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Vale-Miojo

Não, eu não tive nenhuma ideia genial. Mas eu não matei nem fiz merda – o que é uma vitória sem precedentes. Também não morri, embora tenha sido por pouco. Mas não seria um ato voluntário, apenas um acidente derivado de um momento no qual me parecia uma boa ideia dançar lambada meio pendurada na janela do 15º andar.
A questão é que a gente deve tá ficando velho. Eu pelo menos. Porque assim, da última vez que rolou uma viagem desse porte foi na páscoa do ano passado, e daquela vez eu passei 4 dias sem comer, sem dormir e fiz questão de ser uma das últimas a voltar pra SP. Dessa feita eu só pulei UMA refeição, dormi todos os dias (mesmo que no último tenham sido apenas 2h no sofá da sala) e fui embora na primeira leva, depois de limpar a sala.
Aliás, até nisso a gente envelheceu. Tudo bem que no último dia a sala tava de uma imundície ímpar, com uma crosta gosmenta e cinza por todo o chão, mas foi só de sábado pra domingo que geral resolveu perder a higiene. Até então a sujeira tava num nível aceitável e inédito.
Mas também, dá pra entender. Já faz mais tempo que todo mundo se conhece, e apesar de intimidade ser uma merda, agora rola aquela liberdade de esculachar quem esquece a civilização e não coopera. A desvantagem é que ninguém mais se dá ao trabalho de sequer tentar ficar mais bonitinho, então é aquele festival de todo mundo de pijama e meia, sem um pingo de maquiagem nem nada pra disfarçar o estadinho lamentável da manhã.
Outra coisa é que, fora eu, todo mundo que tava solteiro, praieiro e guerreiro hoje em dia namora. E eu finalmente não to apaixonada por ninguém, então neguinho tá nem aí de aparecer com a cara toda amassada e a meia furada.
Enfim. Ainda hoje eu inauguro o canal do eutenhoproblemas no youtube pra vocês terem uma noção audiovisual mais emblemática e impactante das coisas que aconteceram e acontecem. Aí talvez vocês digam que eu tô exagerando e que a gente continua tudo sem um pingo de noção. Mas acreditem, já foi muito mais trash. Hoje em dia a gente tá uma caravana de clínica geriátrica perto do que era.
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Aí eu cheguei me casa ontem e minha irmã do nada solta que sexta-feira começa a copa do mundo e sábado é dia dos namorados. Como eu sinceramente não sei qual dessas duas informações foi mais relevante na minha vida, o que me resta é recuperar esse corpinho porque a sensação que eu tenho é que uma jamanta me atropelou, deu ré e foi de novo só pra ter certeza que tinha me massacrado mesmo.
Ah, só um adendo já que eu mencionei jamanta. Tudo bem, eu sou muito grata pela carona de ontem e por ter chegado em SP em 40 minutos, mas vamo combinar que Imigrantes NÃO É Autobahn e não tem necessidade de andar a 250 por hora porque eu já tava bem enjoada e a velocidade mínima de 130 km/h tornou o exercício de não vomitar na estrada quase impossível. Mas eu perseverei e to aqui. Então coragem Brasil que o mês promete.

Xilocaína Mental

O legal do álcool é que ele anestesia qualquer tipo de inibição e/ou julgamento. O problema é que quando essas linhas traçadas pelo superego se dissolvem sua vida pode virar uma bagunça antes de sequer dar tempo das suas sinapses recuperarem o ritmo.

Aí você acorda no dia seguinte cercado de pessoas que seriam excepcionalmente inteligentes não estivessem completamente incapacitadas. E o mais legal é que, mesmo nessas condições, ainda são pessoas excepcionais. E as conversas, ainda que sobre assuntos que não fazem sentido nenhum, atingem um nível que a maioria dos grupos que você já conheceu não alcança nem no auge da sobriedade.

(Aqui entra um parenteses reforçando que meus posts NÃO são direcionados a ninguém, a não ser que isso esteja especificado de cara. Tô afim de lidar com egos feridos não, ok?)

É nessa hora, quando você acorda ainda levemente lesada, que tudo se define. Se você percebe que o caos da noite anterior – aquele que está aos poucos sendo reconstruído através dos retalhos de memórias de cada um – não vai afetar nem o almoço de vocês, que você não precisa ficar paranóica até a realidade não parecer tão embaçada porque dessa vez o fato de você não lembrar muito bem onde está o chão não significa que se abriu uma fenda pra te engolir, nessa hora bate o alívio.

Porque dessa vez é que nem um looping. E você sabe que, muito embora você não sinta suas pernas, na hora que você voltar vai sobrar só a adrenalina. E é só por isso que a gente levanta todo dia né? Pela fucking adrenalina.

Então eu topo a anestesia. Eu topo a sensação de não saber o que eu to fazendo nem o que ta acontecendo. Porque eu sei que o meu mundinho tá seguro, e que eu vou ter minha descarga de adrenalina. E por enquanto é só disso que eu preciso.

Essa foto não tem nada a ver com o post, mas eu coloquei só porque eu tenho mentalidade de 6 anos e me rabisco quando to entediada

Como Proceder no Caso de Perda do Seu Cartão de Débito em 10 Passos

1º passo: acorde ainda bebada e perceba que você perdeu o cartão
2º passo: arrependa-se de ter bebido até perder a dignidade e o cartão
3º passo: bloqueie o cartão pelo bankfone
4º passo: decida que DEFINITIVAMENTE você precisa começar a namorar pra sair dessa vida
5º passo: pegue um ônibus lotado e perceba, no trajeto, que você está mais bêbada do que imaginava
6º passo: choramingue com o financeiro da agência A. MANHÃ. INTEIRA. até que ela se solidarize com a sua situação e ligue para o banco para descobrir como pegar um cartão novo
7º passo: supere o ódio e entenda que, considerando-se a vida que você leva, é um milagre você não ter perdido seu cartão antes
8º passo: vá até o banco depois do almoço, ainda passando meio mal, pegue uma fila de 40 pessoas pagando TODAS as contas possíveis e solicite um cartão provisório
9º passo: pegue seu cartão provisório, erre a senha, e já faça o pedido de um cartão novo
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10º passo: volte para a agência e encontre seu cartão original no fundo da mochila.

Isso precisa acabar. Sério.

Amostra Grátis de Felicidade

É por aí né.

Se você não pode me dar o que eu quero, eu não quero o que você pode me dar.

Mas quem é que realmente sabe o que quer?

Eu sei, parece que eu to viajando. Eu to, um pouco. Eu preciso alinhar essas idéias pra chegar no raciocínio final e só consigo fazer isso escrevendo, então aguenta.

2009 tem sido um ano cansativo, pra falar o mínimo. A maré mudou de lado vezes demais, às vezes a meu favor, muitas outras me afogando. Mas ambos os casos foram engraçados, não dá pra negar. Eu não sei não ser excessiva, e eu vivi esse ano como se tudo fosse definitivo. Tive milhões de certezas que achava permanentes mas acabaram no lixo. Eu fui tudo que podia ser para cada um que passou pelo meu caminho.

Eu menti muito, mas eu nunca fui tão honesta.

Eu fiz listas e listas de coisas que deveria melhorar em mim para merecer mais do mundo. Eu fiz todos os esforços para cumprir com as metas dessas listas. Eu fracassei.

Ainda bem.

No fim das contas, eu descobri que nada pelo qual eu lutei nos últimos quase dois anos valia a pena. Eu descobri que a vida que eu tentei construir e pela qual abandonei toda uma outra vida, não existia. Foi tudo uma brincadeira de mau gosto de uma pessoa entediada, que sabe lá Deus porque inventou um universo onde habita e para o qual suga todos até não sobrar mais alma, pra depois jogar fora.

Eu, que passei todo esse tempo tentando entender, tentando me encaixar, tentando adaptar meu sistema de valores ao sistema desse mundo, basicamente desperdicei energia.

OBVIO que nao foi tudo em vão. Mas eu tenho que parar, respirar fundo e analisar com muita calma o que fazer de agora em diante.

Tem certas respostas que já sabemos antes mesmo que nos façam a pergunta. É o caso. As decisões já estão tomadas dentro da minha cabeça, resta descobrir como me desvencilhar dos restos.

Primeiro eu exagero.

Depois eu saboto.

Por fim eu acerto.

Ou pelo menos eu to botando fé que vai ser assim.

ENFIM!

Já delirei bastante.

Eu me propus a fazer algumas coisas, e a grande maioria delas eu fiz. O resto não deu tempo ou faltou dinheiro. A minha parte eu cumpri. Os outros são os outros.

Eu sou alérgica…

… à tranquilidade.

Mas calma, não vou começar a choramingar as mazelas da vida aqui.

Até porque eu não sou nenhuma injustiçada.

Começou a tocar Mrs. Robinson no meu shuffle místico do itunes

“Laugh about it, shout about it, when you’ve got to chose. Every way you look at it you lose”

Nada é por acaso.

Enfim.

É. Eu sou alérgica à tranquilidade. Que hoje em dia não tem trema mais por causa dessa reforma ortográfica estúpida. Mas eu tremo, com ou sem reforma. Eu não tenho reforma.

Foco Tatiana, foco.

É meu dever admitir que tudo nessa vida “eu fiz porque eu quis” (repita isso pra si mesmo várias vezes, economiza várias horas de autocomiseração), mas também devo dizer, em minha defesa, que eu não tinha muita opção. Era inevitável que eu fizesse em algum momento. Afinal de contas, eu sou uma pessoa que não tem juízo. Eu me jogo e quando vejo já fiz a cagada, já me meti na roubada, já me fudi irremediavelmente. É a minha coisa, é o que eu faço. Tem gente que pensa, sofre e só depois faz a cagada. Gente assim só faz o que faz porque simplesmente não pôde escapar das circunstâncias. E eu até queria dizer que esse é meu caso, mas não é. Eu vejo a cagada vindo lá de longe, vejo ela semanas antes. E até tento desviar, mas algo em minha natureza mais íntima parece exigir que eu cometa todas as cagadas em meu caminho. Minha natureza muitas vezes parece consistir exclusivamente disso. Então eu miro em cada uma delas e acerto todas, às vezes mais de uma simultaneamente, com precisão matemática.

Como disse minha irmã, eu sou que nem aqueles besouros de cocô. Não é que eu faça merdas homéricas. Eu vou acumulando pequenas bostinhas até gerar uma bolota gigantesca na qual me abrigo.

Eu não nego que não presto, eu tenho umas recaídas escrotas.

Mas dessa vez não foi recaída. Eu não vi se aproximando. Simplesmente… Foi. Não deveria ter sido, mas foi. E não adianta eu pedir desculpas. Não se pede desculpas pelo que não se planejou, é hipócrita demais fazer uma coisa dessas. E eu posso ter lá minhas limitações emocionais, mas hipocrisia não é uma delas. Incoerente, cafajeste, tudo bem. Mas mentirosa não.

Não é que eu não sinta remorso. Eu sei que não foi justo, e que dentre todas as pessoas ela não merecia. Não merecia a minha inconsequencia, o meu egoísmo, a minha impulsividade que me leva a fazer coisas que jamais terão justificativa plausível.

Sei lá. Eu deveria pensar, mas eu não consigo.

Eu não lembro como, não sei o porque, sei só que foi. Foi muito, inclusive.

MUITO. Pro bem e pro mal, foi muito.

Eu sou alérgica a tranquilidade. E o meu remédio é transformar a minha vida numa zona cada vez que ela começa a se estabilizar.

A volta dos que não foram

Gente, eu amo meu Facebook. Juro.

Tatiana completed the quiz “What nationality do you drink like?” with the result Russian/Polish.
Wooooooh! Way to go. You’re the cream of the crop of drinking. No matter with who, or even with what, you’re up for it all. You’re the life of the party and are usually a happy drunk. When : All day everyday babyyy What : Strong drinks like Vodka(especially) How much : Till you puke, you can put it down like a boss.
 
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Tudo sob controle. Consegui voltar ao bunker. Com algum atraso, mas intacta.
O ser humano, como a água, tem 3 estados da matéria: líquido, sólido e gasoso. Hoje eu me encontro no estado intermediário, uma ameba. Praticamente uma gelatina de copinho, daquelas light sabor melão que servem no hospital.
E hoje minha missão é falar sobre a terrível sensação que acomete 95% dos vagabundos alcoolatras sem noção de nada: a do último pêssego. Nada mais justo, considerando que essa semana completamos 15 anos sem Mussum.
Você, condenado, indigente, estorvo social que acha OK sair no meio da semana e tomar 15 doses de vodka, mais incontáveis cervejas e qualquer outra substância etílica que apareça no caminho – e no dia seguinte tem que acordar pra fingir que é um cidadão que contribui pro progresso da nação. Você mesmo, seu merda que acorda e toma de café da manhã 2 dorflex, uma Fanta Uva 600ml e um cheeseburguer com maionese verde do Samaro. Você conhece a sensação. Talvez nunca tenha ouvido essa denominação, mas é pra esclarecer que eu tô aqui.
Pra entender a que eu me refiro, faça o seguinte teste: compre uma lata de pêssego em calda. Retire todos os pêssegos, deixe apenas um, e observe.
Por alguns instantes, o pêssego ficará lá boiando na gosma. Mas quando você menos esperar – ploft! – ele fará uma incrível pirueta de 180º. Aí você pensará, tudo bem, ele virou, mas vai ficar assim. Lêdo engano. Ele permanecerá nessa posição por certo tempo até, mas quando você achar que ele estabilizou – ploft! – ele voltará a posição original. E o processo se repetirá indeterminadas vezes.
Com o seu cérebro é igual. Você pode se achar fodão, super bebum e com alta tolerância à esbórnia. Você acorda, perde alguns minutos refletindo onde está, quem é e congêneres, e então parte pra mais um dia. Tudo parece ir muito bem, até que você sai de casa e, no ponto de ônibus, seu cérebro começa a se comportar como o pêssego. Ele vira de cebça pra baixo e você pega o ônibus errado. Quando o cobrador te avisa que você tem que descer porque chegou ao ponto final e você pensa “WTF?”, ele  volta aos eixos. Todo e qualquer raciocínio que você tentar desenvolver durante o dia será assim. acompanhado pelo ploft do pêssego.
Aí você tem duas opções. Ou luta ou desiste e se entrega à situação lamentável. Mas desistir nem sempre é uma opção viável. Aí entra o café da manhã dos campeões previamente mencionado. Entupa suas artérias. Preencha o espaço antes ocupado por neurônios com  células de gordura trans.
E boa sorte.
Enquanto vocês se entretém, eu pretendo descobrir se alguém anotou a placa do óvni que me atropelou.