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12 problemas bucais? Não num carnaval saudável

Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante…

troféu hang loose de farofagem, categoria forever alone

- Eu me prostitui.
- Como assim?
- Beijei o vendedor de cerveja e ganhei uma latinha.
- Essa que tá na sua mão?
- Sim.
- Aquele vendedor lá atrás?
- Sim.
- Eu paguei por ela.
- Eu me prostitui à toa então?
- Como sempre né.

Ok, não foi muito tempo atrás, nem numa galáxia muito distante. Foi entre sábado de manhã e terça à noite, no Rio de Janeiro. Carnaval, pros leigo.
Depois de muita cagada e vou-não-vou, eu arrumei passagem, joguei meia dúzia de roupas na mochila e fui. E antes mesmo de chegar na rodoviária eu percebi que teria me arrependido muito se não tivesse ido – leia-se ainda no metrô já tinha gente pagando peitinho.
O ônibus atrasou 3 horas, o suficiente pra eu me curar da ressaca de 5ª, ficar razoavelmente bêbada de novo, cantar aquele hino da farofa da Jennifer Lopez e/ou Kaoma na plataforma e capotar daqui até a ~cidade maravilhosa~. Aliás, a ressaca de 5ª foi a última, porque dali em diante nunca mais deu tempo de ficar sóbria. Ainda bem, porque levando em conta as fotos que começaram a aparecer hoje, eu não queria lidar muito com a nossa cara de quem tinha sido atropelado por 7 jamantas de croquetes mornos de catuaba, vodka, cerveja, chalise, whisky e seja lá mais o que a gente bebeu.
SOBRE BLOCOS: amei todos, mas o destaque fica pro Bloco da Bomba de Efeito Moral, logo seguido pelo Bloco das Entidades Mitológicas, que teve um chill out sensacional com a participação de Marimunda, a prima caiçara de Maria do Bairro e Marimar, comandando o trio elétrico dos tatuís. Pra quem não sabe, esses foram blocos pop-up surgidos em algum lugar entre Botafogo ou Flamengo e foram até o Leblon tossindo e sambando. E beijando estátuas. E subindo em postes como se fossem pole dances. E fazendo amizades nas delegacias. E sendo pedido em casamento por pessoas de sexo AND idade indefinidos que batiam leque como se a sarjeta fosse a ilha de caras. E outras coisas que eu não lembro porque amo/sou amnésia alcoólica, fora aquelas que a responsabilidade jurídica me impede de contar.
SOBRE PASSEIOS: recomendo bastante andar de ônibus de um lado pro outro, especialmente da Lapa até Ipanema, onde você pode encontrar o Bonde dos Gringos de Bristol, fazer amizade com eles e descobrir que aquela regra do “falo inglês melhor quando to bêbado” não vale pra todo mundo, fora descobrir o tamanho da viadagem generalizada quando alguém falar “canta pra eles uma música da inglaterra” e outro automaticamente começar um tributo às Spice Girls. Além disso, você pode de repente se ver envolvido no meio de um Baile Funk improvisado, no qual a sensualidade e o requebrado natural dos seus quadris será favorecido pelo movimento das lombadas.
Enfim, o Rio continua lindo. Só algumas tatuagens que são feias demais.
Beijos pra quem perdeu tudo numa enchente, depois perdeu tudo em outra enchente. De hoje em diante vou tomar jeito porque minha vida não tá fácil… pra ninguém, pra mim tá tranquila

PS.:Meus sentimentos pós-carnaval se resumem na seguinte música:

I want the world to stop, give me the morning (give me the understanding)

Lindúzios: o reveillon da inadequação

Dia desses, numa conversa qualquer, eu reparei que eu e meus amigos passamos a nos referir aos outros de uma forma que beira o código. Eu explico. Toda vez que um de nós quer apresentar alguém pro grupo, a primeira pergunta a ser feita é: “mas ele (a) é… 31?”. E a resposta é sempre uma dentre essas duas: um “ahm… não muito…” hesitante ou um “BEM 31″ quase psicótico.

Ser “31″ não tem nada a ver com orientação sexual, emprego, gosto musical. É uma questão comportamental. É atingir um estágio de hiperatividade e indiferença ao que pode ser considerado ridículo que causa um misto de medo e admiração nos demais. A falta de noção é tanta que parece proposital, calculada. E muitas vezes realmente é. Ser “31″ é, basicamente. confundir – sendo o mais óbvio possível.

Tá. Toda essa introdução foi pra dar um mínimo de sentido ao relato que se segue, de uma semana em Búzios que talvez tenha durado um mês, talvez apenas uma noite. É difícil dizer, primeiro porque meu fígado e minha memória apontam cada um para um desses extremos, segundo porque tiraram o relógio da casa “porque tava muito bom e eu não queria que o tempo passasse”.

Enfim, sigam-me os bons.

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Essa é minha vida, esse é meu clube

Vou contar pra vocês a história da última Oui Oui do ano, que aconteceu nessa sexta-feira:

1. Eu não lembro de chegar lá
2. Eu não lembro do que aconteceu enquanto eu estava lá
3. Eu não tenho ideia de como eu fui embora.

FIM.

Epílogo:
Fui pra auto-escola sábado de manhã, ainda meio bêbada e sob um sol do SENEGAL, e encontrei um rato morto estendido no asfalto. EEEEEEECAAAAA (é sério)

Moral da historia:
Caso eu tenha: te agarrado / puxado assunto com você e falado alguma coisa inteiramente sem sentido / te ignorado, DESCULPA. Eu não tinha nem ideia do que tava fazendo ali.

—> Fica aberto aqui o espaço pra vocês comentarem me dizendo se, afinal de contas, a balada tava legal ou não. Fica inclusive o apelo pra vocês me mandarem e-mails (de preferência longos e detalhados), sobre eventuais interações que tenham ocorrido entre eu e você. Sério.

Querido Diário

Você começa com uma latinha de Jack und Cola (amor verdadeiro, amor eterno). Passa pra cerveja. De repente, caipirinha. Quando você vê, está fumando do lado de fora do bar enquanto um cosplay de Narcisa Tamborindeguy joga gelo na cabeça da galera pela janela do lounge do 2º andar gritando que perdeu o Blackberry. Bacardi. Aí você já bebeu o suficiente pra ter conversas um pouco sérias demais que atacam sua gastrite, então volta pra cerveja.
Olha, resumindo: por volta de 3 da manhã eu já não sabia nem quem eu era e tava no meio da Augusta, enquanto alguém gritava “EU QUERO VER PEITOLA” e a galera negociava a entrada com direito a duas cervejas nesse distinto recinto:

eu ainda prefiro o puteiro da sara

Isso tudo ainda era sexta-feira, ou seja, mais 3 dias de feriado pela frente.
Algumas horas depois eu acordei com outro cosplay, dessa vez de Regan MacNeil, grunhindo esse jogando em cima de mim. E assim, quando eu durmo é todo um processo pra me acordar, porque eu capoto. Mas aí o demonio caiu em cima do meu braço recém-tatuado, e a dor impulsionou uma reacção um tanto quanto violenta. De olhos ainda fechados, eu dei um empurrão tão joselito que a pomba gira saiu daquele corpo, que saiu andando normalmente e murmurando que ia fritar um ovo pra comer antes de dormir – EXORCISMO OGRO STYLE HOW ABOUT THAT?
Sábado começou com uma espécie de flashmob de quatro indivíduos – todos sóbrios, diga-se de passagem – dançando “Sometimes”, da Britney Spears, em frente a uma Barbie de vestido de gala na vitrine de uma loja de brinquedos qualquer. Algumas horas depois, a ausência de tequila na balada me levou a misturar vodka com energético à vodka pura e alguns B-52′s flambados ao som de “Whip My Hair”. Dica: bater cabelo depois de ingerir aproximadamente um litro de destilados funciona no seu cérebro como um blur de strenght 85% no Photoshop. O resultado é que você pode acordar ainda bem bêbada. Bêbada o suficiente pra calçar uma Havaiana de cada cor e quem sabe sair pro posto de gasolina com a intenção de comprar Gummy Bears e voltar de lá com a Playboy nova.
Mas depois de 30cm de frango teriyaky do Subway eu voltei a ter consciência do que estava acontecendo. Lá pelas tantas meu lado Amélia aflorou e eu passei grande parte da noite cozinhando. Tinha tudo pra ser uma coisa inocente – e seria, não tivessem aparecido com uma garrafa de Absolut e um suco de LICHIA pra tomar em shots.
Acordei na 2ª feira com o barulho da tia recolhendo o equivalente a dois engradados em latinhas amassadas e espalhadas pelo chão da sala. Uma das poucas memórias que eu tenho é de ter passado roupa às 2 da manhã – ou de pelo menos ter feito pose como se estivesse passando (Amélia bateu FORTE, qué dizê).
Não sei bem como terminar esse post. Vou colocar uma música que eu curto, só pq eu curto mesmo. Nada nessa porra fez sentido nenhum mesmo, então foda-se.

Toda nudez será debitada

Ah, a The Week… Esse fascinante ambiente onde as guei se comportam como lambaris numa frigideira, onde você vê mais gente usando óculos escuros que camiseta, onde abundam os pirulitos.
Eu sempre tive um pouco de preconceito com a The Week, não sei bem pq…

ENFIM
Eu só ia pra lá quando tinha Gambiarra. Aí eu comecei a ter preguiça do Gambiarra e resolvi que não ia mais gastar a dignidade, a paciência na fila e 60 reais em táxi nesse distinto estabelecimento. Mas como eu sou uma pessoa justa – leia-se já tava tão toda cagada que se insistissem até pro setentinha eu tinha ido. OK, TALVEZ NEM TANTO -, saí do trabalho sábado à noite e fui exercitar a esperança na humanidade e/ou a ausência absoluta de critério nessa renomada, QUIÇÁ lendária buatchy.
Bom, essa é a parte que eu deveria fazer um relato em flashs de como foi uma noite épica repleta de eventos bizarros e regada à quantidades industriais de álcool. Mas isso é tão recorrente e vago, tão independente de tempo/espaço na minha vida, que eu poderia estar falando de um bingo da terceira idade ao meio dia de 2ª. O propósito aqui é falar das maravilhas que SÓ na The Week você encontra.
Porém, a moral e os bons costumes – sem falar na responsabilidade jurídica -, me impedem de divulgar esse tipo de informação.
Tudo que eu sei é que por volta de 8 da manhã, quando aquele excesso de proteção ocular contra raios uv já fazia sentido, estava eu com um copo de vodka e energético gentilmente fornecido pela Barbie Single Ladies (não precisa de pilhas, basta colocar gelo que ela dança!) nas mãos e fazendo o vocal base de um rap.  E que quando finalmente todos os bares do lugar fecharam, por volta das 9, ainda tinha mais gente rebolando no queijo da pista do que em muita balada no auge da noite.
O grande aprendizado do fim de semana foi: o McDonald’s NÃO serve Big Tasty antes da onze da manhã, não importa o quanto você insista. Não adianta chorar, pedir pelamordedeus, gastar 40 minutos e 30 reais de táxi no drive thru esperando que os atendentes mudem de idéia, NÃO serve. Levarei pra minha vida esse importante conhecimento.
Por fim, deixo vocês com essa imagem, uma foto do elevador do prédio aqui da agência, que não tem nada a ver com o resto do post mas que eu achei de uma gentileza ímpar com as pessoas feias.


Beijos pra quem curte Salvador Dali.

O Apocalipse Fluorescente

Teste de personalidade para saber se seus amigos são normais.

1. Dê a eles o estímulo visual abaixo e aguarde pela reação deles:

a. “Hmm, bacana”
b. “Aff que bizarro”
c. “MANO VAMO FICAR FLUORESCENTE”

Se a resposta for a ou b, ok, eles são normais.

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“she looks good but her boyfriend says she’s a mess, she’s a mess, she’s a mess…”

Aí voce acorda num domingo, precisando mais de um banho do que de amor na vida, levanta da cama enquanto todos ainda dormem e vê um salão miraculosamente limpo e três corpos estendidos quase sem roupa num colchão de ar ao lado de um lixo virado, com algumas poucas latinhas espalhadas pelo chão. Você começa a se perguntar se tudo aquilo foi real mesmo. Você entra no banho e, enquanto a água escorre pelo seu corpo, começa a pensar no seu amigo. Não desse jeito indecente, seus pervertidos. Por causa da cachoeira azul e rosa que não sai do seu cabelo de jeito nenhum, por mais que você esfregue UM TUBO de Pantene Restauração Profunda no mix de laquê e tinta que vai da sua franja até o recôndito mais profundo da sua alma.
Tá bom vai, deixa eu explicar melhor. Acontece que o 31 crew é composto por indivíduos que não se contentam em assistir as coisas. Quando a gente vê alguma coisa excepcional – mesmo que seja excepcionalmente bizarra -, a gente tem que fazer também. Por isso todas as nossas festas são praticamente uma experiência de alucinação coletiva, seja destruindo um motel, horrorizando uma casa de swing, fazendo uma guerra nuclear de glacê ou constrangendo seguranças de condomínios fechados do interior que até desistem de pedir pra abaixar o volume do som quando se deparam com entidades fluorescentes.
Então quando a Ke$ha apresentou “Your Love Is My Drug” no Saturday Night Live, nossa reação imediata foi descobrir como e quando obter esse efeito de apaches pop. Alguns tutoriais e experimentos depois, ficou decidido que a “Dance in the Dark” seria em Outubro, numa chácara, para evitar o contato com a sociedade depois da aditivação das nossas consciências com pigmentos cujo efeito no nosso organismo só será verdadeiramente conhecido pelas gerações seguintes (alô Césio 137).
E foi nesse sábado ensolarado – ensolarado, ao que tudo indica, graças a um despacho envolvendo tapetes vermelhos e claras de ovo no telhado – que finalmente demos vida à essa magia de tinta corporal, sabão em pó, água tônica e luz negra. A caravana partiu rumo à Rio Claro por volta de meio dia, e depois de testar o limite de tolerância da psique humana cumprimentando cobradores de pedágio com a cara pintada de guache branco, fazer um breve tour por points gastronômicos como o 1000-ki shake ki-delícia, abastecer o carro com álcool adulterado num posto abandonado, ficar preso no meio da estrada onde o celular não pegava e havia um carro velho largado no mato – EM SUMA, DEPOIS DE QUASE SERMOS ESTUPRADOS E ESQUARTEJADOS, chegamos ao nosso destino.

 

culinária conceitual

 

Bom, como vocês devem imaginar, o que se seguiu foi um festival etílico e artístico que resultou em moicanos, gueixas, dominatrixes, tudo isso ao mesmo tempo e nada disso, numa compulsão por tinta que não podia ver meio milímetro de pele sem brilhar que já entornava mais um pote. Meu cabelo por exemplo foi definido da seguinte forma:

“Ah, ele falou ‘agora você vai brilhar DE VERDADE’ e derramou o pote azul no rabo de cavalo”
“Brilhar de verdade? Pelamordedeus, a gente já tava brilhando tanto que devia dar pra ver no Acre. Deve ter aparecido uma porra dum ponto fluorescente no Google Earth”



E foi assim que os atletas do grupo resolveram treinar pra São Silvestre Naturista correndo no campo de futebol. Foi assim que alguns chegaram até a voar, como gaivotas delirantes impulsionadas por troncos de árvore que apareceram DO NADA no meio de seus caminhos. E foi assim que, à meia noite, cantamos parabéns ao som de Lady Gaga. Foi bonito. Diria até que escorre uma lágrima singela só de lembrar, mas confesso que não lembro muito bem.
Depois continuamos com as atividades normais da programação: performance de go-go neon boys, ginástica arrítimica e um jogo de shots que me deixou com uma injusta imagem de alcoólatra. AGORA, veja se vocês não concordam comigo: o termo SHOT implica você beber todo o conteúdo de um copo num só gole. Se o moderador da bincadeira coloca um copo de 250ml de vodka e grita “SHOT!”, você entorna os 250ml de vodka goela abaixo, certo?
Não?
Tá bom vai.
O que importa é que todo mundo acordou com vida na manhã seguinte, pronto pra ir pra piscina e usar como bóia o colchão que alguns minutos antes servia de cama pra três indigentes. Não to discriminando ninguém, indigentes todos estávamos, mas só a cama deles virou instrumento recreativo.

 

obra de arte coletiva

 

Foi um domingo bonito, que permitiu que todos chegássemos no limite da insolação e, dez minutos depois, estivéssemos correndo na chuva pra lavar a alma (ou a tinta remanescente no sovaco, depende da sua inclinação filosófica). No fim da tarde juntamos nossos trapos, num óbvio desperdício de espaço na mala visto que grande parte, senão toda, a roupa utilizada tem como destino inexorável a lata de lixo, colocamos o bolo no porta-malas e partimos de volta à essa realidade tão carente de neon que nos aguardava.

 

ninguém tava afim de carregar no colo

 

Parabéns a todos os envolvidos por essa dor em lugares do meu corpo que eu nem sabia que existiam, por esse penteado involuntário que eu to cobrindo com meu gorrinho de Amsterdam e já me rendeu o apelido de “Bicho de Sete Cabeças” na agência – o que, imagino eu, não é só graças ao gorro mas ao conjunto da obra -, pela beleza e pela pró-atividade.
Não, mas sério. Parabéns pra todo mundo. Pro Fe pelo aniversario e pra todo resto pela disposição de encarar qualquer coisa, especialmente as mais absurdas, sem medo de ser ridículo. A gente definitivamente se diverte mais que o resto das pessoas.

 

sensualidade dominical à base de tinta fluorescente + raios UV

 

Ah, e só pra dar o toque final de elegância na situação, queria declarar publicamente que ontem cheguei em casa nove e meia da noite, pedi China In Box e fui atender o entregador de moletom e com dois traços laranjas fluorescentes nas bochechas. Seduzi.
Ou, como disse minha mãe no auge de sua sabedoria:

“Eu espero apenas que você tenha consciência do fato que tem tinta dentro da sua orelha”

Strike #3 (ou: Medo e Delírio na Rua Augusta)

Aperta o play aqui pra ler.

O problema da Augusta é que a gente sempre vai descer a Augusta. Eu, você, todo mundo que tem um passado lá. Porque por mais que a gente tente escapar de tudo que ela nos lembra quando tudo aparenta estar bem, basta alguma coisa dar errado pra gente ver o passado sob outra perspectiva, e aqueles tempos e aqueles porres passam a ter um significado completamente diferente.
A Augusta é como um mínimo denominador comum. O melhor e o pior de cada um de nós está espalhado por entre corpos, copos e bancos tortos de bares imundos. Tudo que a gente é hoje passou pelas mesas de sinuca e esquinas escuras dessa rua que tanto amoleceu nosso caráter com doses generosas de sexta-feira à noite.
O tempo e as decepções te carregam pra longe, mas de repente esse mesmo tempo te arrasta de volta por conta de outras frustrações e você se vê descendo aquelas mesmas escadas, parado em frente àquelas mesmas catracas do metrô Consolação, com a respiração falha por causa da corrida, por causa do atraso, encarando a sujeira impossível dos seus cadarços enquanto uma nova leva desfila aquela liberdade recém-descoberta que já foi tão desperdiçada por tantos antes. Eles exibem nas roupas e nos sorrisos aquele fascínio por tudo que lhes parece tão proibido e ao mesmo tempo tão… CERTO. E você ali, tentando se camuflar, tentando evitar o reencontro com tudo aquilo que para eles é um paraíso. Para eles é tudo novo, pra você não passa de reprise.
A eterna repetição dos passos, dos abraços, das balizas que as cinturas fazem para se encaixarem no espaço entre dois outros braços que possivelmente as guiarão rumo a uma nova existência infinitamente mais interessante. A insaciável curiosidade pelo que pode acontecer quando se está tão próximo de alguém que o ar se torna tão denso quanto o grave de um baixo. O contraste entre o ritmo lento dos movimentos e a rapidez dos goles e o efeito de anestesia temporária que esse fluxo gera. A incansável busca por alguma surpresa, a mesma coisa que você ainda procura.
As certezas deles, que um dia foram suas, hoje pra você não passam de dúvidas. Você aprendeu a abandonar a idéia de certo e errado de tanto se estrambelhar pelas calçadas, e nessa entrega completa às sarjetas perdeu a capacidade de se assustar com as infinitas possibilidades que a noite sempre oferece.
Mas basta voltar pra onde tudo começou que os instintos de antes te dominam. O medo, a vontade de quebrar as regras – as novas regras, aquelas que você mesmo se impôs -, o desespero de aproveitar cada instante antes que tudo acabe, seja lá o que “tudo” for quando não se tem nada a perder.
E segue-se a inevitável sequência de blefes e ensaios de inspiração brutalmente interrompidos por palavras vazias, e você então entende que está fora do jogo. Você precisa de outra coisa, que talvez nem fosse tão difícil não fora impossível.
Impossível porque, ao contrário do que acontece na Augusta, não é uma ameaça que se aproxima cada vez mais de você quanto mais você baixa a guarda. Pelo contrário, se afasta. Impossível porque a Augusta te prepara para um mundo que se desmancha em marcas invisíveis de lábios e digitais nos quadris, mas o mundo real é feito de marcas indeléveis no peito.

Êta Jesusão Maravilhoso – A Saga de 7 Jovens Cristãos No Templo Messiânico de Araxá

O que se segue NÃO é um relato fiel dos ocorridos entre 04 e 07 de Setembro, tão somente percepções dementes de eventos dos quais não guardo recordações precisas.

1º Ato

Cena I – Sábado – Rodoviária de Araxá, 6:10 a.m.

“Esse lugar é o fim do mundo”
“Fim do mundo sua bunda, caralho. Vou te mostrar como Araxá é uma cidade LINDA. Logo ali oh, ta vendo, do outro lado da praça? Ali eu fazia meus exames ginecológicos”

Cena II – Sábado – Um pouco mais tarde, ainda na megálopole

“JOHN ROMUALDO?????”
“É o cabelereiro mais chique de Araxá menina”
“Verdade né, tem até tapete vermelho nas escadarias…. E UM BANNER DE TUPPERWARE? ELES VENDEM TUPPERWARE NO CABELEREIRO MAIS CHIQUE DA CIDADE?”

a definição de CLASSE

Depois desse instrutivo tour pelos pontos turísticos, estava eu inocentemente dormindo a base de medicamentos quando ouço ao longe Ke$ha no volume máximo. Meu subconsciente logo soube que ninguém na pacata cidade estaria ouvindo Tik Tok num sábado às 8 da manhã, então logo soube que quem se aproximava era o resto da caravana. Não estava enganada.

Todo mundo se sentindo que nem o P. Diddy depois de 9h na estrada

Cena III – Sábado – Supermercado de Araxá, 10 a.m.

Sessão de Frios

- Acho que 100 fatias de queijo e 100 de presunto.
- Presunto não, mortadela, é mais barato.
- PUUUUUUUUTA, pode cre, mortadela, que delícia
- E queijo, prato ou mussarela?
- Pega mais mussarela que prato, que é melhor.

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Enquanto isso, na Sessão de Congelados

- Vamo comprar esse bolo aqui, mais barato.
- Não gente, pelamordedeus, isso aí é PURA gordura hidrogenada.
- Esse aqui parece um pouco mais gostoso
- Mas também é mais caro
- Ah, vamo levar ele, tem morango, parece mais bacana.
- E é maior né.
- Beleza, 22 reais nem é tanto, fica esse então.

Cena IV – Sábado – Fazenda Pioneira, 2 p.m.

- O negócio é todo mundo descansar agora, pra ficar bem e bonitinho pra noite né.
- Isso. A gente descarrega as compras, arruma tudo e dorme.

FIM DO 1º ATO

2º Ato

Cena I – Sábado – Fazenda Pioneira, 4 p.m.

- Tá foda essa cerveja quente. Vamo tomar vodka?
- Vamo
- Vamo passear naquele pântano ali?
- Vamo

Cena II – Sábado – Fazenda Pioneira, 6 p.m.

A cerveja já tinha gelado, já tínhamos alimentado os girinos do pântano, decidimos então surpreender nosso aniversariante com uma versão voz e violão de “Lollipop” do Mika – mesmo que ninguém estivesse sóbrio o suficiente pra lembrar toda a letra -, seguida de parabéns com shots de tequila.

Cena III – Sábado -  Fazenda Pioneira, 8 p.m.

- Gente dá a mão, todo mundo lavando a mão com a tequila pra comer o bolo porque não vai rolar talher pra todo mundo tá?

E tudo que se pode dizer sobre o restante desse dia é que: nunca descobrimos o sabor do bolo de 22 reais, mas hoje em dia sabemos que glacê é uma substância com propriedades muito similares às da argamassa, o que pôde ser constatado através das camadas texturizadas nos pilares e no chão de toda a varanda da casa principal.

mas faz um bem pro cabelo e pra pele que vocês NUM TEM IDÉIA


Cena IV – Sábado – Fazenda Pioneira, 10 p.m.

- Viu, num tem talher não, a gente tá comendo com esses troços que parecem porta copos
- É macarronada né?
- É
- Ah, pega nada, vamo comer com a mão mesmo.
- Teste de coordenação, é bacana.

polegares opositores nunca foram tão úteis

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Alguns minutos depois, quando entra outra pessoa na cozinha

- Viu, num tem talher não, a gente tá comendo com esses troços que parecem porta copos
- Como não tem talher gente?
- Não tendo. Não achei

Joga uma gaveta cheia de talheres em cima da mesa.

FIM DO 2º ATO

3º Ato

Cena I – Domingo – Fazenda Pioneira, 10 a.m.

Na cozinha

- As 3 piores coisas da história da humanidade são: guerras, AIDS e SEPARAR ESSAS PORRA DESSAS FATIA DE MUSSARELA DO CARALHO SEM DESPEDAÇAR ELAS.

isso e frios rebeldes: TUDO A MESMÍSSIMA COISA NÉ.

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Enquanto isso, na varanda

- Quem quer cerveja 3 segundos?

3 mãos se erguem em consentimento.

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Alguns minutos depois

- Gente, tem uma trilha muito legal aqui perto, vamos?
Todos que beberam as cervejas de 3 segundos, empolgadíssimos
- VAMO AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE
- Pera, vou só separar um isopor com cerveja pra levar.
- Ai, então eu vou levar uns drinks, a gente bebe no caminho

Cena II – Domingo – Numa trilha a alguns quilômetros dA Pioneira

- Caralho mano, tá sol né?
- E o que tem de mosquito?
- Puta, esquecemos de passar repelente.
- Pode cre né. Bom, me dá mais uma cerveja aí.

Num primeiro momento havia um certo cuidado com a trilha, com onde se pisava, para evitar possíveis acidentes. Depois que as cervejas e os drinks e a insolação e o veneno dos borrachudos se misturaram, o bem estar corporal foi abandonado, resultando em cosplay de salmão subindo a correnteza pra procriar, remake da coreografia de Alejandro pra pular uma pedra e as mais variadas digievoluções de acrobacias no limite da tetraplegia.

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Cena III – Domingo – Fazenda Pioneira, 9 p.m.

- Quem vai querer tequila?
Todas as mãos se erguem em consentimento
- Mas meu, ontem foi foda tomar sem sal. Sério que não tem?
- Não tem meu.
- Tem o tempero pronto………
- Será?
- Porque não, gente?
- É meu, foda-se, pega o Sabor Ami e vamo tomar essa porra!

Viscoso, mas gostoso

FIM DO 3º ATO

4º Ato

Cena I – 2ª feira – Fazenda Pioneira, 10:30 a.m.

- Vamos tomar sol e fazer piquenique

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Alguns minutos depois

- Acho que comi um carrapato no meu lanche

Cena II – 2ª feira – Fazenda Pioneira, 1 p.m.

- Alguém tem uma tesoura?
- Pra que mano? Ce vai cortar a unha de novo? Ce ta cortando a unha desde ontem, não é possível, quantos dedos você tem? Tá fazendo cortes artísticos? NÃO É NORMAL ISSOOOOOOOOOOOOOOO
- Não, calma, é pra cortar a etiqueta dessa camiseta
- AH TÁ.

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Cena III – 2ª feira – Fazenda Pioneira, 2 p.m.

- PORRA MANO TEM MEIO QUILO DE SAL NESSA CASA E A GENTE TOMOU TEQUILA COM SABOR AMI.

Cena IV – 2ª feira – Fazenda Pioneira, 8 p.m.

- Galera, vocês me aceitam mesmo com esse cabelo desse jeito?
- Se eu gritar, se eu chorar, se eu espernear, ele vai mudar?
- Não…
- Então. Não é meu SONHO ver esse seu cabelo assim, mas eu te amo de qualquer jeito.

Cena V – 2ª feira – Fazenda Pioneira, 10 p.m.

- Acabou a vodka né.
- Porra, que bad.
- TEM A TEQUILA COM VERMEEEEEEEEEE
- VAMO DIVIDIR O VERMEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

FIM DO 4º ATO

Eu poderia relatar alguns outros flashes de cenas das quais recordo fragmentos, mas acho que o importante aqui é ressaltar o saldo final desses 4 dias: 7 jovens sobreviveram, com êxito e apenas leves escoriações, aos desafios da vida rural. Por leves escoriações, leia-se pequenos cortes, hematomas, picadas de borrachudo e mordidas de pulgas. Porém, alguns lesionaram-se mais, dando a impressão de que ocorreu um apocalipse zumbi durante a madrugada e todos foram infectados.
Fora isso, foi um grande aprendizado, sobre como histórias de terror podem subitamente se transformar em piadas internas, sobre como as vacas são inseminadas e quanto isso é inapropriado de se assistir antes do jantar. Sobre como cachorros de porte tão pequeno podem possuir colônias tão imensas de pulgas, sobre como pererecas são seres místicos e imortais e sobrevivem até a descargas, sobre como é fácil identificar-se com Baleia, o cão de Vidas Secas.
E acima de tudo, sobre como a intimidade de fato É UMA MERDA.
Foi um feriado inesquecível. Porque tem fotos e vídeos, senão o álcool teria pagado toda e qualquer memória.
Beijos pra Lucíola, pro Adriano, pra Jubara AKA LOCA DA BALA, pra Sapinha e pra esse JESUSÃO MARAVILHOSO que nos proporcionou tudo isso.

Talento é Genético

Olha, não é por nada não, mas eu sou um dos maiores talentos desperdiçados das artes cênicas de todos os tempos.

E minha irmã tem uma vocação pra cantora lírica que ME IMPRESSIONA também.

Vejam a intensidade dramática, a capacidade de improviso, a entrega à emoção exigida pela letra e melodia.

Fica a dica pros Trovadores Urbanos, ou pra você que quer supreender seu grande amor com uma serenata performática – se eu fiz isso pra uma geladeira, imagina como seria pra uma pessoa de verdade.

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AI GENTE COMO EU CURTO QUEIMAR MEU FILME NÉ?

=D

Serviço de Utilidade Pública

Esse primeiro vídeo é o motivo de existirem os dois que o seguem.

O segundo e o terceiro são coisas que eu aprendi ainda criança nos buteco por aí, e que até hoje uso como técnicas de distração autista.

1. Hélice de Palitinho

Acaba que toda vez que eu faço isso eu engajo todo mundo da mesa na atividade.

Fora que é sempre um ótimo indicativo do tanto que eu tô bêbada – eu sei que tô sem condições a partir do momento que não consigo equilibrar o palito e fazê-lo girar.

2. Infográficos X-Rated

Como conquistar uma mulher, com muita FINESSE.

24h Party People

“Não acredite em nada do que eu falo que não tenha passado por experiência própria” – Buda

Antes era só aos sábados. Depois, passou a ser 6ª e sábado. Num dado momento, virou 6ª, sábado e domingo. Agora já chegou num ponto que a gente leva advertência por barulho todo santo dia. Ou seja, é só uma questão de tempo até que a gente seja expulso do prédio e vire uma comunidade de sem-teto. A gente já tá tao acostumado a levar esporro que até quando toca o telefone, às 7 da manhã, a gente já acorda achando que é o interfone e alguém reclamando.
Mas é isso que acontece quando você junta sob o mesmo teto 10 pessoas de 20 e poucos anos que bebem muito, falam muito e gostam de música alta e baixaria.
Agora, imagine se um dia essas mesmas 10 pessoas, que já se tornaram referência de baixo nível, resolvem se infiltrar numa festa exclusiva da nata da sociedade paulistana. Bom, foi isso que aconteceu quando o 31crew invadiu nessa última 3ª o Buddha Bar, na Daslu, pra ver como é que era essa história de French Tuesdays.
O primeiro passo foi a caracterização. A minha em especial. Porque eu sou o tipo de pessoa que sequer penteia o cabelo pra sair de casa e vai pra balada de calça jeans e all-star. Salto alto é um negócio que eu não uso há mais de ano, e a última vez que eu entrei num vestido foi pra comemorar os 80 anos da minha avó – e só porque eram 80 anos. Agora, não que eu fosse me incomodar em chocar a sociedade ja de cara aparecendo lá com meu look tradicional, mas o dress code sequer permitia isso, e eu nao tava afim de ir até lá pra ser barrada na porta. Fora que num dado momento eu comecei a me empolgar com a perspectiva de fazer cosplay de mocinha. Então abracei a proposta, e deixei tudo nas mãos das meninas, que acharam o máximo poder brincar com uma Barbie de verdade.
A segunda providência a ser tomada era comprar bebida pra fazer um esquenta antes de sair. Porque alegria de pobre dura pouco, e algumas horas antes descobrimos que o churras na laje da Eliana Tranchesi não era open bar. E eu nem preciso mencionar aqui que nossa renda não permite comprar Veuve Cliquot né. Então compramos o kit completo de vodka em promoção, energético e vinho barato. Colocamos Dog Days Are Over no último volume e nos entregamos a uma catarse musical à la Florence. Óbvio que não durou muito, porque logo veio a inevitável advertência, mas tudo certo, já tava todo mundo num estado levemente alterado da consciência e já eram 22h, mais do que na hora de sair.
Tudo bem que em circunstâncias normais a gente ia COMEÇAR a beber as 22h, mas tava escrito no convite que a festa ia das 19h a 1 da manhã – um aviso gigante de que seria LAME e que nós ignoramos, em nome da antropologia – e a gente queria aproveitar ao máximo esse gostinho de ser bem nascido e morar em casas aonde não hajam poças de origem desconhecida no chão da cozinha nem sacos do McDonald’s espalhados pela sala nem um amontoado de roupas que se locomove sozinho e engole meias de forma a você nunca mais encontrá-las. Então pedimos desculpas e fomos atrás de um táxi. Porque sai mais barato dividir os 20 reais de uma corrida Jardins-Marginal do que pagar um estacionamento que custa mais que a consumação de uma balada normal somado ao gasto em combustível, e embora a gente até tivesse enganando bem como legítimos membros da high society, a realidade ainda é que a gente mal e mal pode ser considerado sequer membro da sociedade de forma geral.
E lógico que a gente foi pra entrada errada. Nada mais justo, já que o único contato que a gente teve com a Daslu na vida foi passando ali na frente quando a gente pega o Terminal Capelinha que vai pela marginal pra voltar pra casa. Mas os seguranças e um cara meio bêbado e tatuado que tava ali na sarjeta da porta dos fundos foram muito bacanas e deixaram a gente cortar caminho pelo estacionamento.
Chegando na porta do Buddha Bar, a ordem geral era fazer silêncio. Porque qualquer coisa que a gente falasse denunciaria que o nosso lugar não era ali. Mas mesmo assim o segurança deu uma bela olhada pra galera e pediu pra gente esperar um pouco. Não tinha fila, não tinha ninguém, mas acho que ele não sabia exatamente como lidar com aquela galera bonitinha, bem vestida, mas com um brilho suspeito no olhar. Dez delinquentes que podiam na verdade ser herdeiros de comportamento exótico. Cinco minutos depois, ele nos concedeu o benefício da dúvida e liberou todo mundo.

Ah, o glamour. Um lustre gigante, sofás de couro, taças com bebida importada. Mas no fundo, a merda é sempre a mesma. Banheiro feminino tem sempre aquela fila quilométrica e você nunca vai poder sentar na privada. A diferença é que sempre vai ter papel higiênico.
Ah, o berço de ouro. Pose impecável para circular pela pista, para brindar e até dançar sensualmente. Mas tem sempre aquele cara inconveniente que passa a mão na sua bunda e dá uma piscadinha, assim como a vadia que rebola tanto que parece estagiária da Valesca Popozuda. A diferença é o terno de linho Armani e o vestido 100% seda que cobrem esses corpos.
Mas a música pode sempre salvar tudo, não é mesmo?
Não.
Aliás, a Jovem Pan ligou e pediu o setlist de 2001 de volta.
Ok vai, sejamos justos. Foi… Eclético. Afinal, não é qualquer um que toca na sequencia Lady Gaga (atendendo a pedidos adivinha de que núcleo), Gipsy Kings e FRANK SINATRA. É no mínimo uma experiência interessante você passar de Bamboleo a New York, New York. Cantar I Just Called to say I Love You no cangote da sua pretendente e pular uma tarantella com seus brothers logo depois.
Além disso, rolavam umas performances. O nome da festa é Garden Fairy, então tinham duas fadas em cada extremo da pista. Quer dizer, fadas. Visualize uma versão with lasers de Sininho meets Rogéria e você tem uma noção do que eram as “fadas”.
Fora que rolou uma distribuição de pequeninos sachês recheados de ESTRELINHAS BRILHANTES. Perfeitas pra você colocar na palma da mão e assoprar na cara dos amigos, deixando eles numa cegueira lisérgica que vê tudo brilhando e com resquícios de piolhos gays (que carinhosamente apelidamos de Lêndeas GaGas) no seu cabelo até 2017. Achei bacana, agora nunca sei o que é cabelo branco e o que é purpurina.
Por volta das duas da manhã, a brincadeira já tinha dado tudo que tinha pra dar. Ninguém suportava mais ficar de salto, a música só piorava e o efeito do álcool consumido em casa estava passando, então as pessoas estavam ficando progressivamente mais feias.
Enquanto jovens cuja mesada é maior que o PIB de pequenos países africanos esperavam seus motoristas, atravessamos a pé os portões do império do luxo paulista, quase sendo atropelados por BMWs e congêneres, chegamos até a civilização e conseguimos dois táxis para nos levar de volta à nossa realidade, que por mais miserável e moralmente questionável que seja, é INFINITAMENTE mais divertida do que tudo aquilo.
Nosso negócio é vida bandida, sarjeta, gente que usa tatuagem como acessório ou que põe uma sunga, se enrola em magipack e vai pra balada sem se preocupar com o que vão pensar.
Mas isso a gente só pode afirmar com certeza porque fez o que Buda falou, foi lá e vini vidi vici.

Quem vê até pensa

 

“Tell Jesus that the BITCH is back”

Assim… Dois meses atrás, quando eu fiz minha tatuagem no braço, tudo que minha mãe falou foi: “Ai Tatiana… Agora você vai ter que achar alguém que goste de você assim, desse jeito, e ainda por cima toda rabiscada”

Bom, vocês estão prestes a entender – se é que não entenderam até agora -, o que ela quis dizer com “desse jeito”.

Eu descobri ele hoje de manhã, mas é um registro de sexta à noite, depois de muita vodka, HIFAY (que deve ser Hi-Fi no dialeto do bar da esquina) e, como não podia deixar de ser, uma batalha épica com meu arqui-inimigo, o whisky.

Dentro de mim habitam muitas personalidades estranhas que despertam com o consumo de etanol, como minha própria mãe TAMBÉM já tinha dito. Uma das predominantes é Heleninha Roitman, que dessa vez ao tomar conta do meu corpo resolveu pseudo-dissertar sobre inclusão digital e a profissão mais hype dos últimos tempos: analista de mídias sociais.

Enfim, assistam e entendam porque quando minha progenitora se manifesta falando essas coisas todas é em tom de desgosto e sincera preocupação, não de ironia.

Marry me?

Na alegria e na tristeza

Na saúde e na doença

Na putaria e nos barracos

Na bebedeira e na ressaca

- Do you take those men and women to be your lawfully wedded husbands and wives?

- I do.

31 crew, agora com blog próprio. CORRAO.

Countdown (Sick For The Big Sun)

E aí bate aquela sensação de que alguma coisa está pra acontecer.
Daquelas que mudam o eixo da sua vida.
Você não tem ideia do que, nem de exatamente quando, mas sabe que falta pouco.
E dá um frio na barriga filha da puta.
Porque todas as vezes que você sentiu alguma coisa parecida com isso, foi menos.
Porque sempre foi uma fase ruim e agora é uma fase boa.
Porque sempre deu medo, e agora você não tem medo de porra nenhuma.
Porque você sempre foi imprestável demais pra merecer alguma coisa minimamente decente e agora você é, digamos, uma pessoa de caráter.
Porque você conta pra sua irmã que está com essa sensação e tudo que ela te diz é:

Montenegro says: (7:24:23 PM)
relax
Montenegro says: (7:24:26 PM)

merda por merda
Montenegro says: (7:24:28 PM)
vc ja fez todas
Montenegro says: (7:24:30 PM)
auauauhha

DEFINITIVAMENTE ninguém me respeita nessa porra né, minha gente?

It doesn’t matter what you did and if you did it like you been told. True and everlasting, that’s what you want

PS.: Ah, caso interesse, hoje teve Fuck Art, Let’s Dance – confesso que não foi o melhor set da história, mas lá tá explicado melhor e né, caguei Brasil.

PS 2.: Deixa eu desabafar aqui que O QUE A GENTE NÃO FAZ POR AMOR NÉ? Puta merda, eu tô a caminho do Villa Country, e acho que quantidade de álcool nenhuma vai tornar essa situação menos LAMENTÁVEL. Eu vou pro céu, eu tenho certeza que esse tipo de atitude equilibra o meu karma.

Xilocaína Mental

O legal do álcool é que ele anestesia qualquer tipo de inibição e/ou julgamento. O problema é que quando essas linhas traçadas pelo superego se dissolvem sua vida pode virar uma bagunça antes de sequer dar tempo das suas sinapses recuperarem o ritmo.

Aí você acorda no dia seguinte cercado de pessoas que seriam excepcionalmente inteligentes não estivessem completamente incapacitadas. E o mais legal é que, mesmo nessas condições, ainda são pessoas excepcionais. E as conversas, ainda que sobre assuntos que não fazem sentido nenhum, atingem um nível que a maioria dos grupos que você já conheceu não alcança nem no auge da sobriedade.

(Aqui entra um parenteses reforçando que meus posts NÃO são direcionados a ninguém, a não ser que isso esteja especificado de cara. Tô afim de lidar com egos feridos não, ok?)

É nessa hora, quando você acorda ainda levemente lesada, que tudo se define. Se você percebe que o caos da noite anterior – aquele que está aos poucos sendo reconstruído através dos retalhos de memórias de cada um – não vai afetar nem o almoço de vocês, que você não precisa ficar paranóica até a realidade não parecer tão embaçada porque dessa vez o fato de você não lembrar muito bem onde está o chão não significa que se abriu uma fenda pra te engolir, nessa hora bate o alívio.

Porque dessa vez é que nem um looping. E você sabe que, muito embora você não sinta suas pernas, na hora que você voltar vai sobrar só a adrenalina. E é só por isso que a gente levanta todo dia né? Pela fucking adrenalina.

Então eu topo a anestesia. Eu topo a sensação de não saber o que eu to fazendo nem o que ta acontecendo. Porque eu sei que o meu mundinho tá seguro, e que eu vou ter minha descarga de adrenalina. E por enquanto é só disso que eu preciso.

Essa foto não tem nada a ver com o post, mas eu coloquei só porque eu tenho mentalidade de 6 anos e me rabisco quando to entediada

The Good Times Are Killing Me

O problema é que eu não presto
Eu queria muito, sabe, mas algumas coisas simplesmente não tem jeito e aparentemente eu sou uma delas.
BRINKS
Eu presto sim. Até demais. Mas ultimamente eu não to me interessando por isso. E quanto menos eu to valendo, mais eu to gostando. Porque cara, chegou num ponto que eu já aceitei a ideia de que um relacionamento sério tá tão fora do meu alcance quanto, sei lá, fazer o Ironman. E, assim como eu não tenho ambição nenhuma em fazer o Ironman, eu deixei de fazer tanta questão de me envolver com alguém.
Lógico que tem dias que me bate um desespero. Mas eu cheguei à conclusão que isso é decorrente da falta de sexo, não da vontade de de desenvolver profundos laços emocionais. Ficar sem sexo não é uma coisa saudável, até teve um ministro que falou isso acho que ontem. O ideal é cinco vezes por semana. E eu aqui, na véspera da Lua Cheia, com 22 anos de fogo no rabo e um clipe da Katy Perry em looping. QUÉ DIZÊ…

Agora, pra completar a desgraça, eu vou pra balada e ninguém quer meu corpo. Tudo bem que isso está deixando de ser um problema porque a situação já está no ponto de eu ficar bêbada o suficiente pra tomar a iniciativa, mas olha, tem dias que eu me pergunto se isso é parte de um plano maior que universo reservou pra mim ou se eu to cagada mesmo.

Cagada e alcoólatra bjos

Eu já cheguei a cogitar mudanças pessoais pra ver se reverto esse quadro, mas logo desisti. Porque eu não entendo o que as pessoas querem, então ia ser perda de tempo – e pelo menos assim eu não tenho que ficar me policiando.
Enfim né, esse é mais um post inconclusivo, incoerente e sem nenhuma utilidade. Mas de acordo com essa minha filosofia de PISOU NA MERDA ABRE OS DEDOS que abriu mão de qualquer tipo de esperança, eu posto o que eu bem entender e nem sinto remorso.
Pelo menos falaram que meu cabelo é bonito. E eu nem penteei ele hoje.

Better When You’re Naked

Olha, tudo que eu posso dizer a respeito de sábado é que não é a toa que as pessoas chamam tequila de coragem líquida.
E que no fim das contas, até que eu tava com saudade da Bubu. Não muito, mas o suficiente pra aproveitar como nunca. Literalmente, COMO NUNCA.
Mas né, vou poupar meus familiares que acompanham isso aqui dos detalhes sórdidos porque não tem necessidade. Ida Maria fala por mim

OK, you’re kind of sexy
But you’re not really special

But I won’t mind
if you take off all your clothes
Come on, take them off

‘Cause I like you so much better when you’re naked
I like me so much better when you’re naked

Queria só deixar aqui um beijo pro dono do bar em frente ao Glória que inadvertidamente me deu Jurupinga de graça, pro mendigo na outra esquina da Artur Azevedo que dançou Electro comigo, pra moita na qual a gente sentou as 7 da manhã só porque agora é tradição assediar matagais depois da balada e um especial pra todo mundo que tem piercing na língua – porque vocês merecem meu respeito.

A bebida faz mal à família, à saude e à sociedade

Como Proceder no Caso de Perda do Seu Cartão de Débito em 10 Passos

1º passo: acorde ainda bebada e perceba que você perdeu o cartão
2º passo: arrependa-se de ter bebido até perder a dignidade e o cartão
3º passo: bloqueie o cartão pelo bankfone
4º passo: decida que DEFINITIVAMENTE você precisa começar a namorar pra sair dessa vida
5º passo: pegue um ônibus lotado e perceba, no trajeto, que você está mais bêbada do que imaginava
6º passo: choramingue com o financeiro da agência A. MANHÃ. INTEIRA. até que ela se solidarize com a sua situação e ligue para o banco para descobrir como pegar um cartão novo
7º passo: supere o ódio e entenda que, considerando-se a vida que você leva, é um milagre você não ter perdido seu cartão antes
8º passo: vá até o banco depois do almoço, ainda passando meio mal, pegue uma fila de 40 pessoas pagando TODAS as contas possíveis e solicite um cartão provisório
9º passo: pegue seu cartão provisório, erre a senha, e já faça o pedido de um cartão novo
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10º passo: volte para a agência e encontre seu cartão original no fundo da mochila.

Isso precisa acabar. Sério.

OMO State of Mind

Eu nunca fui a filha que mamãe quis ter. Mas eu fui o filho que ela nunca teve.

Quer dizer, eu devo ser a única pessoa que deixa a mãe preocupada quando NÃO sai pra beber. Se eu falar que vou sair pra beber até perder completamente a noção de quem eu sou e voltar só no dia seguinte, TUDO CERTO. Mas se por acaso eu passar a noite em casa, acordar disposta e resolver dar uma voltinha, apita um Car System na cabeça dela que eu conseguia escutar ela esperando pelo pior até quando morava em outro país.

Mas dá pra entender né. Cada vez que eu saio por aí na luz do dia eu me acidento devido às atividades absurdas com tendências delinquentes que invento de praticar. Bêbada eu sou inofensiva. Tá que eu faço incontáveis merdas e sou irresponsável e tenho ressacas morais e… Bom, o que eu sempre falo aqui. Mas eu volto inteira.

Sóbria, por outro lado, eu sou uma ameaça à minha integridade física, o que é bem diferente de integridade enquanto conceito. Integridade enquanto conceito é como dignidade – a minha já está tnao irreversivelmente danificada que nem faz diferença.

Só pra exemplificar. Nas duas últimas vezes que eu tirei uma folga da putaria, eu tive que parar pra fazer compras antes de voltar pra casa. Uma vez na farmácia, incluindo itens como merthiolate, água boricada, gaze e esparadrapo suficientes pra cobrir uma múmia, e a outra foi no mercado mesmo, pra comprar aguarraz e galões de removedor.

Ok, tô exagerando. Mas é pra dar um parâmetro do tipo de coisa que eu me meto a fazer. Skate, spray, canoagem, asa delta, páraquedismo… Enfim, havendo alta possibilidade de me machucar ou pelo menos estragar minhas roupas tá valendo. #sesujarfazbem

Não é pra deixar minha mãe com cabelos brancos. É que eu sou um moleque, e moleques costumam ser mais hiperativos e sem noção. Energia acumulada é como nitroglicerina do lado de um duto de gás. E eu preciso descarregar isso de algum jeito.

Obviamente, como um moleque, eu preferia estar fazendo sexo. Mas não tá rolando.

Eu quebro tudo ou eu me quebro toda. É assim que funciona.

Darwinismo Problemático Pt.1

Ok, to virada desde ontem e hoje vou virar de novo. Mas fiz uma pausa pra não enlouquecer.

Começa hoje uma série de análise sobre os diversos tipos de problemáticos que habitam a superfície do planeta Terra. Porque claro, eu não sou a única. E considerando o índice de gente que acessa esse blog jogando “eu tenho problemas” no google, o número é bem maior do que eu imaginava.
Essas análises são fruto de observação cuidadosa dos tipos que eu conheci. Obviamente eu não vou citar nomes. A não ser o meu, é claro, que inaugura a série. E como o blog é MEU, eu vou batizar a categoria com o MEU nome

Tipo 1: Problemático do tipo TATE (também conhecido por Problemático JOSELITO)


O problemático TATE é bem representado pelo filme acima. Exceto pela parte que a estupidez desse problemático não é um emblema de sua genialidade oculta, muito menos uma filosofia de vida. Ou seja, esse problemático não passa de um débil mental inconsequente e irracionalmente confiante. Achando que é invencível, imortal e com um sério complexo de super-herói, terá as idéias mais estúpidas e, impulsivo/bebum que é, levará tais idéias a cabo, pensando nos possíveis resultados de suas ações ENQUANTO as executa, naquele momento em que, bem, não dá mais pra voltar atrás.
Eventualmente o problemático TATE se dá bem. Mas estatisticamente falando, ele sai com incontáveis fraturas e ressacas morais e eventuais e ínfimos lucros.
Esse tipo de problemático já apresenta sintomas de transtorno mental desde a mais tenra idade.
Você identifica um problemático do tipo TATE já no Jardim de Infância.
Aquela criança DDA que não se envolve nas atividades e vive num mundinho de autismo. A seguinte foto ilustra o conceito.

Observe que todas as crianças observam os movimentos do palhaço, enquanto eu (a grifada) aparentemente acho muito mais interessante comer minha mão.

Durante o seu processo de crescimento, o problemático TATE não acredita muito em interações sociais e prefere a companhia de livros e músicas impróprios para sua idade, se tornando a típica criança espertalhona que faz comentários ácidos nos momentos mais inconvenientes possíveis.

Porém, durante os primeiros anos de sua adolescência, o problemático encontrará aquele que será seu mais fiel companheiro nos anos subsequentes: o ETANOL.
Essa substância tornará o problemático uma critatura mais expansiva, aproximando-o assim de seus pares. Aproximando-o ATÉ DEMAIS.

Ainda assim, o problemático TATE mantém traços de seu comportamento autista, em surtos de fobia crônica de seres humanos. É incapaz de manter relacionamentos estáveis, ao que consta nas crônicas de pesquisadores.

O que categoriza um problemático TATE porém, não é essa série de comportamentos incompreensíveis mesmo para seus maiores estudiosos. A característica mais marcante dessa espécie de problemático é que ele aparenta não possuir noção nenhuma do perigo, em aspecto nenhum de sua vida, colocando-se em situações de perigo eminente sempre que estas se apresentam como alternativa.

Capaz de passar dias sem dormir, sem se alimentar direito e ingerir quantidades cavalares de estimulantes associados ou não ao etanol, arrumando problemas com nativos de outras raças de porte maior, sem procriar, tendo como hobby atividades aparentemente suicidas e causando danos irreversíveis por onde passa, é um milagre que não estejam ainda em extinção

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E aproveitando essa vibe bonita e elegante, já que a minha espécie é viciada em música, mais um PÓDIQUÉSTI selecionado no ar!

Aguardem cenas dos próximos capítulos.