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Fuck Art, Let’s Dance – Ep. 34 – Edição Especial 1 ANO / THE END

Exatamente 1 ano atrás, dia 26 de março – ok, não exatamente um ano mas por diferença de dois dias dá na mesma né -, eu resolvi institucionalizar a putaria e canalizar essa minha missão de vida que é montar playlists. Disso nasceu o Fuck Art, Let’s Dance. O nome veio de um vídeo que eu vi, sei lá, 3 ou 4 anos atrás, que era um projetinho de criança guei que poderia muito bem ser meu filho dançando electro com uma camiseta new rave com essa frase que virou praticamente um lema de vida de uma época que se resumia a exactamente isso. Ainda se resume, de certa forma, mas depois desse 1 ano o Fuck Art, Let’s Dance tá entrando em férias, como direi, permanentes. Talvez um dia eu volte, mas como eu acho difícil, fica uma seleção muito da tetéia, pra marcar tanto a comemoração quanto a despedida.

SAIO DA MIXTAPE PRA ENTRAR NA HISTÓRIA (link do 4shared)

TRACKLIST

Cardiac Arrest – Teddybears feat. Robyn
Barcelona – Plastiscines
Stitch Me Up – Julian Perretta
Magic – B.O.B. feat. Rivers Cuomo
Ten-Twenty-Ten – Generationals
Get Outta My Way (Penguin Prison Remix) – Kylie Minougue
Rolling In The Deep – Adele
Anna Sun – Walk The Moon
Need You – Travie McCoy
If You Wanna – The Vaccines
Too Fake – Hockey
Barbra Streisand – Duck Sauce
Who Am I To Feel So Free – MEN
Second To None – Phoenix
Groslandic Edit – Of Montreal

Fuck Art, Let’s Dance – Ep. 33

Olha eu tive uma semana tão cu que não to com cabeça pra piadinha. Não que as que eu faço quando to com cabeça tenham graça mas ok, o importante é que hoje é sexta e que essa semana o Fuck Art, Let’s Dance tem irish punk porque ontem foi St. Patrick’s Day. Ou seja, hora de beber e quebrar a porra toda.

SIGAM- ME OS HOOLIGANS (link do 4shared)

(tks @ludoamaral pelo link q levou a essa imagem)

TRACKLIST

Blister In The Sun – Violent Femmes
Kids – Two Door Cinema Club
Nice Guys – We Are Scientists
Hands – The Ting Tings
It’s OK – Cee-Lo Green
Get Your Rocks Off – Primal Scream
Human – The Killers
Blow – Ke$ha
(Drawing) Rings Around The World – Super Furry Animals
I Saw It On Your Keyboard – Hellogoodbye
Look At Me (When I Rock Wichoo) – Black Kids
Don’t Slow Down – Matt & Kim
Angel Eyes (Fabriclive Mixed by Cut Copy) – Roxy Music
Spell It Out – Pint Shot Riot
Vices and Virtues – Dropkick Murphys

Fuck Art, Let’s Dance – Ep. 32

Eu to há umas 2 ou 3 semanas sem postar o Fuck Art, Let’s Dance certo? Certo. Isso se chama falta de vergonha na fuça. Mas beleza, agora volta o cão arrependido, com suas orelhas tão fartas, com seu osso roído e com o rabo entre as patas.

O VERSO É REPETIDO 44 VEZES (link do 4shared)

TRACKLIST

Under Cover of Darkness – The Strokes
Bring The Light – Beady Eye
Marathon – Young Liars
Barricade – Interpol
Flux – Bloc Party
Get Some – Lykke Li
I Believe In a Thing Called Love – The Darkness
Armistice (RAC Remix) – Phoenix
Lions In Cages – Wolf Gang
The Shark Fighter! – Aquabats
Rope – Foo Fighters
Flagpole Sitta – Harvey Danger
Click – Little Boots
Jerk It Out – The Caesars

Fuck Art, Let’s Dance – Ep. 30

Hoje é um daqueles dias nos quais a humanidade se divide entre aqueles que tão comemorando a renúncia do Mubarack e aqueles que tão comemorando o lançamento de Born This Way da Lady Gaga. E eu to aqui tentando decidir se desço pra praia ou se desço a Augusta mesmo.

ESSA É A MISTURA DAS GUEI COM O EGITO (link do 4shared)

TRACKLIST

Hurra – Die Ärzte
Fade Like a Shadow – KT Tunstall
Seven Nation Army – White Stripes
Timebomb – Rancid
Blonde Comme Moi – BB Brunes
Starstrukk – 3OH!3 feat. Katy Perry
Lights & Music – Cut Copy
Get Ready – The Blood Arm
First Date Mullet – Pony Pony Run Run
Boy – Ra Ra Riot
Bus Stop Lovers – My Federation
Mine Is Yours (Passion Pit Remix) – Cold War Kids
Dignity – New Politics
Roman History – Pet Lions
You, Me & The Burgeoisie – The Submarines

Quarto 100, Chelsea Hotel

(Ou: rock so é legal se for perigoso)

SIS: Vi umas coisas lá que você ia querer
EU: Ia querer pra que meu?
SIS: Pra encher o saco, fazer barulho, ficar ridícula, sei lá, essas coisas que você faz

Por muito tempo eu achei que tinha largado a faculdade de Jornalismo por causa das minhas homéricas discussões com o canalha do professor de ética e por gostar mais das aulas de história da arte do que das que realmente diziam respeito à profissão. Hoje eu sei que meu problema com jornalismo era a minha falta de imparcialidade. Depois eu larguei Propaganda e Marketing achando que era porque eu precisava de um tempo fora do país, mas descobri que foi porque me faltava paixão.
Aí voce me pergunta do que eu realmente gosto?
É realmente complicado, eu tenho mania de pesquisar coisas muito a fundo, e levar muito a sério, mas são coisas que não constituem uma profissão. Qué dizê, no que eu poderia me formar graças à minha obsessão por significados e histórias de letras de músicas, por beatniks, punks, Rimbaud e a Factory do Andy Warhol? Nada do que eu gosto MUITO vira diploma.
Mas se tivesse uma faculdade de rockstar, eu teria levado até o fim. De groupie também, quem sabe.
Meu chefe falou esses dias que eu sou o Bukowski. É mais ou menos isso. Bebo demais, fumo demais, me meto em encrenca com mulher demais. A diferença é que eu gosto de barulho, de tudo no último volume arregaçando os tímpanos. Mas fora isso, a essência é basicamente a mesma.
Agora, eu me defino pelo barulho. Música tem que ter o efeito de um LRAD na sua existência. Sabe, LRAD? Só que, ao invés de causar dor física, tem que causar algum tipo de dor existencial, tipo explodir você por dentro, te deixar desorientado e com vontade de se encolher na cama até passar.
Rock não é legal. Rock não é bonitinho. Rock é feio, sujo e está sempre puto com alguma coisa.
Rock é a minha vó, que foi em casa ontem me dar um murro no queixo pra consertar meu maxilar.
Rock é o dálmata da minha prima, que quando fica muito feliz destrói a casa toda e mija no meio da sala de tanta empolgação.
Rock é quando eu, por não saber mentir, sou obrigada a ouvir um monte de merda de gente que, SABENDO QUE EU SOU ASSIM, insiste em pedir minha opinião. Na verdade rock é quando eu ouço o monte de merda e ignoro porque não me importo o suficiente com surtos de auto-comiseração.
Rock é Síndrome de Tourette
Não existem vítimas, cara. Sid não matou Nancy. Eu não fui filha da puta. As pessoas entram em frenesi e se deixam fascinar pela loucura alheia, naquela eterna busca pelo underdog e depois reclamam de sofrerem as consequências disso quando percebem que VEJA SÓ, um vira-lata é sempre um vira-lata e isso não tem graça nenhuma a não ser que você seja uma missionária engajada ou igualmente vira-lata.
Não sabe brincar, não desce pro play.

* Pra quem não sabe, foi no quarto 100 do Chelsea que aconteceram os fatídicos incidentes de 12 de Outubro de 78. Se você ainda assim não sabe do que eu to falando, nevermind the bollocks.

Anarchy in The WWW

“[…] não eram pessoas violentas, mas ao proclamar seu ódio e fúria contra tudo, atraíam as mais bizarras reações de todos os lados.”
(Bob Gruen, sobre os Sex Pistols)

“Não existem pessoas lineares. Até mesmo você, que é irritantemente feliz o tempo todo tem uns surtos emocionais”
(minha irmã, sobre mim)

Pois é. Quem me vê falando aqui tem a nítida impressão que eu acordo com a nuvem da Família Addams em cima da cabeça. E a verdade não poderia estar mais longe disso. Eu acordo feliz. Eu tomo sucrilhos de Nescau com Leite Ninho e assisto desenhos animados de manhã. Em casa todo mundo sempre me tratou como café-com-leite porque eu sou a mais lerdinha. Eu não me incomodo com quase nada.
Mas quando eu sento pra escrever, é diferente.

“Você pode seduzir as pessoas para uma consciência de massa. Assim, escrevo pra ter alguém. Há um motivo por trás  de tudo que escrevo. Escrevo do mesmo jeito que me apresento. Quer dizer, você só se apresenta porque quer que as pessoas se apaixonem por você. Quer que elas reajam a você.”
(Patti Smith)

Não é que eu queira que as pessoas LITERALMENTE se apaixonem por mim. Até porque, lendo o que eu escrevo, ninguém em sã consciência e com um mínimo de bom-senso se apaixonaria por mim. Mas de certa forma, eu acho que faço isso porque preciso acreditar que alguém em algum lugar possa se interessar. Não por mim, mas pelo jeito que eu vejo as coisas. E eu vejo as coisas. Eu percebo o que acontece ao meu redor. Mas eu não imponho isso pra ninguém, até porque a minha percepção é derivada de 22 anos de comportamento autista e por isso um tanto quanto “diferenciada” .
Mas eu sinto uma necessidade muito grande de me identificar. Seja com alguém ou alguma coisa. E as pessoas deixaram de surpreender, sabe. Então eu talvez escreva pra me apaixonar por alguém. Pra inventar alguém. Aí eu passo o tempo vasculhando as minhas próprias bizarrices, pra no reflexo delas entender o que eu tanto procuro nos outros que não consigo encontrar.
E mais que isso, eu procuro alguma certeza. Eu não tenho certeza de nada e isso me corrói de um jeito desesperador. A sensação é de viver sempre à beira de um colapso. Eu tenho 200 mil coisas pra fazer, eu gosto de todas elas, mas às vezes eu acordo e falo “não cara, eu não vou dar conta disso”. Cinco minutos depois eu arrumo mais uma coisa. E todas elas fazem parte de um universo rápido demais, mutante demais, infinito demais – que é exatamente o que me fascina. Então eu vivo num constante estado de empolgação que me leva ao limite. E quando eu chego nesse limite eu bebo demais, falo demais, faço merda demais. É um ciclo vicioso, entende? E eu não consigo imaginar minha vida fora dele. Eu não faço sentido fora dele. Por isso que quando eu escrevo eu pareço Johnny Rotten. Eu cuspo na platéia. Por isso que eu me sinto como Iggy Pop, rolando em cacos de vidro, com o rosto coberto de purpurina e cantando “I Wanna Be Your Dog”. Eu sou um personagem. Mas ao mesmo tempo, é tudo de verdade. Eu passo grande parte do meu dia agoniada porque não sei direito o que eu quero, mas eu estou muito feliz com o jeito que as coisas estão agora. Então eu vivo do melhor jeito possível. Aí chego aqui e me dou ao direito de vomitar as coisas que eu não consigo entender como uma metralhadora sem lógica no meio de uma guerra que eu não sei nem contra quem é.