Certas coisas marcam nossa infância. Merthiolate é até hoje sinônimo de dor pra minha irmã, por exemplo. Porque quando a gente era pirralha, merthiolate ardia e pior do que cair e se ralar era saber que isso vinha depois. Pra mim o que sempre marcou foi o negócio de ser café-com-leite. Sempre, eu sempre fui a café-com-leite. Porque eu sempre fui a mais desastrada e sem um pingo de sutileza, daquelas que se entregam de cara. E isso sempre me irritou muito, mas eu tinha que aceitar, porque nunca fui boa de estratégia, nem a mais ágil da turma. Eu até que tenho bastante sorte, mas nem todo jogo depende disso. Os que eu gosto costumam depender de habilidade mesmo. Habilidades que eu não possuo, de concentração (alô DDA) a coisas banais como saber piscar (pra jogar detetive, sabe). Coordenação motora não trabalhamos, pra sinuca por exemplo (é, eu não sei jogar sinuca – estereótipos SUCK THAT) e por aí vai.
Masss eu também não sou tão otária assim, então eu comecei a fingir que isso era, sei lá, parte do meu charme (HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA – RISOS INFINITOS).
Agora, chega uma hora que cansa um pouco você ser a café-com-leite. E você descobre o quanto é legal competir. Eu opero nesses dois pólos opostos: ou a completa indiferença ou uma vontade de ganhar que não tem limites. Eu só não sei blefar. A minha vantagem é que eu não canso. Eu consigo virar duas noites jogando dominó, que dirá os jogos mais… interessantes. Eu aposto alto, e jogo até derrubar a mesa ou perder tudo.
O problema é que eu cansei dos jogos de sorte. Eu já aprendi a manobrar a sorte. E optei por parar com eles não só porque ficou chato – nunca fica tão chato assim – mas primeiro porque eu tenho tendência ao vício (como já deve ter ficado bem claro aqui), então pelo menos um seria bacana eu evitar. E segundo porque… Ah, porque eu tenho medo do futuro. E ontem rolou a seguinte conversa:
“Não, minha irmã não dá certo com ninguém. Ela vai ser aquelas velhas solteiras, com 20 gatos”
“Eu tenho medo de ficar assim também. Tipo, sem os gatos, porque eu não gosto de gatos. Mas sozinha sabe?”
“Hahahaha não, cê não vai ficar sozinha”
“Cachorros?”
“Tate, se liga. Você nunca vai ser a véia dos gatos. Ou dos cachorros. Se você não começar a namorar e casar nos próximos anos, cê vai passar cada noite com uma”
“COMO ASSIM MEU?”
“Ah meu, não se faz de desentendida, cê sabe muito bem que você vai putanhar a vida toda se não casar”
“É né?”
“É”
E por mais que putanhar seja melhor que a alternativa, eu não tenho toda essa vocação pra cafajeste.
Tem também o terceiro motivo. Mas esse eu vou deixar pra lá por enquanto, porque eu não quero mais ser café com leite. HA! Afinal, se merthiolate hoje em dia não arde, nada mais justo que eu passar por cima do meu trauma de infância também, por mais útil que ele já tenha sido.
Ahm… In other news… Hoje sexta né, dia de FUCK ART, LET’S DANCE no @seje_menas . Eu, se fosse você, ia ouvir tipo AGORA. E baixava. E lia o blog todo dia. E seguia no twitter. Cause that’s what the cool kids are doing.

FUCK ME, I'M FAMOUS