(Ou: rock so é legal se for perigoso)
SIS: Vi umas coisas lá que você ia querer
EU: Ia querer pra que meu?
SIS: Pra encher o saco, fazer barulho, ficar ridícula, sei lá, essas coisas que você faz
Por muito tempo eu achei que tinha largado a faculdade de Jornalismo por causa das minhas homéricas discussões com o canalha do professor de ética e por gostar mais das aulas de história da arte do que das que realmente diziam respeito à profissão. Hoje eu sei que meu problema com jornalismo era a minha falta de imparcialidade. Depois eu larguei Propaganda e Marketing achando que era porque eu precisava de um tempo fora do país, mas descobri que foi porque me faltava paixão.
Aí voce me pergunta do que eu realmente gosto?
É realmente complicado, eu tenho mania de pesquisar coisas muito a fundo, e levar muito a sério, mas são coisas que não constituem uma profissão. Qué dizê, no que eu poderia me formar graças à minha obsessão por significados e histórias de letras de músicas, por beatniks, punks, Rimbaud e a Factory do Andy Warhol? Nada do que eu gosto MUITO vira diploma.
Mas se tivesse uma faculdade de rockstar, eu teria levado até o fim. De groupie também, quem sabe.
Meu chefe falou esses dias que eu sou o Bukowski. É mais ou menos isso. Bebo demais, fumo demais, me meto em encrenca com mulher demais. A diferença é que eu gosto de barulho, de tudo no último volume arregaçando os tímpanos. Mas fora isso, a essência é basicamente a mesma.
Agora, eu me defino pelo barulho. Música tem que ter o efeito de um LRAD na sua existência. Sabe, LRAD? Só que, ao invés de causar dor física, tem que causar algum tipo de dor existencial, tipo explodir você por dentro, te deixar desorientado e com vontade de se encolher na cama até passar.
Rock não é legal. Rock não é bonitinho. Rock é feio, sujo e está sempre puto com alguma coisa.
Rock é a minha vó, que foi em casa ontem me dar um murro no queixo pra consertar meu maxilar.
Rock é o dálmata da minha prima, que quando fica muito feliz destrói a casa toda e mija no meio da sala de tanta empolgação.
Rock é quando eu, por não saber mentir, sou obrigada a ouvir um monte de merda de gente que, SABENDO QUE EU SOU ASSIM, insiste em pedir minha opinião. Na verdade rock é quando eu ouço o monte de merda e ignoro porque não me importo o suficiente com surtos de auto-comiseração.
Rock é Síndrome de Tourette
Não existem vítimas, cara. Sid não matou Nancy. Eu não fui filha da puta. As pessoas entram em frenesi e se deixam fascinar pela loucura alheia, naquela eterna busca pelo underdog e depois reclamam de sofrerem as consequências disso quando percebem que VEJA SÓ, um vira-lata é sempre um vira-lata e isso não tem graça nenhuma a não ser que você seja uma missionária engajada ou igualmente vira-lata.
Não sabe brincar, não desce pro play.
* Pra quem não sabe, foi no quarto 100 do Chelsea que aconteceram os fatídicos incidentes de 12 de Outubro de 78. Se você ainda assim não sabe do que eu to falando, nevermind the bollocks.