hoje bateu um negócio que eu não sentia desde o comecinho de 2010.
achei que devia deixar isso registrado, pra futura referência ou coisa do tipo.
hoje bateu um negócio que eu não sentia desde o comecinho de 2010.
achei que devia deixar isso registrado, pra futura referência ou coisa do tipo.
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Tagged dando pala, LÁ VEM, no brain, problemáticos, sexta-feira, teimosia
Eu tinha ficado tanto tempo sem sair que tava com medo que o porteiro do 31 não me reconhecesse e perguntasse pelo interfone quem eu era. Graças a Deus, eu tava errada. E eu digo “graças a deus” porque ia me dar uma depressão sem tamanho se isso acontecesse. Seria como se eu tivesse passado tanto tempo em reclusão que teria que começar tudo de novo, reconstruir toda minha reputação do zero.
Ok, “reputação” não é bem o termo. Ta mais pra “ausência de”. Mas enfim, não foi necessário. O dano à minha imagem causado pelos últimos anos é tão amplo e irreversível que bastou eu dar o ar da graça pra todos os demônios ficarem atiçados.
Até porque, antes desse período ermitão, eu já tava meio cansada. As baladas tinham meio que esgotado, eu bodeava cedo. Depois de passar, sei lá, 2 meses enfurnada no cativeiro da pobreza, eu tava com um fogo de fazer derreter o iceberg que afundou o Titanic. Além disso, eu tava há 2 anos sem tirar férias, e duas semanas de folga recuperaram meu fôlego pra tudo – trabalho inclusive.
Eu tava com tanta saudade dessa vida que nada poderia estragar meu retorno a ela. Fora que né, eu já não tenho critério nenhum normalmente, QUE DIRÁ quando to com fogo no cu acumulado. Então…
E o melhor é que sempre tem quem acompanhe. Uns começam a namorar, outros somem, mas sempre tem pelo menos UM filho da puta sem Jesus no coração pra ralar o tchan da dignidade até transformá-lo em farinha láctea com você. Gente que não tem nenhum pudor em oferecer seu mamilo em troca de um vip. E estamos falando de São Paulo, a cidade onde você pode ir ensopada prum puteiro tomar Contini no copo descartável depois de um show de rock, fazer flashmob de “All the Lovers” na fila da balada, abraçar o segurança do Love Story falando que é puta enquanto carrega na mochila uma garrafa de vodka que comprou num karaokê da Liberdade. Ou seja, se você estiver disposto, a diversão nunca tem fim.
Aí beleza, eu voltei. Muita coisa estranha e sem explicação aconteceu nesse meio tempo (e não, eu nem to falando de fazer um cover day-glo da Cindy Lauper), mas as coisas boas foram TÃO boas que eu nem vou me dar ao trabalho de comparar senão me bate uma leve bad.
Todo meu amor aos DJs que tocam sets tão perfeitos que me fazem pular até as 6 da manhã. Todo meu amor aos bares que não expulsam os últimos clientes quando são 4 da manhã e só estão duas pessoas cantando “Volare”. Todo meu amor ao Parque do Povo e suas ladeiras com curvas no final que garantem meus hematomas. Todo meu amor às pessoas que soltam bolinhas de sabão na rua. Todo meu amor a essa minha vocação clichê de aparecer numa pizzaria lotada de famílias num domingo à noite, vestindo skinny jeans, camiseta branca e all-star e carregando um skate. Todo meu amor à São Paulo.
No fim contas, a conclusão é que eu tenho mesmo um encosto violento, mas que a pomba gira sempre bate mais forte e ganha a parada
Turbodrop is fucking back. Escondam suas garrafas de vodka.
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ADENDO:
Eu não to sabendo muito bem o que pensar ultimamente. To com uns rascunhos de texto que não sei se quero publicar, to com um amontoado de coisa em casa e na cabeça e não sei o que fazer com elas. Por enquanto minha única atitude a respeito da bagunça tem sido fingir que não to vendo porque eu não tenho nem ideia de por onde começar a organizar a putaria.
Ao mesmo tempo, como vocês acabaram de ler, tem muita coisa legal pra caralho acontecendo – e eu nem falei tudo. Aí eu fico mais confusa ainda. porque né, tenho preguiça até de escolher qual pizza pedir, que dirá coisas mais sérias.
Então sei lá. Vou tirar umas mini-férias desse role aqui. Mas sem mimimi, pq estarei no Twitter, Formspring, Facebook e PRINCIPALMENTE no Seje Menas. Estarei nos mesmos bares, baladas e sarjetas de sempre.Tudo continua normal. Só não to nessa vibe dos problemas.
Beijos (gregos)
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Tagged badness, OI Q, paunocu, pausa, problemáticos, teimosia
Aperta o play aqui pra ler.
O problema da Augusta é que a gente sempre vai descer a Augusta. Eu, você, todo mundo que tem um passado lá. Porque por mais que a gente tente escapar de tudo que ela nos lembra quando tudo aparenta estar bem, basta alguma coisa dar errado pra gente ver o passado sob outra perspectiva, e aqueles tempos e aqueles porres passam a ter um significado completamente diferente.
A Augusta é como um mínimo denominador comum. O melhor e o pior de cada um de nós está espalhado por entre corpos, copos e bancos tortos de bares imundos. Tudo que a gente é hoje passou pelas mesas de sinuca e esquinas escuras dessa rua que tanto amoleceu nosso caráter com doses generosas de sexta-feira à noite.
O tempo e as decepções te carregam pra longe, mas de repente esse mesmo tempo te arrasta de volta por conta de outras frustrações e você se vê descendo aquelas mesmas escadas, parado em frente àquelas mesmas catracas do metrô Consolação, com a respiração falha por causa da corrida, por causa do atraso, encarando a sujeira impossível dos seus cadarços enquanto uma nova leva desfila aquela liberdade recém-descoberta que já foi tão desperdiçada por tantos antes. Eles exibem nas roupas e nos sorrisos aquele fascínio por tudo que lhes parece tão proibido e ao mesmo tempo tão… CERTO. E você ali, tentando se camuflar, tentando evitar o reencontro com tudo aquilo que para eles é um paraíso. Para eles é tudo novo, pra você não passa de reprise.
A eterna repetição dos passos, dos abraços, das balizas que as cinturas fazem para se encaixarem no espaço entre dois outros braços que possivelmente as guiarão rumo a uma nova existência infinitamente mais interessante. A insaciável curiosidade pelo que pode acontecer quando se está tão próximo de alguém que o ar se torna tão denso quanto o grave de um baixo. O contraste entre o ritmo lento dos movimentos e a rapidez dos goles e o efeito de anestesia temporária que esse fluxo gera. A incansável busca por alguma surpresa, a mesma coisa que você ainda procura.
As certezas deles, que um dia foram suas, hoje pra você não passam de dúvidas. Você aprendeu a abandonar a idéia de certo e errado de tanto se estrambelhar pelas calçadas, e nessa entrega completa às sarjetas perdeu a capacidade de se assustar com as infinitas possibilidades que a noite sempre oferece.
Mas basta voltar pra onde tudo começou que os instintos de antes te dominam. O medo, a vontade de quebrar as regras – as novas regras, aquelas que você mesmo se impôs -, o desespero de aproveitar cada instante antes que tudo acabe, seja lá o que “tudo” for quando não se tem nada a perder.
E segue-se a inevitável sequência de blefes e ensaios de inspiração brutalmente interrompidos por palavras vazias, e você então entende que está fora do jogo. Você precisa de outra coisa, que talvez nem fosse tão difícil não fora impossível.
Impossível porque, ao contrário do que acontece na Augusta, não é uma ameaça que se aproxima cada vez mais de você quanto mais você baixa a guarda. Pelo contrário, se afasta. Impossível porque a Augusta te prepara para um mundo que se desmancha em marcas invisíveis de lábios e digitais nos quadris, mas o mundo real é feito de marcas indeléveis no peito.
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Tagged augusta, bad trip, badness, no brain, pixies, problemáticos, ressaca, rua augusta, sexta-feira, teimosia, vodka
(esse post é inglês porque ele só funciona assim.)
Pra ler ouvindo isso aqui
I tend to fall. I fall all the time, actually. We’re talking here about such a lack of natural balance that I don’t even need alcohol in my system in order to take huge and unexplainable falls.
Obviously alcohol always helps, making everytime I fall seem even worse. But you can’t take seriously what happens when your drunk if it’s during your time sober that it happens faster and you realize the size of the bruises and how much they hurt.
Now, I’m that reckless kind of person that takes bigger steps than her legs are able to handle. Add that to the fact I have a jackass spirit that attracts me to the impossible until I feel I’m pushing every limit and you can imagine the kind of fucked up falls I’m talking about. I could take pictures of the scars I carry to explain it better, but the ones that remain are too little compared to the great ones that already disappeared.
The fall itself is never that bad. Danger is always overwhelmed by the rush that takes over when you reach the point of no return. It’s not even hitting the ground that sucks, cause the adrenaline is still all there and you’re having too much fun to even notice the blood. It’s only after a while that you’re able to realize that what seemed to be a tiny cut might become a major injury.
I’ve fallen over and over. In different places, all over the world, hurting every single part of my body. I’ve broken my arms, my legs, I even cut my head open. I became such a master in the art of falling that physiotherapists threw me a birthday party once, and the nurses of every place I worked waited for me to show up, knowing that I’d end up there at some point of the day.
Still, every fall manages to amaze me. Be it dancing or simply tripping on my own feet, I’m always surprised.
Right now I’m at that part when you feel concrete slicing your skin open and say “oh fuck… Oh wait, I can still stand up, nevermind”. You know, like when you’re riding a skateboard downhill, try to make a turn at the bottom, fail and get thrown into the air. The impossible speed and sudden change of direction awake all of your senses just to numb them all the next second, so you can’t tell exactly how it is that you’re hitting your back and your knees all at once when they’re in opposit sides of your body. You feel like you’re still able to keep riding, but as you get back on your feet you begin to wonder how bad will it look once this is all over.
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Aí vem minha avó e diz que não pode ouvir Lulu Santos até hoje sem lembrar de mim. Porque quando eu tinha meus 8 anos eu implorava e fazia ela gravar todas as músicas dele em fitas k7.
É, eu gosto de poesia barata. De poesia fácil. De frases rimadas. De xavecos furados. Eu gosto de acreditar que escreveram pra mim. E como ninguém escreve e eu escrevo até pra quem eu não conheço eu me apego à idéia de que certas músicas foram feitas pra mim, nem que sem querer.
Começou porque minha me dizia quando eu era pequena que o Cazuza SÓ PODIA ter escrito “Exagerado” pensando em mim. Depois foi “Faroeste Caboclo” dizendo “nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpião”. E por aí foi, tem músicas que marcaram tanto algumas épocas que eu fico até com um pouco de vertigem de tanto lembrar quando escuto depois de um tempo. Eu até ia listar aqui, mas vai me dar labirintite se eu parar pra pensar demais nisso.
E né, I digress. Não é essa a questão.
Eu mudei todas as minhas senhas (todas, hahaha, era uma só pra tudo). Eu parei de usar a correntinha no pescoço (ugh, preciso de outra ASAP). Tudo pra tornar os próximos dois meses e meio os mais agradáveis possíveis. Desapego, desapego, desapego. Eu queria que alguém escrevesse pra mim.
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Foi o que a minha mãe disse quando eu tinha, sei lá, 14 anos e falei pela 1ª vez que queria fazer uma tatuagem. 8 anos depois tamo aí, com 5 delas, 2 piercings e muitos planos. MWAHUAHUA
Eu já tinha pensado em explicar cada uma delas, mas acaba que fica MUITO cafona quando eu escrevo. Fora que me dava preguiça. Pero, como me perguntaram no formspring eu achei válido. Então vamo lá.
Favor relevar a qualidade das imagens.
A 1ª foi essa:
Na real esse desenho é o logo de uma escola de ballet. Eu fiz ballet mais da metade da minha vida, believe it or not. Não nessa escola, e nem é pelo ballet em si que eu escolhi isso. Tá, de certa forma até que foi. Porque eu fiz ela pra minha irmã, que é bailarina. Mas no fundo, é por que parece que essa silhueta tá voando, e eu sempre precisei disso, voar. Esse salto é a melhor representação da liberdade ilimitada que eu sempre quis ter. E o “forever and ever” embaixo é por causa daquela música, “I Say a Little Prayer For You”, que é minha e da minha irmã. Pra eu lembrar que, não importa quão longe eu vá, eu sempre tenho pra onde e PORQUE voltar.
Depois veio essa:
Assim, eu não tive pai. Eu tive um cara que gentilmente cedeu um esparmatozóide que possibilitou minha existência. Pai é quem te dá o 1º caldo no mar, quem segura sua bicicleta quando você tira as rodinhas. Pai foi o meu tio. 4 anos atrás ele morreu. E eu pirei. Mas assim, não foi pouco (#tarjapretafeelings). Uns meses depois, no dia dos pais, uma tia minha foi fazer uma tatuagem e eu fui lá de à toa, só pra acompanhar. Começou a tocar aquela música do Gil que diz “há de surgir uma estrela no céu cada vez que ocê sorrir…” e eu não pensei duas vezes, pedi pro cara tatuar no meu pulso. Pra eu sempre ver e sempre e lembrar do homem que acreditou em mim e me tratou como se eu valesse a pena. Que teve orgulho de mim não por eu ter feito nada demais, mas só por saber que eu não ia jogar minha vida no lixo.
A 3ª foi esse H2O
Tá, acho que todo mundo sabe que em 2008 eu fui pro acampamento ser salva-vidas né? Então. Eu trabalhava num lago, waterfront sendo o termo técnico. Tudo que era endereçado aos salva-vidas vinha marcado como H2Ofront. E como foi lá que eu aprendi a enxergar as coisas por outra perspectiva, a ir até o fim, isso é uma espécie de agradecimento pela lifechanging experience marcado pra sempre.
Aí ano passado meu aniversário caiu no carnaval (volta e meia cai) e eu fiz essa:
Fiz porque assim… Até bem pouco tempo atrás, eu tinha fobia de compromisso. Eu era completamente incapaz de me entregar. Isso me fez perder oportunidades, machucar pessoas e ME machucar (porque doía, mesmo que não parecesse). Eu escolhi o Banksy porque ele é um puta de um fodido e eu pago uma pau pra tudo que ele faz. E esse desenho porque, primeiro, na obra original tem uma frase do lado – “there’s always hope” – que dá todo o sentido pro conjunto. Segundo porque eu aprendi, do pior jeito possível, que de nada adiantava eu ficar segurando meu coração. Eu tinha que deixar ele ir onde ele achasse que precisava ir. Se eu desse sorte, alguém podia devolver ele pra mim. Ou não, mas o vento em algum momento ia trazer ele de volta. Ou levar pra algum lugar melhor.
E a última eu expliquei faz pouco tempo, essa aqui:
É porque eu, apesar dos pesares, tenho uma espécie bizarra de timidez que me impede de falar direito o que eu sinto. Eu travo. Eu mando músicas, faço mixtapes pra tentar me expressar. E obviamente, nem sempre obtenho sucesso com isso. Porque as pessoas não são obrigadas a entender a mesma coisa que eu. É uma mistura de timidez e inocência, porque é quase inocente, infantil, esse jeito de sentir e lidar. E por isso um desenho do Kurt Halsey. Toda obra dele é baseada nisso e retrata essa delicadeza, que no meu caso é quase idiota.
As próximas depois eu conto =)
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Tagged bichice, no brain, problemáticos, tatuagem, teimosia
4 meses. Tem quase 4 meses que eu não me apaixono por ninguém. E eu sei que é o cúmulo da futilidade, mas eu não funciono 100% se eu fico muito tempo sem isso. Eu sinto falta das vontades. E eu não digo vontade de beijar alguém. Isso eu tenho sempre, e chama falta de vergonha na cara.
Eu sinto falta da vontade de pegar na mão de alguém. De levar alguém. E cara, que falta faz isso. Eu perco completamente o foco se eu não tenho alguma coisa me atormentando por completo. Porque é sempre assim quando eu me apaixono né? Eu fico de um lado pro outro tentando fazer funcionar. E nunca funciona, mas faz o resto todo funcionar. Porque é tamanho desespero, tamanha ansiedade, que eu viro um trem bala, tirando tudo da frente, organizando tudo, tentando deixar todo o espaço possível praquilo.
E agora quase 4 meses com tudo lindo e organizado e bonitinho e no lugar, eu to começando a fazer sujeira. Eu to desmontando tudo e jogando de qualquer jeito, até chegar num ponto de caos completo, só pra me apaixonar de novo e entrar nessa porra de ciclo vicioso outra vez?
Cara, é RIDÍCULO.
Porque eu não consigo me deixar em paz?
Então eu to aqui, 4 meses depois e NO LIMITE. Eu to começando a ficar com todos os sintomas que eu tenho antes de surtar. Eu não sinto fome mas como. Eu como e a comida fica entalada na garganta. Eu já já começo a vomitar, meu nariz começa a sangrar e todas essas coisas nojentas e desnecessárias. Fora que eu escrevo menos e bebo mais e isso nunca deu certo.
Mas né, que jeito? Eu não tenho como controlar.
E outra, às vezes nem é isso. Às vezes é só porque Junho tá chegando e eu fico uma puta duma mala sem alça em Junho, Julho e Agosto. Às vezes é só porque eu preciso de férias.
Eu não acho que seja, mas o jeito é esperar pra ver no que vai dar.
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Agora, tem uma coisa que me comove de verdade. ISSO SIM que é amor.
Veja bem: a pessoa aceita que eu tenho 5 tatuagens e que uma delas é bem grande, bem colorida e bem visível. Aceita que eu sou gay. Aceita que eu fumo, bebo e vivo na balada de 5ª a domingo. Aceita que eu converso com meu peixe. Aceita tudo, MENOS a cor dos meus esmaltes. Fica puta, DE VERDADE, toda vez que eu faço a unha.
Prioridade, não trabalhamos.
(mas vai ver é exatamente por isso que no fim das contas a gente se entende de um jeito que ninguém mais consegue)
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Tagged burrada, família, no brain, problemáticos, segunda-feira, teimosia
Quando você tomar café da manhã com os paraibanos mais casca grossa da Rua Augusta
Quando você passar um dia tomando pinga e jogando sinuca com eles, depois de virar a noite bebendo
Quando você se ver sozinha no meio da Paulista à meia noite, sem dinheiro pra pegar o ônibus de volta
Quando você pular de um carro em movimento
Quando você chutar um mendigo porque ele tentou roubar seu copo de vodka
Quando esse mesmo mendigo te der um cigarro na noite seguinte
Quando você passar uma semana debochando do sentimento de alguém, levando esse alguém pra casa e chutando pra fora de lá logo pela manhã
Quando você acordar no meio da Represa Guarapiranga sem saber exatamente como foi parar lá
Quando você der um show dançando Menina Veneno num posto de gasolina na Mooca e vomitar suas tripas na sequencia
Quando você se ver pendurada de cabeça pra baixo num portão porque sua bota prendeu enquanto você tentava fugir da casa de uma amiga
Quando você começar a vagar pela Zona Norte deserta por horas, de madrugada, porque se sente uma imbecil
Quando você desaparecer por um fim de semana, ficar fora de alcance e deixar todos os seus amigos à beira de um ataque de nervos
Quando você for apresentada para as mesmas pessoas mais de 7 vezes e mesmo assim não lembrar o nome delas
Quando você abraçar o segurança da Love Story às 6 da manhã, dizendo que é puta pra não pagar entrada
Quando você pegar carona com seu ex-cunhado mais detestável porque ele te encontrou perdida e bêbada no meio da Santo Amaro
Quando você entrar no meio de um triângulo amoroso que pode destruir todo o seu círculo de amizades
Quando você tomar calmantes e chorar até dormir
Quando pisarem em cocô de cachorro e logo depois te pedirem em namoro.
Quando voce responder “voce tá usando drogas?” a essa pergunta.
Quando você passar uma semana sem dormir nem comer e tomando catuaba desde as 9 da manhã
Quando você pisar no seu orgulho
Quando você conhecer a história de vida dos bêbados profissionais da Augusta
Quando você for reconhecida pelo que sempre bebe, e lembrada sempre que alguém pede essa bebida
Quando você passar dois anos nesse ritmo, aí talvez você entenda o que eu quero dizer.
Quando você sobreviver a tudo isso e for jantar com a (o) sua (seu) “ex” – entre aspas, porque você nunca nem chegou a namorar – e o (a) atual dela (e), e der risada desse tempo em que tudo era complicado.
Quando você sentar para beber nos botecos mais imundos que um dia foram sua segunda casa e perceber que você tem o direito, que você pode fazer isso – pode, não PRECISA
Quando você der um suspiro de alívio e perceber que nunca esteve tão bem.
Aí você vai entender o que eu digo:
Ainda bem que acabou, mas VALEU A PENA.
Aproveita e corre lá no Seje Menas que hoje é dia de Fuck Art, Let’s Dance!
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Tagged acho digno, augusta, epifania, no brial, nostalgia, paunocu, pobreza, problemáticos, teimosia, vodka com groselha
O mais engraçado (e patético, e na verdade quase triste) é que esses posts que causaram tanto tumulto não foram nem escritos agora. Eles não são nada além de trechos de um livro que eu comecei mas, como quase tudo na minha vida, larguei mão de terminar. Ou seja, eles foram escritos faz tempo. Em abril de 2008, pra ser mais precisa. ABRIL DE 2008. Ou seja, antes mesmo que eu conhecesse quem se ofendeu tanto com eles.
Aí você me pergunta: se eles são de quase dois anos atrás, porque postar tão convenientemente agora?
Acho a dúvida justa, assim como acho justa a raiva. Mas também acho que tenho o direito de não esclarecer nada pra nnguém. Eu sabia que publicando na internet eu estaria me sujeitando à todo tipo de interpretação, inclusive as erradas. PRINCIPALMENTE as erradas, que mais cedo ou mais tarde poderiam me dar dores de cabeça. Agora, eu também tenho minhas dúvidas. E vim expressá-las.
Gostaria de entender como alguém tem coragem de se dizer capaz de compreender o que um texto quer dizer. Não existe isso, essa possibilidade da compreensão plena das palavras. Tem coisas que você lê, acha que entendeu perfeitamente, lê de novo e entende tudo diferente. Daqui dois meses, dependendo do que acontecer na sua vida, você vai enxergar um texto com outros olhos. Daqui dois anos, sua interpretação das coisas será completamente diferente. Não há porque escrever senão para confundir todo mundo, inclusive o próprio autor. E eu digo isso porque se aplica à coisas que eu li e que eu escrevi. Só porque é um blog as pessoas tem o direito de simplificar a significação? Ou isso tudo é porque se trata do MEU blog? Vocês acham que isso aqui é um diário ou que eu sou tão incapaz assim de misturar ficção em nome da estética?
Sei lá. No fim tanto faz. Não retiro uma palavra do que falei e escrevi, aqui e em qualquer lugar. Respeito as reações negativas, mesmo as mais infantis e ignorantes. Só não venham dizer que conhecem minhas verdades. Delas ninguém sabe. Partes delas até escorrem pelas palavras, mas muito pouco. O resto eu guardo comigo. Ao contrário do que pensam, que eu cuspo aqui tudo do que sou feita, eu me reservo bastante. As coisas com as quais eu realmente perco tempo, que me atormentam e pesam no meu peito às vezes até tentam escapar. Chegam até a ponta dos dedos. Mas aí eu fecho a mão e prendo, impeço que se transformem em texto.
Ninguém sabe de nada.
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Tagged apocalipse, escrotidão, paunocu, teimosia
… não to nem aí!
Já me definiram como “escrota” muitas vezes, e eu nunca entendi o porque. Hoje caiu a ficha. O meu problema é que eu só faço o que eu quero, e ninguém me convence do contrário. Nem com ameaças.
Quando eu entrei no Jardim de Infância, eu não queria ir pra escola. Todo dia me forçavam. Eu era levada pra sala de aula por dois seguranças. Até que um dia eu consegui me soltar. Arrebentei a cabeça na tentativa de fuga, mas não fui pra aula. Quando eu tinha uns 5 anos, eu não queria comer a salada. Minha mãe falou que eu não ia comer nada até que eu comesse a salada. Um dia e meio depois, tremendo mas ainda me recusando, minha avó viu que era uma queda de braço inútil e me deu comida. E por aí vai.
Eu tive mais prejuízos do que ganhos com essa teimosia. Mas mesmo assim, eu continuo igualzinha. Você pode pensar que eu sou meio retardada, que os danos que eu causo não compensam os resultados – e nem sempre há resultados, devo confessar. Eu não acho que sou retardada. Obviamente, nem sempre eu consigo o que eu quero. Mas no fundo, acho que isso não importa tanto. Eu nem sei o que eu quero grande parte do tempo. Mas eu sei muito bem o que não quero.
Então no fim das contas, eu não preciso conquistar nada. Eu só preciso manter longe de mim aquilo que não me interessa. E isso eu sempre consigo.
Essa insistência que eu vejo nas pessoas, essa ânsia em alcançar objetivos, nada mais é do que a necessidade de provar algo, de provar-se. E eu não preciso me provar pra ninguém. A única coisa que eu preciso é me sentir bem. O resto é lucro.
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Tagged epifania, escrotidão, marlboro light, teimosia