes pra sacanear inocentes, aquele momento foi… Eu diria life changing, mas a real é que a nossa vida não mudou ali. A gente só confirmou o que todo mundo já tinha certeza: nenhum relacionamento, de nenhum de nós, foi tão feliz.

E eu poderia falar de domingo também, porque a gente continuou junto e continuou sendo incrível. Mas só quem tava lá poderia entender o que eu estaria querendo dizer com isso, então nem vale a pena.

Resumindo: tem muita coisa que eu não tenho nem idéia de como vai ser daqui em diante, em tantos aspectos que eu podia escrever uma tese de doutorado sobre tudo que tá dando um nó na minha cabeça ultimamente. Mas eu posso me dar ao luxo de afirmar categoricamente que pelo menos de uma coisa eu tenho certeza: eu tenhos os melhores namorados e namoradas que alguém poderia desejar. E isso ninguém tira de mim.

31 crew, I LOVE YOU

Música-tema do post, aqui

O Último Romântico (they say the third time is the charm)

Aí vem minha avó e diz que não pode ouvir Lulu Santos até hoje sem lembrar de mim. Porque quando eu tinha meus 8 anos eu implorava e fazia ela gravar todas as músicas dele em fitas k7.
É, eu gosto de poesia barata. De poesia fácil. De frases rimadas. De xavecos furados. Eu gosto de acreditar que escreveram pra mim. E como ninguém escreve e eu escrevo até pra quem eu não conheço eu me apego à idéia de que certas músicas foram feitas pra mim, nem que sem querer.
Começou porque minha me dizia quando eu era pequena que o Cazuza SÓ PODIA ter escrito “Exagerado” pensando em mim. Depois foi “Faroeste Caboclo” dizendo “nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpião”. E por aí foi, tem músicas que marcaram tanto algumas épocas que eu fico até com um pouco de vertigem de tanto lembrar quando escuto depois de um tempo. Eu até ia listar aqui, mas vai me dar labirintite se eu parar pra pensar demais nisso.
E né, I digress. Não é essa a questão.
Eu mudei todas as minhas senhas (todas, hahaha, era uma só pra tudo). Eu parei de usar a correntinha no pescoço (ugh, preciso de outra ASAP). Tudo pra tornar os próximos dois meses e meio os mais agradáveis possíveis. Desapego, desapego, desapego. Eu queria que alguém escrevesse pra mim.

Tomando o mundo feito coca-cola. Ou tequila, no caso.

“Quando você tiver 18 anos e o seu próprio dinheiro, pode se mutilar do jeito que você quiser”

Foi o que a minha mãe disse quando eu tinha, sei lá, 14 anos e falei pela 1ª vez que queria fazer uma tatuagem. 8 anos depois tamo aí, com 5 delas, 2 piercings e muitos planos. MWAHUAHUA

Eu já tinha pensado em explicar cada uma delas, mas acaba que fica MUITO cafona quando eu escrevo. Fora que me dava preguiça. Pero, como me perguntaram no formspring eu achei válido. Então vamo lá.

Favor relevar a qualidade das imagens.

A 1ª foi essa:

Na real esse desenho é o logo de uma escola de ballet. Eu fiz ballet mais da metade da minha vida, believe it or not. Não nessa escola, e nem é pelo ballet em si que eu escolhi isso. Tá, de certa forma até que foi. Porque eu fiz ela pra minha irmã, que é bailarina. Mas no fundo, é por que parece que essa silhueta tá voando, e eu sempre precisei disso, voar. Esse salto é a melhor representação da liberdade ilimitada que eu sempre quis ter. E o “forever and ever” embaixo é por causa daquela música, “I Say a Little Prayer For You”, que é minha e da minha irmã. Pra eu lembrar que, não importa quão longe eu vá, eu sempre tenho pra onde e PORQUE voltar.

Depois veio essa:

Assim, eu não tive pai. Eu tive um cara que gentilmente cedeu um esparmatozóide que possibilitou minha existência. Pai é quem te dá o 1º caldo no mar, quem segura sua bicicleta quando você tira as rodinhas. Pai foi o meu tio. 4 anos atrás ele morreu. E eu pirei. Mas assim, não foi pouco (#tarjapretafeelings). Uns meses depois, no dia dos pais, uma tia minha foi fazer uma tatuagem e eu fui lá de à toa, só pra acompanhar. Começou a tocar aquela música do Gil que diz “há de surgir uma estrela no céu cada vez que ocê sorrir…” e eu não pensei duas vezes, pedi pro cara tatuar no meu pulso. Pra eu sempre ver e sempre e lembrar do homem que acreditou em mim e me tratou como se eu valesse a pena. Que teve orgulho de mim não por eu ter feito nada demais, mas só por saber que eu não ia jogar minha vida no lixo.

A 3ª foi esse H2O

Tá, acho que todo mundo sabe que em 2008 eu fui pro acampamento ser salva-vidas né? Então. Eu trabalhava num lago, waterfront sendo o termo técnico. Tudo que era endereçado aos salva-vidas vinha marcado como H2Ofront. E como foi lá que eu aprendi a enxergar as coisas por outra perspectiva, a ir até o fim, isso é uma espécie de agradecimento pela lifechanging experience marcado pra sempre.

Aí ano passado meu aniversário caiu no carnaval (volta e meia cai) e eu fiz essa:

Fiz porque assim… Até bem pouco tempo atrás, eu tinha fobia de compromisso. Eu era completamente incapaz de me entregar. Isso me fez perder oportunidades, machucar pessoas e ME machucar (porque doía, mesmo que não parecesse). Eu escolhi o Banksy porque ele é um puta de um fodido e eu pago uma pau pra tudo que ele faz. E esse desenho porque, primeiro, na obra original tem uma frase do lado – “there’s always hope” – que dá todo o sentido pro conjunto. Segundo porque eu aprendi, do pior jeito possível, que de nada adiantava eu ficar segurando meu coração. Eu tinha que deixar ele ir onde ele achasse que precisava ir. Se eu desse sorte, alguém podia devolver ele pra mim. Ou não, mas o vento em algum momento ia trazer ele de volta. Ou levar pra algum lugar melhor.

E a última eu expliquei faz pouco tempo, essa aqui:

É porque eu, apesar dos pesares, tenho uma espécie bizarra de timidez  que me impede de falar direito o que eu sinto. Eu travo. Eu mando músicas, faço mixtapes pra tentar me expressar. E obviamente, nem sempre obtenho sucesso com isso. Porque as pessoas não são obrigadas a entender a mesma coisa que eu. É uma mistura de timidez e inocência, porque é quase inocente, infantil, esse jeito de sentir e lidar. E por isso um desenho do Kurt Halsey. Toda obra dele é baseada nisso e retrata essa delicadeza, que no meu caso é quase idiota.

As próximas depois eu conto =)

Relationships 101

Growing found the need to compromise
Well I’ve had enough 20 years and I realized
Come on now, what’s a boy supposed to do
when I can’t seem to leave you alone
Touching me touching you

Eu sempre fui uma pessoa muito egoísta né. E não só isso, eu também sempre tive um lance de enjoar muito fácil, das coisas e das pessoas. Fora que eu tenho uma tolerância muito baixa à carência. EM SUMA, eu sou insuportável e por isso nunca consegui me relacionar com ninguém.
E eis que então apareceu uma pessoa que lentamente está mudando isso.

CALMA GENTE. EU NÃO TO NAMORANDO.

Acontece que existe o Zé. E o Zé, sem querer, acabou se tornando meu relationship coach.
Porque o Zé, apesar de ser uma das poucas pessoas REALMENTE compatíveis comigo, é uma das pessoas que mais exigiu de mim. E isso, por incrível que pareça (pra mim pelo menos), não tem nada a ver com cobrança. Porque tudo que a gente tem de igual em termos de gosto, a gente tem de completo oposto em termos de comportamento. Ele é uma pessoa que precisa de atenção e companhia, e eu sou extremamente – excessivamente até – independente de tudo e todo mundo. Isso, em circunstâncias normais, seria o suficiente pra eu ter cansado dele há muito tempo. Mas eu não canso. Eu aprendi a “estar lá”. A fazer companhia, mesmo para coisas que não são de meu interesse.
Aprendendo isso, eu instintivamente aprendi a dar satisfações da minha vida. O que juro por deus, era impensável pra mim três meses atrás. Se eu marco alguma coisa com ele, é muito raro eu sequer cogitar de desmarcar ou me atrasar (já começa aí o milagre). Mas se acontece, eu fico mal de verdade, e peço desculpas realmente sentindo que devo pedir desculpas.
E por aí vai. Pequenas coisas que para qualquer ser humano normal são naturais, mas que para mim tomam proporções excepcionais. Porque até então, o conceito de relacionamento pra mim não fazia sentido. E pior, eu nem me dava conta disso. Só agora eu entendo a importância de gestos que eu nem me esforço em fazer. É uma rotina, e não me assusta.
Mas antes que alguém venha aqui e confunda as coisas, eu vou repetir:

CALMA GENTE. EU NÃO TO NAMORANDO.

Até porque né, tem um “detalhezinho” essencial para relacionamentos na qual a gente não é NEM UM POUCO compatível. E eu não preciso nem falar qual é esse “detalhezinho”, certo?

Então um beijo pra todo mundo e dois pro Zé porque eu gosto mais dele que de vocês.

HAHAHAHAHA

I wanna be your brother, wanna be your father too
Never make you run for cover even if they want us to
I wanna be your sister, wanna be your mother too
I wanna be wanna be
Whatever else that touches you

When You Were Young

Cara Tatiana:

Favor manter em mente que no último carnaval você fez uma tatuagem logo acima do calcanhar esquerdo exatamente pra meter na cabeça que às vezes o único jeito é deixar as coisas irem embora.

Grata,

Sua consciência.

You sit there in your heartache
Waiting on some beautiful boy
To save you from your old ways
You play forgiveness
Watch it now – here he comes

He doesn’t look a thing like Jesus
But he talks like a gentlemen
Like you imagined when you were young

Can we climb this mountain
I don’t know
Higher now than ever before
I know we can make it if we take it slow
Let’s take it easy
Easy now, watch it go

We’re burning down the highway skyline
On the back of a hurricane that started turning
When you were young

And sometimes you close your eyes and see the place where you used to live
When you were young

They say the devil’s water, it ain’t so sweet
You don’t have to drink right now
But you can dip your feet
Every once in a little while

You sit there in your heartache
Waiting on some beautiful boy
To save you from your old ways
You play forgiveness
Watch it now – here he comes

He doesn’t look a thing like Jesus
But he talks like a gentlemen
Like you imagined when you were young
When you were young

I said he doesn’t look a thing like Jesus
He doesn’t look a thing like Jesus
But more than you’ll ever know

Distúrbio da Incapacidade Telecomunicativa

Eu odeio telefone. Odeio quando o telefone toca, não importa o toque dele. Não sei falar no telefone. Ou eu fico nervosa e gaguejo, ou eu to prestando atenção na tv e no computador e esqueço de responder, ou eu simplesmente falo sem nexo nenhum.

Se dependesse de mim, só me mandariam mensagem de texto. É mais rápido, é mais barato e eu tenho capacidade de responder sem ter que passar pelo ataque de pânico que eu tenho toda vez que eu vejo o desgraçado começar a vibrar na mesa.

E se eu tiver surtada e de mau-humor então, esquece. Eu simplesmente desligo na cara.

Então não me liguem. Mandem mensagem e aumentem em até 100% o aproveitamento das telecomunicações.

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Preciso ter um momento VIADO de novo. Todo dia eu tenho um, to começando a me preocupar de verdade.

Mas não tem como. Eu acabei de descobrir um jeito perfeito de pedir alguém em casamento: http://vimeo.com/5689790

E eu quero que alguém faça isso por mim um dia.

Mentira. Eu que vou fazer um dia. Não exatamente que nem esse, mas eu já tenho idéia. Até a música eu já escolhi. Agora falta achar pra quem. Hahaha.

Chega.