Tag Archives: escrotidão

Verbete de número 3

Solteirice (advérbio de modo): quando voce tá sozinha em casa, pede uma pizza e o interfone toca bem na hora que você resolve fazer xixi. Você sabe que o mundo não vai acabar se você demorar mais 30 segundos pra atender, mas cada milésimo dura uma eternidade enquanto você se pergunta o que o porteiro e o entregador tão pensando dessa sua demora, como eles estão te julgando relaxada e rindo da sua cara. O resultado é que você não consegue fazer xixi direito e desce correndo toda baranga pra pegar a pizza portuguesa que da qual vai comer dois pedaços porque até perdeu a fome por se sentir humilhada e depois largar na geladeira até estragar. Agora substitua interfone por aniversário e ou casamento de primo/amigo, porteiro e entregador por amigos e família, e pizza por todos os seus casinhos.

Ócio Criativo

A pessoa fica sem luz e:

 

a. adianta trabalho

b. estuda

c. grava vídeo arregaçando na sapatonice (créditos à @fadacaminhao por essa linda expressão que se tornou parte essencial da minha vida)

ADIVINHA

Verbete de número 2

Vida cagada (substantivo sapatão): Você já levou uma cagada de pombo na cabeça? Aquela coisa da qual você não teve nem como escapar porque não sabe nem de onde veio? Acho que todo mundo já passou por isso. Aí você automaticamente solta um PUTAQUEPARIU enquanto vê a merda se espalhando por todo o seu cabelo recém lavado com produtos L’Oréal (porque você achava que merecia) e até a nuca, ou seja, fodendo com seu dia de forma irreversível. Então, a pomba é um bicho pequeno e caga tudo aquilo,  imaginem o que sai de um URUBU. Pois é. Fora que pomba come lixo, restos de comida e isso é nojento mas não se compara a lixo AND carcaças né. Agora eu vou contar uma historinha real pra vocês, que aconteceu mais ou menos um mês atrás com uma amiga minha: pense numa pessoa numa praia deserta, em seu último dia de férias, curtindo cada minuto de sol como se fosse o último e tentando não ficar deprimida com a perspectiva de voltar a trabalhar quando de repente ouve um PLOFT e sente algo escorrendo até o cotovelo. Quando ela olha pra cima, vê aquela inconfundível mancha negra voando em círculos. Numa situação dessas não adianta nem ficar irritado, resta apenas se resignar com o fato que dentre 1km vazio de areia foi bem na sua cabeça q o Urubu venceu o Desafio Activia.

Verbete de número 1

A nova categoria “Glossário” do blog é dedicada à instrução. Tipo aquelas enciclopédia ilustrada que vinham no Jornal da Tarde, feito pra você visualizar determinados conceitos através de explicações descritivas. Toda semana um novo verbete, além da série “Sentimentos Confusos”.

Pagando de gatinho (verbo indireto): foto do pai da minha amiga numa lancha, de sunga com a cordinha aparecendo por baixo da pancinha peluda, com a careca de frade ao vento, óculos escuros, um sorriso maroto de Johnny Bravo e fazendo um jóinha na provável direção de uma praia lotada de gostosa de 20 e poucos anos, crente que tá fazendo sucesso.

 

Eu SEI que vocês já fizeram isso

Mas hoje é sexta, então se você pagou as prestações em dia tá na hora de quitar o carnê da dor de corno e VEMNIMIM.

Abrindo mão da aquendação

Pq né, depois dessa acho difícil pegar alguém.

Twelve Steps

Post dedicado à @ricardosica, um de nossos amigos aqui nos Stalkólatras Nem Tão Anônimos Assim.

Os Doze Passos de S.N.T.A.A. consistem em um grupo de princípios, sociopatas em sua natureza que, se praticados como um modo de vida, podem expulsar a obsessão pelos (as) exs e permitir que o corno se torne íntegro, feliz e útil. Não são teorias abstratas; são baseadas na experiência dos êxitos e fracassos dos primeiros membros de S.N.T.A.A.

OS DOZE PASSOS

PRIMEIRO PASSO:

Admitimos que éramos impotentes perante o stalking – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas redes sociais.

SEGUNDO PASSO:

Viemos a acreditar que um Hide Feed superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade.

TERCEIRO PASSO:

Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados das configurações de privacidade, na forma em que concebíamos nosso profile.

QUARTO PASSO:

Fizemos minucioso e destemido inventário moral de tags em fotos, mentions e amigos em comum..

QUINTO PASSO:

Admitimos perante o msn, perante nós mesmos e perante a timeline, a natureza exata de nossas falhas.

SEXTO PASSO:

Prontificamo-nos inteiramente a deixar que o novo layout do Facebook removesse todos esses defeitos de caráter.

SÉTIMO PASSO:

Humildemente rogamos a um Block que nos livrasse de nossas imperfeições.

OITAVO PASSO:

Fizemos uma relação de todas as peguetes que tínhamos dispensado e nos dispusemos a reparar as baladas desperdiçadas.

NONO PASSO:

Fizemos reparações dos foras dados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicar relacionamentos com pessoas mais fortes que nós.

DÉCIMO PASSO:

Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós apagávamos as atualizações de status.

DÉCIMO PRIMEIRO PASSO:

Procuramos através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com a Nova Operadora de Telefonia, na forma em que concebíamos nosso plano de minutos, rogando apenas não mandar sms bêbados e forças para realizar essa vontade.

DÉCIMO SEGUNDO PASSO:

Tendo experimentado um princípio de hepatite e risco de doenças venéreas, graças a estes passos, procuramos transmitir esta mensagem aos stalkers e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.

(Após a leitura desse post, acesse este link.)

Manual de sobrevivência na sarjeta (também conhecido como: vagabunda tem em qualquer lugar)

Eu aprendi sobre os after-hours da Amaral Gurgel, onde indivíduos chave de cadeia com 1,80m de altura e uma âncora tatuada no bíceps que atendem pelo codinome “Falcão” oferecem aos incautos um vasto cardápio de pintos de travestis.
Eu assisti UFC e MMA enquanto nos intervalos discutia a rodada da NFL. Anderson Silva, Atlanta Falcons, Heineken. Lucky Strike. Acontece né?
Acontece. Porque quando você já ficou brother e até ganhou cigarro dos mendigos da Paulista que tentaram roubar seu copo de vodka com groselha, já caiu de boca na sarjeta da Lov.e e foi resgatada por uma galera desconhecida e no mínimo suspeita que perguntou se você tava bem e disse que ali era tudo família enquanto seu joelho arrebentado ainda sangrava, enfim, quando você já chegou no ponto de ser referência de vida cagada nos Jardins, em Interlagos, na Mooca e na Vila Olímpia, só te resta fazer amizade com um taxista vida loka de Paraisópolis com grillz nos dentes de cima que acabou de levar um apavoro de seis traficantes por causa de uma vagabunda que ele ama – mas nem comendo tá, que fique bem claro.
Verão: época de baratas nas paredes e calçadas, do cheiro de sovaco nos bares com iluminação verde refletindo na parede de azulejos brancos, de festas com bebida liberada todo santo dia. Ou seja, verão é tenso e eu não me ajudo muito.
O bom é que eu já aprendi que tudo nessa vida tem limite. CALMA, VOU EXPLICAR. Assim, eu nunca vou aprender a ter limite. Porém, certas coisas são fora de cogitação. Por exemplo: às vezes a vontade de sair é muito grande e as opções são muito poucas, o que restringe o leque de opções e geralmente te leva a ficar vagando pra cima e pra baixo na Augusta. Mas quando você já rodou tudo e chega no perímetro da Setentinha, é hora de parar. Dali em diante é apelação demais, o negócio é voltar pra casa.
E isso aconteceu comigo não faz muito tempo. TUDO ISSO, inclusive o desabafo do taxista apaixonado. O que me levou a concluir que, no fim das contas, é tudo igual. Eu, o taxista, os mendigos… Porque vagabunda tem em qualquer lugar: do Glória aos cafundós de Parelheiros. E otário também. Mas mesmo sendo cíclico e inevitável, chega um ponto que não tem PORQUE continuar insistindo, na biscate ou na balada.
É quando voce volta pra casa trançando as pernas, derrubando o resto da latinha de cerveja que comprou pra fazer sua saideira na subida até a Paulista, jogando na rua as bitucas dos cigarros que acende um no outro, enquanto seus All-Stars furados deixam pra trás um rastro da lama existencial que acumulam nas solas.
É quando voce chega, acende mais um cigarro, tira a roupa e se joga num colchão sem lençol pra dormir porque já está tão detonado que tanto faz.

Essa é minha vida, esse é meu clube

Vou contar pra vocês a história da última Oui Oui do ano, que aconteceu nessa sexta-feira:

1. Eu não lembro de chegar lá
2. Eu não lembro do que aconteceu enquanto eu estava lá
3. Eu não tenho ideia de como eu fui embora.

FIM.

Epílogo:
Fui pra auto-escola sábado de manhã, ainda meio bêbada e sob um sol do SENEGAL, e encontrei um rato morto estendido no asfalto. EEEEEEECAAAAA (é sério)

Moral da historia:
Caso eu tenha: te agarrado / puxado assunto com você e falado alguma coisa inteiramente sem sentido / te ignorado, DESCULPA. Eu não tinha nem ideia do que tava fazendo ali.

—> Fica aberto aqui o espaço pra vocês comentarem me dizendo se, afinal de contas, a balada tava legal ou não. Fica inclusive o apelo pra vocês me mandarem e-mails (de preferência longos e detalhados), sobre eventuais interações que tenham ocorrido entre eu e você. Sério.

Segredos de liquidificador

Desculpa Cazuza, mas eu nunca entendi o que isso quer dizer.

A cura de pelo menos 75% dos transtornos bipolares, depressões e congêneres da internerds

chupa essa manga freud

 

Porque olha, grande parte desse mimimi podia ser resolvido com MEIA HORINHA ESFREGANDO ROUPA NO TANQUE.

Enigma traumático do ano

Cara, eu tenho milhões de coisas pra postar, mas eu to aflita há SEMANAS com essa porra.

Outro dia tava eu na maior das inocências bundando na internerds quando chega o Rapha, carioca, webdesigner e caçador da podridão do youtube nas horas vagas, me chama no msn e apenas cola um link.

É a coisa mais porca e caótica que eu já vi na minha vida – e olha que eu já vi muita coisa porca e sou pós-graduada em caos. A questão é: QUE PORRA DE PRAIA É ESSA SENHOR JESUS CRISTO?

É O TRAILER DO FIM DO MUNDO MINHA GENTE.

Alguém falou ali nos comentários que é perto do posto 9, mas o Rapha já desmentiu isso falando que “é caô”, porque nessa posição daria pra ver o morro dois irmãos.

Enfim, tamos aí nessa luta pra desvendar onde fica esse playground do capeta. Qualquer colaboração é bem vinda.

Querido Diário

Você começa com uma latinha de Jack und Cola (amor verdadeiro, amor eterno). Passa pra cerveja. De repente, caipirinha. Quando você vê, está fumando do lado de fora do bar enquanto um cosplay de Narcisa Tamborindeguy joga gelo na cabeça da galera pela janela do lounge do 2º andar gritando que perdeu o Blackberry. Bacardi. Aí você já bebeu o suficiente pra ter conversas um pouco sérias demais que atacam sua gastrite, então volta pra cerveja.
Olha, resumindo: por volta de 3 da manhã eu já não sabia nem quem eu era e tava no meio da Augusta, enquanto alguém gritava “EU QUERO VER PEITOLA” e a galera negociava a entrada com direito a duas cervejas nesse distinto recinto:

eu ainda prefiro o puteiro da sara

Isso tudo ainda era sexta-feira, ou seja, mais 3 dias de feriado pela frente.
Algumas horas depois eu acordei com outro cosplay, dessa vez de Regan MacNeil, grunhindo esse jogando em cima de mim. E assim, quando eu durmo é todo um processo pra me acordar, porque eu capoto. Mas aí o demonio caiu em cima do meu braço recém-tatuado, e a dor impulsionou uma reacção um tanto quanto violenta. De olhos ainda fechados, eu dei um empurrão tão joselito que a pomba gira saiu daquele corpo, que saiu andando normalmente e murmurando que ia fritar um ovo pra comer antes de dormir – EXORCISMO OGRO STYLE HOW ABOUT THAT?
Sábado começou com uma espécie de flashmob de quatro indivíduos – todos sóbrios, diga-se de passagem – dançando “Sometimes”, da Britney Spears, em frente a uma Barbie de vestido de gala na vitrine de uma loja de brinquedos qualquer. Algumas horas depois, a ausência de tequila na balada me levou a misturar vodka com energético à vodka pura e alguns B-52′s flambados ao som de “Whip My Hair”. Dica: bater cabelo depois de ingerir aproximadamente um litro de destilados funciona no seu cérebro como um blur de strenght 85% no Photoshop. O resultado é que você pode acordar ainda bem bêbada. Bêbada o suficiente pra calçar uma Havaiana de cada cor e quem sabe sair pro posto de gasolina com a intenção de comprar Gummy Bears e voltar de lá com a Playboy nova.
Mas depois de 30cm de frango teriyaky do Subway eu voltei a ter consciência do que estava acontecendo. Lá pelas tantas meu lado Amélia aflorou e eu passei grande parte da noite cozinhando. Tinha tudo pra ser uma coisa inocente – e seria, não tivessem aparecido com uma garrafa de Absolut e um suco de LICHIA pra tomar em shots.
Acordei na 2ª feira com o barulho da tia recolhendo o equivalente a dois engradados em latinhas amassadas e espalhadas pelo chão da sala. Uma das poucas memórias que eu tenho é de ter passado roupa às 2 da manhã – ou de pelo menos ter feito pose como se estivesse passando (Amélia bateu FORTE, qué dizê).
Não sei bem como terminar esse post. Vou colocar uma música que eu curto, só pq eu curto mesmo. Nada nessa porra fez sentido nenhum mesmo, então foda-se.

O orgulho é uma puta suja

Eu ia fazer um texto imenso dissertando sobre os porquês e poréns e caralhos a quatro, mas essa foto do meu boletim do JARDIM DE INFÂNCIA resume tudo.

24h Party People

“Não acredite em nada do que eu falo que não tenha passado por experiência própria” – Buda

Antes era só aos sábados. Depois, passou a ser 6ª e sábado. Num dado momento, virou 6ª, sábado e domingo. Agora já chegou num ponto que a gente leva advertência por barulho todo santo dia. Ou seja, é só uma questão de tempo até que a gente seja expulso do prédio e vire uma comunidade de sem-teto. A gente já tá tao acostumado a levar esporro que até quando toca o telefone, às 7 da manhã, a gente já acorda achando que é o interfone e alguém reclamando.
Mas é isso que acontece quando você junta sob o mesmo teto 10 pessoas de 20 e poucos anos que bebem muito, falam muito e gostam de música alta e baixaria.
Agora, imagine se um dia essas mesmas 10 pessoas, que já se tornaram referência de baixo nível, resolvem se infiltrar numa festa exclusiva da nata da sociedade paulistana. Bom, foi isso que aconteceu quando o 31crew invadiu nessa última 3ª o Buddha Bar, na Daslu, pra ver como é que era essa história de French Tuesdays.
O primeiro passo foi a caracterização. A minha em especial. Porque eu sou o tipo de pessoa que sequer penteia o cabelo pra sair de casa e vai pra balada de calça jeans e all-star. Salto alto é um negócio que eu não uso há mais de ano, e a última vez que eu entrei num vestido foi pra comemorar os 80 anos da minha avó – e só porque eram 80 anos. Agora, não que eu fosse me incomodar em chocar a sociedade ja de cara aparecendo lá com meu look tradicional, mas o dress code sequer permitia isso, e eu nao tava afim de ir até lá pra ser barrada na porta. Fora que num dado momento eu comecei a me empolgar com a perspectiva de fazer cosplay de mocinha. Então abracei a proposta, e deixei tudo nas mãos das meninas, que acharam o máximo poder brincar com uma Barbie de verdade.
A segunda providência a ser tomada era comprar bebida pra fazer um esquenta antes de sair. Porque alegria de pobre dura pouco, e algumas horas antes descobrimos que o churras na laje da Eliana Tranchesi não era open bar. E eu nem preciso mencionar aqui que nossa renda não permite comprar Veuve Cliquot né. Então compramos o kit completo de vodka em promoção, energético e vinho barato. Colocamos Dog Days Are Over no último volume e nos entregamos a uma catarse musical à la Florence. Óbvio que não durou muito, porque logo veio a inevitável advertência, mas tudo certo, já tava todo mundo num estado levemente alterado da consciência e já eram 22h, mais do que na hora de sair.
Tudo bem que em circunstâncias normais a gente ia COMEÇAR a beber as 22h, mas tava escrito no convite que a festa ia das 19h a 1 da manhã – um aviso gigante de que seria LAME e que nós ignoramos, em nome da antropologia – e a gente queria aproveitar ao máximo esse gostinho de ser bem nascido e morar em casas aonde não hajam poças de origem desconhecida no chão da cozinha nem sacos do McDonald’s espalhados pela sala nem um amontoado de roupas que se locomove sozinho e engole meias de forma a você nunca mais encontrá-las. Então pedimos desculpas e fomos atrás de um táxi. Porque sai mais barato dividir os 20 reais de uma corrida Jardins-Marginal do que pagar um estacionamento que custa mais que a consumação de uma balada normal somado ao gasto em combustível, e embora a gente até tivesse enganando bem como legítimos membros da high society, a realidade ainda é que a gente mal e mal pode ser considerado sequer membro da sociedade de forma geral.
E lógico que a gente foi pra entrada errada. Nada mais justo, já que o único contato que a gente teve com a Daslu na vida foi passando ali na frente quando a gente pega o Terminal Capelinha que vai pela marginal pra voltar pra casa. Mas os seguranças e um cara meio bêbado e tatuado que tava ali na sarjeta da porta dos fundos foram muito bacanas e deixaram a gente cortar caminho pelo estacionamento.
Chegando na porta do Buddha Bar, a ordem geral era fazer silêncio. Porque qualquer coisa que a gente falasse denunciaria que o nosso lugar não era ali. Mas mesmo assim o segurança deu uma bela olhada pra galera e pediu pra gente esperar um pouco. Não tinha fila, não tinha ninguém, mas acho que ele não sabia exatamente como lidar com aquela galera bonitinha, bem vestida, mas com um brilho suspeito no olhar. Dez delinquentes que podiam na verdade ser herdeiros de comportamento exótico. Cinco minutos depois, ele nos concedeu o benefício da dúvida e liberou todo mundo.

Ah, o glamour. Um lustre gigante, sofás de couro, taças com bebida importada. Mas no fundo, a merda é sempre a mesma. Banheiro feminino tem sempre aquela fila quilométrica e você nunca vai poder sentar na privada. A diferença é que sempre vai ter papel higiênico.
Ah, o berço de ouro. Pose impecável para circular pela pista, para brindar e até dançar sensualmente. Mas tem sempre aquele cara inconveniente que passa a mão na sua bunda e dá uma piscadinha, assim como a vadia que rebola tanto que parece estagiária da Valesca Popozuda. A diferença é o terno de linho Armani e o vestido 100% seda que cobrem esses corpos.
Mas a música pode sempre salvar tudo, não é mesmo?
Não.
Aliás, a Jovem Pan ligou e pediu o setlist de 2001 de volta.
Ok vai, sejamos justos. Foi… Eclético. Afinal, não é qualquer um que toca na sequencia Lady Gaga (atendendo a pedidos adivinha de que núcleo), Gipsy Kings e FRANK SINATRA. É no mínimo uma experiência interessante você passar de Bamboleo a New York, New York. Cantar I Just Called to say I Love You no cangote da sua pretendente e pular uma tarantella com seus brothers logo depois.
Além disso, rolavam umas performances. O nome da festa é Garden Fairy, então tinham duas fadas em cada extremo da pista. Quer dizer, fadas. Visualize uma versão with lasers de Sininho meets Rogéria e você tem uma noção do que eram as “fadas”.
Fora que rolou uma distribuição de pequeninos sachês recheados de ESTRELINHAS BRILHANTES. Perfeitas pra você colocar na palma da mão e assoprar na cara dos amigos, deixando eles numa cegueira lisérgica que vê tudo brilhando e com resquícios de piolhos gays (que carinhosamente apelidamos de Lêndeas GaGas) no seu cabelo até 2017. Achei bacana, agora nunca sei o que é cabelo branco e o que é purpurina.
Por volta das duas da manhã, a brincadeira já tinha dado tudo que tinha pra dar. Ninguém suportava mais ficar de salto, a música só piorava e o efeito do álcool consumido em casa estava passando, então as pessoas estavam ficando progressivamente mais feias.
Enquanto jovens cuja mesada é maior que o PIB de pequenos países africanos esperavam seus motoristas, atravessamos a pé os portões do império do luxo paulista, quase sendo atropelados por BMWs e congêneres, chegamos até a civilização e conseguimos dois táxis para nos levar de volta à nossa realidade, que por mais miserável e moralmente questionável que seja, é INFINITAMENTE mais divertida do que tudo aquilo.
Nosso negócio é vida bandida, sarjeta, gente que usa tatuagem como acessório ou que põe uma sunga, se enrola em magipack e vai pra balada sem se preocupar com o que vão pensar.
Mas isso a gente só pode afirmar com certeza porque fez o que Buda falou, foi lá e vini vidi vici.

Quem vê até pensa

 

“Tell Jesus that the BITCH is back”

Assim… Dois meses atrás, quando eu fiz minha tatuagem no braço, tudo que minha mãe falou foi: “Ai Tatiana… Agora você vai ter que achar alguém que goste de você assim, desse jeito, e ainda por cima toda rabiscada”

Bom, vocês estão prestes a entender – se é que não entenderam até agora -, o que ela quis dizer com “desse jeito”.

Eu descobri ele hoje de manhã, mas é um registro de sexta à noite, depois de muita vodka, HIFAY (que deve ser Hi-Fi no dialeto do bar da esquina) e, como não podia deixar de ser, uma batalha épica com meu arqui-inimigo, o whisky.

Dentro de mim habitam muitas personalidades estranhas que despertam com o consumo de etanol, como minha própria mãe TAMBÉM já tinha dito. Uma das predominantes é Heleninha Roitman, que dessa vez ao tomar conta do meu corpo resolveu pseudo-dissertar sobre inclusão digital e a profissão mais hype dos últimos tempos: analista de mídias sociais.

Enfim, assistam e entendam porque quando minha progenitora se manifesta falando essas coisas todas é em tom de desgosto e sincera preocupação, não de ironia.

Sobrevivendo no Pé Sujo

(atendendo à sugestão do Sica, esse post é NSFLunch)

Olha, o que eu vou escrever aqui trata de um estabelecimento específico. Não vou citar o nome, e não é nem por uma questão de responsabilidade jurídica, mas porque algo me diz que essa descrição se aplica a muitos outros estabelecimentos que seguem a mesma proposta, e assim fica mais fácil gerar identificação.
Você sabe como é o tipo de lugar que eu tô falando. Se você já trabalhou, você sabe. Porque é uma entidade que transpõe as barreiras sociais. Não importa se o seu escritório fica num cu de mundo ou no melhor bairro da cidade, sempre tem por perto um daqueles bar-restaurante-lachonete com almoço executivo a 10 reais.

Aliás, vamos refletir um pouco sobre essa denominação: “almoço executivo”. Olha, é pra fuder com qualquer fantasia de infância que você porventura tinha. Porque quando você é criança e vê um executivo, bem vestido, engomadinho, você automaticamente pressupõe que ele almoça no Fasano todo dia. Aí você cresce e descobre que o “executivo” se constitui de arroz, feijão, bife, batata frita e ovo – sendo que o bife, a batata E o ovo muito provavelmente foram fritos na mesma chapa, ao mesmo tempo.
Ok, voltando.
A questão é que inevitavelmente, em algum ponto da sua jornada profissional, por mais que você trabalhe perto de um shopping e tenha um ticket de valor razoável, você terá que recorrer ao sujinho da esquina. Até porque, o fato do “molho especial” que acompanha a porção de fritas conter ingredientes que você prefere nunca chegar a saber quais são não implica na a comida não ser honesta. Talvez até seja REALMENTE boa, e vamos combinar que tem dias que não tem nada melhor que bater um pratão saudável de pedreiro.
Ao longo de alguns anos de vivência, eu compilei algumas pequenas dicas de sobrevivência para uma plena apreciação do seu PF. Claro que existem variáveis, mas três regrinhas básicas são praticamente infalíveis.
A primeira é óbvia: nunca, jamais, sob nenhuma circunstância, visite a cozinha. Aquelas placas que convidam você a fazê-lo não passam de ciladas da ANVISA pra tirar seu apetite. Tem certas coisas que a gente não precisa saber como foram feitas. Você mesmo, por exemplo: você tem consciência que seus pais fizeram sexo pra te conceber. E por mais que a sua origem traga curiosidade, você não gostaria de vê-los trepando. Então porque arriscar descobrir outros processos ainda menos salubres?
Segunda coisa importante: muitos desses lugares oferecem salada como acompanhamento. A maioria, eu acho. Dispense. Porque assim né, uma coisa é você não saber o que passou pela chapa antes do seu prato, mas o simples ato de passar pela chapa dá uma segurança maior. Afinal, os microorganismos alienígenas muito provavelmente foram exterminados pelo calor e contato com outras substâncias que anulem seus poderes de Kryptonita. Agora, salada não.  Salada tá lá, veio da natureza pro caminhão do Ceagesp, do Ceagesp pra feira, e da feira pra cozinha do buteco. Lembra da primeira regrinha? Então…
Pra completar a Santíssima Trindade do Pé Sujo, talvez a coisa mais importante seja a filosofia de vida que você precisa adotar, espécie de mandamento primordial para felicidade: NÃO QUESTIONE, COMA. É uma questão de fé cega.  Ou seja, não olhe muito para comida, pros talheres, ou pro prato. Estatisticamente, a probabilidade de você encontrar alguma coisa é infinitamente maior quando você procura. E como sua avózinha querida sempre disse, “o que os olhos não vêem, o coração não sente” – ou o estômago no caso. Porque se você for prestar a devida atenção, você VAI encontrar fios de cabelo fazendo um flash mob no seu arroz. Então, pra simplificar, apenas faça o seguinte: antes de te servirem, pegue um guardanapo (ou melhor, uns cinco, porque geralmente são daquele tipo vagabundo que mais espalha o sebo do que aborve qualquer coisa) e esfregue toda e qualquer marca de intervenção alienígena dos seus talheres, porque são eles que entrarão em contato direto com a sua boca. Com o prato nem precisa encanar, porque reminiscência de inhaca nenhuma vai ser muito pior do que você vai colocar ali mesmo.
Agora, eu ia deixar uma coisa de fora aqui, mas hoje eu tive uma experiência daquelas de quase-morte sabe? Quando você vê toda sua vida passando como um filme em frente aos seus olhos? Então, tive uma dessas. Praticamente me caguei de medo quando uma pomba-planadora-soviética alçou vôo bem nas minhas costas. Eu nunca tive medo de pombas, mas hoje comecei a ter. De uma em especial, que resolveu que ia fazer companhia pra mim e pro meu amigo. E não adiantava enxotar, porque ela era insistente e voltava. Mas não era em missão de paz a abordagem. Você podia ver a maldade estampada naqueles olhos que não pertencem a Deus. Dava pra ver claramente que ela tava ali com o propósito de espalhar o terror, cavaleiro do apocalipse style.
E isso nem mereceria menção, mas eu SEI que ela não está sozinha. Existe uma legião de pombas enviadas pelo tinhoso assombrando os proletários honestos. E depois de quase morrer do coração, cuspir na mesa devido ao susto e demorar o dobro do tempo que eu normalmente demoro pra comer graças às engenhosas manobras de desvio que se fizeram necessárias, eu devo dizer que a melhor estratégia é ignorá-las. Agir como e elas não estivessem lá, mesmo que você sinta aquelas penas infectas roçando no seu pé. Porque aí elas passam pelo chão, pegam os dejetos e saem fora. É que nem assalto, ou sequestro-relâmpago, dadas as devidas proporções: se você expressar qualquer reação, haverão represálias. E acredite em mim, você não quer as asas negras da morte pairando você enquanto você tenta mastigar um bife que, ao que tudo indica, nunca fez parte de uma vaca.
Mas não se deixe apavorar. Apesar da consistência dos materiais ser altamente subjetiva, das visitas amarradas três vezes em nome de Jesus, e acima de qualquer questionamento sócio-higiênico, o pé-sujo ainda é uma das alternativas mais felizes e economicamente viáveis pra sua refeição. Eu particularmente não vou deixar de frequentar o que tem aqui do lado.

Diploma de Canalhice

O título do post é só porque eu tava aqui ensinando pra todo mundo a nata dos piores xavecos de pedreiro, uma arte milenar e apenas para pessoas de alta evolução espiritual e nenhum senso do ridículo. E tive que rodar a agência toda xavecando inclusive meu chefe, que simplesmente falou “cê é muito canalhinha”.

#cafajestepride

Enfim, eu vim postar mais duas pérolas do feriado. Primeiro a Roberta provando que cerveja em 5 segundos não é tão simples quanto parece (e pagando os pecados por ter me atrapalhado):

Depois nós temos uma demonstração de como o ser humano não sabe brincar. Porque assim gente, era só um jogo de Uno, que acabou aflorando toda maldade e ódio no coração que cada um de nós carrega e reprime.

Mas a minha parte favorita do vídeo é quando a Roberta, indignada, fala pro Paulinho que não tem como, ela não consegue, e ele responde “a Tati conseguiu”, e todo o resto da galere vira e começa a falar “PORRA, MAS A TATI NÃO CONTA” “AHHHH. MAS É A TATI” e derivados.

Muito amor Brasil

Maturidade, não trabalhamos

Tudo começou comigo na 4ª a tarde encontrando um post no TENSO.

Aí chamei a Gabi pra ser minha cúmplice, e obviamente ela achou a idéia o máximo.

Do momento que a gente chegou na praia até quinta à noite, que é quando esse evento ocorre, a única coisa na qual eu e a imbecil conseguíamos pensar era em rolo de papel higiênico, e torcer pra que fosse a Roberta que encontrasse.

Por incrível que pareça, dessa vez o universo conspirou a favor. E melhor ainda, tinha um móvel que ficava na posição perfeita pra deixar a câmera escondida.

Bom, sem mais delongas, vejam a espécie de coisa CRETINA que eu encaro como diversão e reflitam se eu MEREÇO uma vida melhor do que a que eu levo.

A reposta será: NÃO.

P.S.: Pra quem é igualmente imbecil, o post do TENSO com o passo a passo do artesanato é ESSE

P.S.²: AHAHAHAHAHA ta, descobri que a menina do Volta Pro Mar, Oferenda é tão idiota quanto eu. Ta, já não me sinto tão sozinha.

Vale-Miojo

Não, eu não tive nenhuma ideia genial. Mas eu não matei nem fiz merda – o que é uma vitória sem precedentes. Também não morri, embora tenha sido por pouco. Mas não seria um ato voluntário, apenas um acidente derivado de um momento no qual me parecia uma boa ideia dançar lambada meio pendurada na janela do 15º andar.
A questão é que a gente deve tá ficando velho. Eu pelo menos. Porque assim, da última vez que rolou uma viagem desse porte foi na páscoa do ano passado, e daquela vez eu passei 4 dias sem comer, sem dormir e fiz questão de ser uma das últimas a voltar pra SP. Dessa feita eu só pulei UMA refeição, dormi todos os dias (mesmo que no último tenham sido apenas 2h no sofá da sala) e fui embora na primeira leva, depois de limpar a sala.
Aliás, até nisso a gente envelheceu. Tudo bem que no último dia a sala tava de uma imundície ímpar, com uma crosta gosmenta e cinza por todo o chão, mas foi só de sábado pra domingo que geral resolveu perder a higiene. Até então a sujeira tava num nível aceitável e inédito.
Mas também, dá pra entender. Já faz mais tempo que todo mundo se conhece, e apesar de intimidade ser uma merda, agora rola aquela liberdade de esculachar quem esquece a civilização e não coopera. A desvantagem é que ninguém mais se dá ao trabalho de sequer tentar ficar mais bonitinho, então é aquele festival de todo mundo de pijama e meia, sem um pingo de maquiagem nem nada pra disfarçar o estadinho lamentável da manhã.
Outra coisa é que, fora eu, todo mundo que tava solteiro, praieiro e guerreiro hoje em dia namora. E eu finalmente não to apaixonada por ninguém, então neguinho tá nem aí de aparecer com a cara toda amassada e a meia furada.
Enfim. Ainda hoje eu inauguro o canal do eutenhoproblemas no youtube pra vocês terem uma noção audiovisual mais emblemática e impactante das coisas que aconteceram e acontecem. Aí talvez vocês digam que eu tô exagerando e que a gente continua tudo sem um pingo de noção. Mas acreditem, já foi muito mais trash. Hoje em dia a gente tá uma caravana de clínica geriátrica perto do que era.
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Aí eu cheguei me casa ontem e minha irmã do nada solta que sexta-feira começa a copa do mundo e sábado é dia dos namorados. Como eu sinceramente não sei qual dessas duas informações foi mais relevante na minha vida, o que me resta é recuperar esse corpinho porque a sensação que eu tenho é que uma jamanta me atropelou, deu ré e foi de novo só pra ter certeza que tinha me massacrado mesmo.
Ah, só um adendo já que eu mencionei jamanta. Tudo bem, eu sou muito grata pela carona de ontem e por ter chegado em SP em 40 minutos, mas vamo combinar que Imigrantes NÃO É Autobahn e não tem necessidade de andar a 250 por hora porque eu já tava bem enjoada e a velocidade mínima de 130 km/h tornou o exercício de não vomitar na estrada quase impossível. Mas eu perseverei e to aqui. Então coragem Brasil que o mês promete.